Um homem de 40 anos foi surpreendido pela Polícia Militar enquanto abandonava uma residência na região central de Bauru (SP), na tarde de terça-feira (28). Ao notar a chegada das viaturas, ele escalou telhados vizinhos e, depois de duas horas de cerco, acabou localizado dentro de um armário num imóvel próximo. A prisão em flagrante é a 14ª registrada em seu nome desde 2004, quase todas por furtos.
Dentro da casa, os agentes encontraram objetos já separados para a fuga: cerca de 30 quilos de fios elétricos, uma bicicleta, dois botijões de gás, uma barraca de camping e utensílios de cozinha. O episódio acontece em meio a uma escalada de crimes patrimoniais na área comercial central, que vem gerando protestos de lojistas e mobilizações de segurança.
Fuga pelos telhados e a caçada de duas horas
Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito foi visto por vizinhos quando forçava o portão da residência. Uma ligação para o 190 motivou o deslocamento de três equipes da PM. Ainda na calçada, ele se deparou com os policiais, abandonou os objetos e iniciou a fuga pelos telhados, saltando de uma casa para outra. A perseguição terminou apenas quando os agentes, guiados por moradores, entraram em um segundo imóvel e abriram o guarda-roupa do quarto dos fundos, onde o homem estava encolhido.
Levado ao Plantão Policial, ele recebeu voz de prisão por furto qualificado e permanece à disposição da Justiça. De acordo com a corporação, não havia mandado pendente, mas o histórico de 13 passagens anteriores pesou para o flagrante ser convertido em preventiva.
Estatísticas que preocupam comerciantes
Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo indicam que Bauru registrou, entre janeiro e maio de 2026, média superior a 400 furtos por mês. O pico ocorreu em janeiro, com 487 ocorrências — o maior volume desde novembro de 2021. Embora o número de roubos (quando há violência ou ameaça) tenha permanecido estável, o avanço dos furtos impacta diretamente o centro, onde se concentram lojas, bancos e residências antigas com fácil acesso.
Para chamar atenção das autoridades, donos de estabelecimentos espalharam cartazes pretos com a frase “Centro em luto”, exibidos em vitrines e postes. A iniciativa virou símbolo da insatisfação. “Pago impostos há 26 anos, mas nunca pensei em fechar como agora”, desabafa o pastelheiro Henrique Matsuoka, que contabiliza prejuízos semanais após arrombamentos noturnos.
Perdas recorrentes e mudança de pontos comerciais
- Estoque de roupas e acessórios levado em plena luz do dia.
- Lâmpadas de fachada furtadas repetidamente.
- Equipamentos de som e TV subtraídos de bares nas madrugadas.
- Vitrines estouradas para roubo de celulares e eletrônicos.
A lista, compilada pelo Sindicato do Comércio Varejista local, evidencia a frequência das invasões. Alguns empresários já transferiram depósitos para bairros mais afastados, embora isso eleve custos logísticos.

Imagem: mês e comerciantes cobram plano de segu
Operação conjunta tenta conter delitos
Diante da pressão, Polícia Militar, Polícia Civil e equipes de assistência social da prefeitura intensificaram rondas e abordagens. A ação concentra-se em pontos de maior incidência de furtos e em áreas ocupadas por pessoas em situação de rua. Segundo o capitão Lucas Freitas, a medida busca romper o ciclo de reincidência: “Cerca de 90% dos furtadores que prendemos não têm moradia fixa. Integrar órgãos de apoio social ajuda a reduzir a vulnerabilidade e a localizar procurados”.
Ao longo da semana, a operação realizou:
- Verificação de antecedentes criminais em 187 abordagens.
- Recolhimento de materiais suspeitos de receptação, como fios e ferramentas.
- Encaminhamento de 22 pessoas para abrigos municipais.
- Cumprimento de dois mandados de prisão por furto.
Reincidência expõe gargalos do sistema penal
A 14ª detenção do suspeito reabre discussões sobre a efetividade das respostas penais. Advogados criminalistas lembram que o furto simples, sem violência, costuma resultar em penas alternativas ou curtas reclusões, o que explica o retorno rápido às ruas. Já especialistas em segurança defendem aprimorar programas de reabilitação e acompanhamento após a soltura, além de combater a receptação — etapa considerada motor da criminalidade patrimonial.
Expectativa por reforço permanente
Enquanto não chegam soluções estruturais, comerciantes aguardam o detalhamento do novo plano de segurança que a prefeitura prometeu divulgar ainda no segundo semestre. Entre as medidas aventadas estão a instalação de 120 câmeras de videomonitoramento, reativação da Guarda Municipal no calçadão central e parceria com bancos para reforço de iluminação pública.
Para quem vive do comércio, cada dia sem respostas é mais um teste de resistência. E a sequência de prisões do mesmo infrator ilustra, para eles, a urgência de ações que vão além do flagrante imediato.
