O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (29) que, caso vença a eleição presidencial de outubro, o Brasil será “irmão mais do que nunca” da Argentina a partir de 2027. A declaração foi feita em discurso na abertura da Latin America Chairmens Conference, encontro da comunidade judaica global realizado em Buenos Aires.
Ao lado do presidente argentino Javier Milei, o pré-candidato brasileiro exaltou vitórias recentes de políticos de direita na América do Sul, citando Peru e Colômbia, e mencionou uma suposta “onda azul” no continente. No mesmo pronunciamento, criticou o cenário fiscal do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atribuiu a Milei e a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, “o primeiro grande empurrão” para o avanço da direita na região.
“Quero terminar dizendo algo que falei na semana passada, na Marcha para Jesus: a partir de 2027, o Brasil voltará a ser mais irmão da Argentina mais do que nunca”, afirmou. Flávio também prometeu retornar ao país vizinho em 2027, “como presidente”, para formalizar a adesão brasileira aos Acordos de Isaac, iniciativa liderada por Milei e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Durante o evento, o senador declarou que “o socialismo é um modelo empobrecedor” e confessou sentir “um pouco de inveja” ao observar o mapa de países governados pela direita na América Latina.
Agenda internacional
A passagem por Buenos Aires é o primeiro compromisso externo de Flávio desde a crise gerada por vídeos divulgados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A campanha avalia que a aproximação com Milei ajuda a recolocar temas como segurança pública, economia e alinhamento com governos conservadores no centro do debate eleitoral.
Na capital argentina, o parlamentar reuniu-se ainda com congressistas, dirigentes partidários e empresários locais. A equipe de campanha quer repetir a estratégia adotada em maio, em Washington, quando Flávio encontrou o ex-presidente Donald Trump e membros do governo dos Estados Unidos. Dois dias após aquela visita, Washington classificou as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, decisão explorada politicamente pelo pré-candidato.
Imagem: Chris Ratcliffe
Após a estadia na Argentina, Flávio deve retornar aos Estados Unidos no início de julho para participar de audiência pública no Office of the United States Trade Representative (USTR), dentro da investigação comercial aberta contra o Brasil. Ele pretende defender que eventuais sanções atinjam o governo Lula, mas preservem exportadores e setores produtivos brasileiros.
Com a viagem a Buenos Aires, a campanha busca reforçar a imagem de Flávio como articulador internacional da direita latino-americana e norte-americana.
Com informações de O Globo
