Falso advogado é preso em Dourados após extorquir sargento da PM e ameaçá-lo com pistola

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    Um suposto advogado e contador, de 39 anos, acabou preso em flagrante em Dourados (MS) depois de arrancar R$ 5.221,50 de um 3º sargento da Polícia Militar com a promessa de liberar financiamento para a empresa da vítima. Além de não entregar o serviço, ele ainda sacou uma pistola com numeração raspada e ameaçou o militar quando foi cobrado na tarde de sábado (25).

    O desfecho levou o homem à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac). Já no domingo (26), a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva e negou o pedido de liberdade provisória da defesa. Ele responderá por estelionato, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e exercício ilegal da profissão.

    Prisão em flagrante após ameaça

    Segundo o boletim de ocorrência, o sargento conheceu o golpista há cerca de dois meses, quando este se apresentou como especialista em assessoria jurídica e intermediação de crédito. Convicto de que conseguiria captar recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o militar concordou em contratar o serviço para a sociedade empresarial que mantém com familiares.

    Para “abrir o processo”, o suspeito recebeu R$ 4.500 por Pix em 12 de junho. Semanas depois, alegando custos extras, cobrou mais R$ 400 de honorários e R$ 321,50 para uma suposta alteração na alíquota fiscal da firma, montante pago em 11 e 13 de julho. Ao todo, chegaram aos R$ 5.221,50.

    Confronto e arma com numeração raspada

    Diante da ausência de retorno, o sargento marcou encontro com o prestador no sábado (25) e exigiu cópias da inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no Conselho Regional de Contabilidade (CRC). Encurralado, o homem admitiu não ter registro em nenhum dos conselhos. A vítima então pediu ressarcimento, mas ouviu que não receberia “merda nenhuma”.

    Nesse instante, o falso profissional levou a mão à cintura, insinuando portar arma. O militar reagiu, imobilizando-o e encontrando uma pistola calibre 7,65 escondida na cintura, com a numeração de série raspada e sem documentação. A Polícia Militar foi acionada e o levou para a Depac, onde ele foi autuado pelos quatro crimes.

    Como funcionava o golpe

    Investigadores relatam que o detido montava narrativa detalhada para convencer clientes de que dominava trâmites bancários. A estratégia começava com uma vistosa pasta de documentos e termos técnicos sobre linhas de crédito oficiais, principalmente do BNDES. Depois de estabelecer confiança, ele cobrava quantias fracionadas “para agilizar protocolos”, simulava preenchimento de projetos e exibia recibos falsos.

    Um ponto que reforçava a credibilidade era a dupla identidade profissional: ele alternava carteiras de “advogado” e “contador” para justificar qualquer dúvida. Também se apresentava sempre alinhado, utilizava jargões jurídicos e entregava cartões de visita bem impressos. Segundo a Polícia Civil, esse padrão foi observado em pelo menos outras três ocorrências registradas anteriormente em Mato Grosso do Sul, onde responde inquéritos por estelionato e exercício ilegal da profissão.

    Média nacional de quatro golpes por minuto

    Dados consolidados pelo Ministério da Justiça indicam que, em 2025, o país registrou média de quatro ocorrências de estelionato por minuto — número que reforça a sofisticação de esquemas de falsos serviços. As fraudes mais relatadas envolvem promessas de crédito fácil, investimentos fictícios e clonagem de identidades. Mesmo entre servidores da segurança pública, o apelo de intermediações financeiras “sem burocracia” continua atraindo vítimas.

    Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que golpistas se aproveitam da dificuldade de micro e pequenas empresas em acessar linhas subsidiadas de financiamento. O BNDES, por exemplo, exige plano de negócio, projeções e garantias, requisitos que facilitam a atuação de intermediários falsos que oferecem “atalhos”.

    Histórico criminal pesa na decisão judicial

    Durante a audiência de custódia, a juíza responsável destacou os antecedentes por estelionato para fundamentar a prisão preventiva, avaliando risco concreto de reiteração criminosa. Contribuiu para a decisão o fato de o preso ter usado arma com identificação suprimida, conduta que agrava o porte ilegal.

    Caso seja condenado, ele poderá pegar até cinco anos de reclusão por estelionato, três por porte ilegal de arma e mais dois por exercício ilegal da profissão, além de multa. As investigações continuam para localizar outras possíveis vítimas e apurar a origem da pistola.

    Próximos passos da investigação

    • Análise do aparelho celular apreendido, onde estariam contratos digitais e recibos forjados.
    • Solicitação de imagens de câmeras de segurança dos locais onde ocorreram as cobranças.
    • Compartilhamento de informações com delegacias vizinhas para identificar eventuais ocorrências semelhantes.
    • Ofício ao BNDES para confirmar inexistência de protocolo de financiamento em nome da empresa do policial.
    • Perícia na arma para descobrir procedência e possível relação com outros crimes.

    Enquanto isso, o sargento tenta recuperar o dinheiro transferido. A polícia orienta vítimas de fraudes semelhantes a registrarem boletim de ocorrência, medida que facilita conexão de casos e eventual reparação civil.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.