Leandrinha Du Art desembarca no Acre e integra filmagens do longa amazônico “A Estirada”

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    A presença da influenciadora e ativista Leandrinha Du Art movimenta Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Convidada para uma participação especial no longa-metragem “A Estirada”, a comunicadora chegou à região no fim de semana, percorreu comunidades ribeirinhas de barco e dividiu com os seguidores a recepção calorosa que recebeu da população local. A gravação da etapa brasileira do filme começa na próxima segunda-feira (3) e deve se estender por diferentes pontos da floresta amazônica.

    Dirigido pelo acreano Sérgio de Carvalho em parceria com o baiano Pedro von Krüger, o projeto retrata narcotráfico na fronteira Brasil–Peru, xamanismo, povos indígenas e os mistérios que cercam a mata. A produção ainda reúne atores de três países, roteiro ambientado em rios e aldeias tradicionais e logística que envolve deslocamentos por estradas de terra, voadeiras e trilhas no meio da selva.

    Um set cercado pela floresta

    Parte central das filmagens acontecerá às margens do Rio Crôa, em Cruzeiro do Sul, área famosa pela água translúcida e pela proximidade com comunidades extrativistas. Outra locação confirmada é a Aldeia Apiwtxa, situada na Terra Indígena Ashaninka, às margens do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. Nesses cenários, a equipe pretende registrar rituais, travessias noturnas e sequências que abordam a circulação de entorpecentes pela mata cerrada.

    Responsável pela produção executiva, a acreana Karla Martins acompanha in loco a montagem de acampamentos, transporte de geradores e a chegada de equipamentos de iluminação que precisam suportar a alta umidade da região. Segundo ela, a etapa brasileira reúne uma equipe multicultural habituada a filmar em condições extremas, mas traz o desafio adicional de preservar territórios indígenas e dialogar com lideranças locais antes de cada captação.

    Elenco cruza fronteiras

    Participações internacionais

    Além de Leandrinha, encontram-se em Cruzeiro do Sul o ator boliviano Cristian Mercado e a atriz peruana Naamin Tomoycco. A dupla gravará sequências que mostram o entrelaçamento de famílias separadas por rios-fronteira, em paralelo às rotas ilícitas de drogas retratadas pelo roteiro. O elenco já conta também com os brasileiros Bruno Gagliasso e Adanilo, que concluíram recentemente cenas na cidade peruana de Pucallpa, primeira parada internacional da produção.

    A influência de Leandrinha

    Com mais de um milhão de seguidores somados nas redes sociais, Leandrinha costuma abordar temas como acessibilidade, identidade de gênero e inclusão. Na viagem ao Acre, ela publicou imagens a bordo de uma embarcação típica, registrou o encontro com moradores ribeirinhos e descreveu a floresta como “um lugar de acolhimento revigorante, cheio de formosuras que aquecem o coração”. A criadora de conteúdo afirmou ainda ter feito “muitos amigos” e destacou que “o Acre sempre existiu”, em alusão a piadas recorrentes na internet sobre a localização do estado.

    Temas que atravessam a narrativa

    Mesmo sem divulgar detalhes de plot twists ou finais, os diretores adiantam que “A Estirada” costura quatro eixos dramáticos: narcotráfico transfronteiriço, cosmovisão indígena, xamanismo amazônico e misticismo da floresta. Esses pilares orientam diálogos, conflitos e a construção da trilha sonora, que deve misturar cânticos tradicionais a arranjos eletrônicos gravados com sons ambientes da mata — desde cantos de pássaros ao ecoar de remo em canoas.

    A escolha das locações busca, ainda, associar paisagens pouco vistas no cinema nacional a discussões sobre soberania territorial e preservação ambiental. Para o diretor Sérgio de Carvalho, filmar em Cruzeiro do Sul e Marechal Thaumaturgo é “um ato político”: coloca holofotes em comunidades que convivem diariamente com pressões de garimpo, caça ilegal e aliciamento de jovens pelo crime organizado.

    Logística e bastidores

    A produção mobiliza dezenas de profissionais entre cenografia, figurino, som direto e assistência de direção. Boa parte do transporte depende de lanchas rápidas que percorrem até duas horas de trajeto sobre rios sinuosos. Equipamentos pesados chegam em voos comerciais a Rio Branco, seguem 630 km de estrada até Cruzeiro do Sul e, de lá, enfrentam trechos fluviais. Para reduzir impacto ambiental, geradores a diesel operam em regime reduzido e contam com abafadores de ruído.

    A equipe de arte recorre a materiais da própria região, como fibras vegetais e pigmentos naturais, na confecção dos cenários. Já o figurino procura respeitar referências culturais ashâninka, com permissão prévia de artesãos locais que supervisionam a reprodução de grafismos tradicionais.

    Calendário de gravações

    O cronograma oficial prevê quatro semanas contínuas no Acre. Nos primeiros sete dias, serão captadas cenas de barco no Rio Crôa envolvendo Leandrinha e personagens secundários. Em seguida, a produção se transfere para a Aldeia Apiwtxa, onde estão planejadas tomadas ao amanhecer e rituais noturnos conduzidos por lideranças indígenas. A pós-produção começa ainda este ano, paralelamente à filmagem de inserts em estúdio na cidade do Rio de Janeiro.

    Quando concluir a etapa acreana, “A Estirada” terá passado por três estados brasileiros e duas regiões de selva peruana. A estreia comercial está prevista para 2027, com projeção em festivais latino-americanos antes do circuito de salas nacionais.

    A acolhida da comunidade

    Os relatos da influenciadora reforçam o tom de hospitalidade que tem marcado a passagem da equipe pelo Acre. Em publicações, ela agradeceu “tanto carinho e receptividade” e explicou que sua relação com a floresta “não se dá de hoje”, pois aprendeu a “cuidar do mundo através do olhar ancestral” de pessoas que lutam pela preservação do bioma. A menção dialoga diretamente com a mensagem central do filme, que, ao tratar do crime na fronteira, procura também valorizar quem protege a mata.

    Moradores de Cruzeiro do Sul relatam um fluxo incomum de visitantes, vans de produção estacionadas na praça central e aumento na procura por pousadas. Para muitos, a presença de atores conhecidos coloca a cidade no mapa cultural e pode atrair futuros projetos audiovisuais.

    Expectativa do público

    Nas redes, seguidores de Leandrinha comemoram a participação da influenciadora e somam milhares de curtidas em fotos na canoa, no mercado municipal e em trilhas. Comentários variam entre elogios à representatividade trans e mensagens de curiosidade sobre o enredo. Os perfis oficiais do filme prometem divulgar teaser assim que as primeiras diárias forem concluídas.

    Próximos passos

    Com o início das gravações marcado para segunda-feira, a produção ajusta detalhes finais de maquiagem, direção de fotografia e ensaios de coreografia xamânica. Técnicos de som testam captação imersiva que permitirá ao espectador ouvir o estalar de galhos e o zumbido de insetos como se estivesse dentro da mata. O roteiro permanece sob sigilo, mas fontes da equipe garantem a presença de uma sequência culminante em que personagens precisam escolher entre a própria segurança e a defesa do território indígena.

    Entre bastidores e expectativa, o Acre transforma-se temporariamente em polo de cinema internacional. Para Leandrinha Du Art, trata-se de mais uma oportunidade de unir ativismo, arte e a afirmação de que a floresta — e quem nela vive — devem ocupar lugar central na narrativa brasileira.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.