Um homem de 32 anos foi preso em flagrante na noite de domingo (13) suspeito de matar a tiros o casal Lorrayne dos Reis Correia, 28, e Marcos Willian Richieri Pereira, 36, em Aripuanã, a 970 km de Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, ele teria invadido a residência das vítimas poucas horas depois de discutir com a ex-namorada durante uma festa na cidade.
O crime, registrado como feminicídio e homicídio qualificado, chocou o município de 22 mil habitantes, que amanheceu sob forte comoção. Vizinhos relataram ter ouvido disparos na madrugada, mas só no fim da tarde o casal foi encontrado sem vida por um amigo que estranhou o silêncio prolongado e acionou a Polícia Militar.
Prisão em flagrante e arma apreendida
Ao chegar ao local, investigadores identificaram sinais de arrombamento na porta dos fundos. Lorrayne e Marcos estavam caídos em cômodos diferentes, ambos com ferimentos na cabeça provocados por arma de fogo. Equipes da Polícia Civil e da Perícia Oficial (Politec) recolheram projéteis compatíveis com revólver calibre 38.
Durante as buscas, os policiais localizaram o suspeito em uma casa no bairro Jardim Guaraná, a cerca de dois quilômetros da cena do crime. Com ele foi apreendido um revólver calibre 38 contendo três munições intactas. Levado à delegacia, o homem admitiu ter discutido com Lorrayne na noite anterior, afirmando que se sentiu “humilhado pela cidade” depois que a ex-companheira recusou tentativas de reconciliação.
Como o crime foi descoberto
O boletim de ocorrência detalha que um casal de amigos acompanhou Lorrayne e Marcos à festa de sábado (12). Segundo depoimento deles, o suspeito abordou a ex-namorada por volta da 1h, elevou o tom de voz e proferiu ameaças de morte. Diante da tensão, o grupo deixou o evento e seguiu para casa.
No domingo, um dos amigos voltou à residência de Marcos para saber se estava tudo bem. Ele encontrou o carro do anfitrião estacionado e sem sinais de uso. Após chamar pelos moradores e não obter resposta, decidiu acionar a PM. O acesso forçado da equipe policial confirmou o duplo homicídio.
Linha de investigação
De acordo com o delegado Cláudio Mendes, o histórico de relacionamento conturbado entre suspeito e vítima reforça o enquadramento por feminicídio. “Existem registros de ameaças anteriores, embora Lorrayne não tenha solicitado medida protetiva”, explicou. A perícia trabalha para determinar se houve luta corporal e quantos disparos foram efetuados.
O inquérito ainda investiga a participação de possíveis cúmplices, já que vizinhos relataram ter visto um segundo homem acompanhando o suspeito horas antes do crime. A Polícia Civil aguarda laudos balísticos para confirmar se o revólver apreendido foi a arma utilizada na execução.

Imagem: Internet
Antecedentes de violência e ameaças
Amigos próximos relatam que o namoro entre Lorrayne e o investigado terminou há cerca de seis meses, mas episódios de perseguição persistiram. Ela chegou a comentar em redes sociais que estava “cansada de ser seguida”, mas não formalizou denúncia. A família acredita que Marcos, atual companheiro, tenha se tornado alvo por estar ao lado dela no momento da invasão.
A Comissão da Mulher Advogada da OAB-MT informou que acompanha o caso e deve prestar assistência jurídica à família. Para a promotora Rosana Goulart, especialista em violência doméstica, “o feminicídio raramente é ato isolado; ele resulta de ciclos de ameaça e controle que poderiam ser interrompidos com intervenção precoce”.
Família tenta traslado do corpo para Rondônia
Natural de Ariquemes (RO), Lorrayne morava em Mato Grosso havia pouco mais de um ano. Seus parentes lançaram campanha nas redes sociais para arrecadar recursos destinados ao transporte do corpo, estimado em R$ 8 mil. Já os familiares de Marcos, que era eletricista e nasceu em Aripuanã, organizam velório na própria cidade.
O município decretou luto oficial de 24 horas e, no início da noite de segunda-feira (14), dezenas de moradores realizaram uma vigília silenciosa em frente à delegacia, pedindo celeridade no processo judicial. A Vara Criminal de Aripuanã deve deliberar nas próximas horas sobre a conversão do flagrante em prisão preventiva.
Canais de denúncia e prevenção
Autoridades reforçam que qualquer pessoa pode denunciar casos de ameaça ou agressão pelo telefone 180, disponível 24 horas e gratuito, inclusive no exterior. O serviço orienta vítimas, encaminha para rede de proteção e aceita denúncias anônimas. Violações de direitos humanos também podem ser registradas pelo Disque 100, pelo WhatsApp (61) 99656-5008 ou pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil.
A Lei Maria da Penha garante medidas protetivas de urgência sempre que houver risco iminente. Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher estão presentes em todas as regiões do país e podem ser acionadas mesmo sem acompanhamento de advogado. Em caso de emergência, a orientação é ligar imediatamente para o 190.