FEAM vistoria área do Projeto Colossus e pressão de moradores cresce em Poços de Caldas

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    Um grupo de técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) esteve em Poços de Caldas, no Sul de Minas, e passou dois dias avaliando o terreno onde a mineradora Viridis pretende abrir a maior mina de terras raras do estado. A visita ocorre enquanto moradores de bairros vizinhos, localizados a apenas 300 metros da futura cava, pressionam autoridades por garantias de segurança ambiental e de saúde pública.

    O chamado Projeto Colossus — que ainda corre a fase de licenciamento — prevê extrair 15 mil toneladas de carbonato de terras raras por ano durante quatro décadas. Para isso, segundo a empresa, será necessário movimentar 5 milhões de toneladas de argila em uma área de 373 hectares, com início das operações estimado para 2028.

    Fiscalização estadual intensifica análise

    A FEAM é o órgão do Governo de Minas responsável por conceder, negar ou impor condicionantes aos empreendimentos minerários de grande porte. Na inspeção desta semana, a equipe verificou as primeiras perfurações de sondagem, que retiram amostras do subsolo para mensurar a quantidade e a qualidade do minério disponível. Também foram examinadas as condições de acesso, a proximidade de nascentes e o raio de influência sobre o perímetro urbano.

    Representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS) acompanharam todo o trajeto. Segundo o secretário Stefano Zincone, a presença do município serve para “garantir que as especificidades locais sejam consideradas”, ainda que a decisão final sobre a licença ambiental caiba exclusivamente à FEAM.

    Etapas do licenciamento

    • Requerimento inicial – a empresa apresenta estudos geológicos e relatório de viabilidade.
    • Vistoria técnica – momento atual, em que os órgãos verificam in loco as informações entregues.
    • Relatório de impacto ambiental – documento que detalha riscos, medidas de mitigação e plano de fechamento da mina.
    • Audiência pública – fase de discussão com a comunidade, ainda sem data definida.
    • Emissão ou recusa da licença prévia – ato que indicará se o projeto pode avançar para a instalação.

    A FEAM não divulgou prazo para a conclusão do parecer técnico solicitado por Viridis e, até o fechamento desta edição, não informou se exigirá estudos complementares.

    Projeto Colossus em números

    O empreendimento terá 373 hectares, quase quatro vezes o tamanho do parque municipal da cidade. Quando estiver em regime completo:

    1. Produzirá 15 mil toneladas/ano de carbonato de terras raras.
    2. Envolverá o deslocamento de 5 milhões de toneladas de argila.
    3. Projetará 40 anos de atividade contínua.
    4. Prevê início da lavra em 2028, após a conclusão de todas as etapas de licenciamento.

    A proximidade com zonas residenciais, apontada no processo como 300 m em linha reta, tornou-se o principal foco de apreensão. Os moradores classificam a situação como “uma mina no quintal” e alegam incerteza sobre ruídos, tráfego de caminhões e possíveis partículas no ar.

    Preocupação dos moradores

    Grupos comunitários organizam reuniões desde que o projeto veio a público. Eles cobram transparência sobre riscos radiológicos, lembrando decisões judiciais recentes que obrigaram a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) a reavaliar danos potenciais em outros projetos de terras raras da região. Para o pedreiro Cláudio Ramos, que vive no bairro mais próximo do canteiro, “o barulho das sondagens já assusta; imagine quando a mina estiver rodando 24 horas”.

    A mineradora afirma em seus relatórios preliminares que o minério não apresenta níveis de radioatividade que comprometam a saúde humana. Moradores, porém, pedem a divulgação de pareceres independentes e a realização de audiências públicas antes da licença de instalação.

    Impactos socioambientais em debate

    Além da radioatividade, a comunidade questiona:

    • Alteração do lençol freático e possível redução de vazão de nascentes próximas.
    • Aumento do tráfego pesado em vias residenciais.
    • Geração de poeira fina durante escavação e transporte da argila.
    • Ruído constante das operações de britagem e bombeamento.
    • Destino final dos rejeitos e área de deposição.

    A Prefeitura reconhece que alguns desses pontos ainda carecem de detalhamento no Estudo de Impacto Ambiental, documento que será tornado público após validação preliminar pela FEAM.

    Próximos passos e pendências

    Concluída a vistoria, a FEAM analisará dados coletados em campo, comparando-os aos estudos entregues pela Viridis. Se houver divergências, pode solicitar novos ensaios, ampliar a área de monitoramento ou até impor condicionantes que tornem o projeto economicamente inviável. Caso o parecer seja favorável, o processo avança para a audiência pública e, em seguida, para a licença prévia.

    No mercado, o interesse por terras raras — insumos estratégicos para turbinas eólicas, carros elétricos e equipamentos eletrônicos — atraiu investidores estrangeiros. Um acordo já anunciado prevê que uma companhia sul-coreana compre até 30% da produção futura do Projeto Colossus, caso a mina saia do papel. Para a comunidade local, entretanto, a prioridade é outra: “Queremos clareza sobre como ficarão nossa água, nosso ar e nosso sossego”, resume a aposentada Maria Dolores, moradora há 45 anos na região.

    Enquanto o parecer técnico não é divulgado, Poços de Caldas aguarda o desfecho de um debate que coloca frente a frente demanda global por minerais críticos e o desejo de segurança socioambiental. A decisão da FEAM, prevista para os próximos meses, deve indicar se o Colossus avança ou se terá de rever etapas essenciais de seu planejamento.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.