Júri condena filho a 28 anos de prisão por feminicídio da mãe em Ribeirão Preto

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    Gabriel Felipe de Paiva Medeiros, de 23 anos, foi sentenciado a 28 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado pelo assassinato da própria mãe, a motorista de aplicativo Amanda de Paiva e Silva, 45. O veredito foi definido pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Ribeirão Preto (SP), que enquadrou o crime como feminicídio qualificado, ocorrido em março de 2025.

    Mesmo com a decisão unânime dos jurados, a defesa do réu recorreu, alegando que o resultado teria se chocado com as provas reunidas nos autos. Os advogados pleiteiam um novo julgamento ou, em última hipótese, a redução da pena. Também pedem a invalidação do depoimento da ex-companheira de Medeiros, que, na avaliação deles, teria incorrido em falso testemunho.

    Condenação e repercussão

    A sentença fixada pela 4ª Vara do Júri considerou três fatores para agravar a pena: grau de crueldade, relação de confiança entre agressor e vítima e o fato de o corpo ter sido ocultado. A Promotoria sustentou que Medeiros teria planejado a morte para se apropriar de pertences da mãe e se livrar de dívidas pessoais. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese e classificou o ato como feminicídio qualificado, previsto no artigo 121, §2º, inciso VI, do Código Penal.

    Após a leitura da pena, Medeiros foi reconduzido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) onde se encontra desde a prisão preventiva, decretada no fim de março de 2025. Por ser crime hediondo, ele não poderá progredir de regime antes de cumprir, no mínimo, metade da punição. Representantes de entidades de defesa dos direitos das mulheres acompanharam a sessão e aplaudiram o resultado; familiares da vítima deixaram o plenário em silêncio.

    Recurso da defesa

    O advogado Luiz Felipe Rizzi Perrone, que representa Medeiros, ingressou com apelação no Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo ele, o depoimento da ex-companheira do acusado influenciou “decisivamente” os jurados ao relatar supostas agressões anteriores contra Amanda. A defesa considera que a testemunha omitiu informações e, por isso, solicita que o depoimento seja excluído dos autos. Caso o TJ-SP não reconheça nulidades, o advogado pretende buscar a diminuição da pena alegando confissão parcial e primariedade técnica do réu.

    Como o crime foi descoberto

    Amanda de Paiva e Silva foi vista pela última vez por volta das 22h de 19 de março de 2025, quando saiu para trabalhar. Na madrugada seguinte, policiais militares avistaram o veículo da vítima, um Fiat Argo branco, estacionado de forma irregular na avenida Eduardo Andrea Matarazzo — a Via Norte, importante corredor de Ribeirão Preto. Ao perceberem manchas de sangue no para-choque, abriram o porta-malas e encontraram o corpo.

    A vítima estava seminu, enrolada num lençol, com ferimentos na cabeça e no rosto. No banco traseiro do carro, os agentes recolheram um pedaço de madeira repleto de pregos e sangue, apontado pela perícia como provável instrumento do homicídio. As primeiras diligências indicaram que ela já havia sido morta em outro local e transportada até ali para despistar a investigação.

    Trajetória de Amanda

    Mãe de três filhos, Amanda complementava a renda familiar como motorista de aplicativo e entregadora de encomendas. Segundo colegas, trabalhava em jornadas extensas para fazer frente às despesas do lar, que dividia justamente com Gabriel. Pessoas próximas relataram discussões frequentes entre os dois sobre dinheiro, mas nenhuma denúncia formal de violência doméstica havia sido registrada.

    Investigação e prisão do suspeito

    No primeiro depoimento, prestado ainda como testemunha, Gabriel Medeiros afirmou que a mãe havia saído para encontrar um ex-namorado. A versão se mostrou frágil após a perícia constatar falta de arrombamento na casa onde ambos moravam e localizar roupas manchadas de sangue pertencentes ao rapaz. A 3ª Delegacia de Homicídios da Deic, com apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE), pediu a prisão temporária, decretada três dias depois.

    Durante a busca e apreensão, investigadores apreenderam o celular de Medeiros. A análise apontou pesquisas sobre ocultação de cadáver e diálogos em que ele pedia dinheiro emprestado a amigos horas antes do crime. Confrontado pela polícia, o jovem alternou versões e terminou em contradições sobre seu paradeiro na noite dos fatos.

    Linha do tempo até o julgamento

    • 19/3/2025 — Amanda sai para trabalhar e não retorna.
    • 20/3/2025 — Corpo é achado no porta-malas do carro na Via Norte.
    • 23/3/2025 — Gabriel Felipe presta depoimento como testemunha.
    • 27/3/2025 — Deic cumpre mandado de prisão temporária contra o filho.
    • Abril/2025 — Prisão é convertida em preventiva após parecer do Ministério Público.
    • Setembro/2026 — Tribunal do Júri realiza sessão que dura mais de 12 horas e condena o réu.

    Próximos passos no processo

    A apelação da defesa deverá ser examinada pela 12ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP. Caso o colegiado acolha o pedido de novo Júri, o processo volta à primeira instância para escolha de novos jurados. Se mantida a condenação, Medeiros ainda poderá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça e, em última análise, ao Supremo Tribunal Federal, mas sem efeito suspensivo automático; ou seja, permanece preso enquanto aguarda os julgamentos.

    Especialistas em Direito Penal ouvidos pela reportagem afirmam que a anulação de um Júri Popular exige demonstração inequívoca de violação às regras do tribunal ou decisão manifestamente contrária às provas. “Não basta discordar da avaliação dos jurados; é preciso comprovar que nenhum cidadão razoável chegaria àquele veredito diante do conjunto probatório”, avalia o criminalista Sérgio Salema, professor de processo penal.

    Impacto para familiares e comunidade

    Dois irmãos mais novos de Gabriel, que não moravam na mesma casa, passaram a receber acompanhamento psicológico oferecido pelo município. A Rede de Proteção à Mulher de Ribeirão Preto destacou o caso como exemplo extremo de violência intrafamiliar e reforçou campanhas de orientação sobre sinais de risco. A prefeitura informou que batizará uma sala da Casa da Mulher em homenagem a Amanda.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.