O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou neste domingo (5) em Washington, capital dos Estados Unidos, para uma audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O parlamentar declarou que a pauta do encontro é tentar impedir a aplicação de sobretaxas a produtos brasileiros, medida sinalizada pelo governo de Donald Trump.
Logo ao chegar, Flávio criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo gesto feito dois dias antes no Palácio do Planalto. “Enquanto o atual presidente manda o dedo do meio para o povo brasileiro, eu vim a Washington defender os brasileiros”, afirmou.
Gesto de Lula
Na sexta-feira (3), durante cerimônia no Planalto sobre ampliação do acesso de pessoas de baixa renda a tratamentos de saúde de melhor qualidade, Lula ergueu o dedo médio e disse: “Precisamos acabar com essa ideia de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles. Nós gostamos de coisa boa, queremos tudo de primeira”.
Seis viagens aos EUA em 2026
Esta é a sexta vez que Flávio visita os Estados Unidos em 2026, número superior ao de viagens realizadas a estados considerados decisivos para a eleição de outubro. Na semana passada, o senador entregou ao USTR um documento de 86 páginas no qual sustenta que a imposição de tarifas agora beneficiaria politicamente Lula. Ele sugeriu que qualquer decisão seja adiada para depois da votação.
Desde dezembro, o parlamentar tem intensificado agendas internacionais em meio a crises internas, como o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatou ter sido maltratada por ele. No mesmo período, deixou de visitar dez estados do Norte e Nordeste — regiões onde aparece mais fraco nas pesquisas — e esteve apenas uma vez em Minas Gerais e Bahia.
Imagem: Brenno Carvalho
Reação do Palácio do Planalto
A hipótese de adiar as eventuais restrições comerciais provocou reação de Lula. O petista acusou a família Bolsonaro de “traição à pátria” e de tentar submeter o Brasil aos interesses norte-americanos. Segundo o presidente, não há justificativa para adoção de tarifas antes ou depois das eleições.
Flávio, por sua vez, tem buscado afastar sua imagem da possível elevação de tarifas, tema explorado por aliados do governo para criticá-lo em meio à campanha.
Com informações de O Globo
