Levantamentos do instituto Meio/Ideia realizados em 2026 indicam que a segurança pública é uma das áreas mais mal avaliadas do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A constatação reacende a discussão sobre o peso do tema na disputa pela reeleição, mas especialistas apontam que, historicamente, o debate sobre violência e crime não tem sido determinante para escolher quem ocupa o Palácio do Planalto.
Intervenção de 2018 nacionalizou o debate
O assunto ganhou projeção nacional em fevereiro de 2018, quando o então presidente Michel Temer decretou intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. Desde então, a expectativa de que o governo central apresente soluções para o cotidiano da população se fortaleceu.
Desempenho ruim nas pesquisas
Segundo os dados do Meio/Ideia, a área de segurança concentra as avaliações mais críticas ao governo Lula. Mesmo assim, o colunista Maurício Moura observa que, até agora, nenhuma eleição presidencial foi decidida prioritariamente por propostas de combate à violência.
Histórico eleitoral
O Partido dos Trabalhadores venceu pleitos anteriores ressaltando programas econômicos e sociais voltados a famílias de baixa renda. Já o PSDB triunfou duas vezes ao se apresentar como a legenda que controlaria a inflação. Em 1989 e 2018, Fernando Collor e Jair Bolsonaro, respectivamente, foram eleitos com discurso de enfrentamento à corrupção. Embora Bolsonaro tenha popularizado o slogan “bandido bom é bandido morto”, a retórica não foi apontada como fator decisivo para a vitória de 2018.
Propostas do governo e da oposição
No Palácio do Planalto, as iniciativas incluem o programa Celular Seguro, a PEC da Segurança Pública e o Brasil contra o Crime Organizado. Para parte do eleitorado, porém, a estratégia do PT continua sendo reduzir a violência por meio de políticas sociais de longo prazo, percepção que não atende à urgência de quem vive em áreas dominadas pelo crime.
Na oposição, o modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele — baseado em estado de exceção, prisões em massa e construção de um megapresídio — inspira pré-candidatos. Pesquisas, entretanto, mostram resistência da população brasileira, especialmente entre mulheres, quando se mencionam prisões sem ordem judicial, mortes sob custódia e suspensão de garantias constitucionais.
Imagem: GABRIEL DE PAIVA
Eleitor busca resultados concretos
A maior parte dos entrevistados afirma querer metas mensuráveis: redução de roubos, tiroteios e violência doméstica, além de presença estatal que respeite o devido processo legal. Analistas destacam que uma política eficaz exigiria integração entre União, estados, municípios, Legislativo e Judiciário — cenário improvável na campanha de 2026.
Sem consenso sobre um plano que combine eficácia com respeito às leis, a avaliação predominante é que, mais uma vez, a segurança pública não deverá ser o fator decisivo para escolher o próximo presidente.
Com informações de O Globo
