Europa Filmes solicita registro de “Dark Horse” na Ancine e dá primeiro passo para estreia nos cinemas

    0

    A distribuidora Europa Filmes protocolou em 22 de junho, na Agência Nacional do Cinema (Ancine), o pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) do longa‐metragem “Dark Horse”, cinebiografia que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida é a etapa inicial para viabilizar o lançamento comercial do filme no Brasil, marcado por controvérsias de financiamento e a poucos meses da eleição presidencial.

    Trâmites e possíveis entraves

    Após a solicitação do ROE, a distribuidora precisa obter o Certificado de Registro de Título da própria Ancine e, depois, a classificação indicativa do Ministério da Justiça. Normalmente, a agência leva cerca de 30 dias para analisar cada pedido, mas, segundo a Ancine, o prazo pode se estender porque ainda faltam esclarecimentos sobre filmagens realizadas em território nacional sem comunicação prévia ao órgão — exigência prevista em instrução normativa de 2008. A ausência dessas informações pode, no limite, inviabilizar a estreia.

    Antes da Europa Filmes, a Paris Filmes recusou distribuir o projeto. Mesmo com o registro aprovado, o lançamento depende da adesão das redes exibidoras, que demonstram cautela por temerem baixa procura e conflitos políticos nas salas de cinema.

    Elenco internacional e estratégia comercial

    O elenco é majoritariamente estrangeiro. Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro, enquanto Camille Guaty vive Michelle Bolsonaro. Completam o núcleo principal Marcus Ornellas (Flávio Bolsonaro), Sergio Barreto (Carlos Bolsonaro) e Edward Finlay (Eduardo Bolsonaro). Os diálogos foram gravados em inglês para ampliar a circulação internacional. Um trailer divulgado no mês passado apresenta o filme como thriller político ambientado nas eleições de 2018, focando principalmente no atentado a faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) e sua recuperação.

    Produtora sem histórico de lançamentos

    A obra é assinada pela Go Up Entertainment, da jornalista Karina Ferreira da Gama, que nunca lançou um filme. Karina chegou ao projeto por meio do deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista do longa. Ela também comanda o Instituto Conhecer Brasil, registrado na Ancine desde 2020, sem títulos lançados e alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal por receber R$ 2 milhões em emendas parlamentares do próprio Frias para produção audiovisual.

    Em fevereiro e março, a Superintendência de Fiscalização da Ancine notificou a Go Up a comprovar a comunicação da produção estrangeira, detalhando contratos, plano de filmagem e passaportes de profissionais internacionais. Nada foi entregue até o momento, o que pode retardar a análise atual.

    Controvérsias sobre financiamento

    Reportagens do Intercept Brasil revelaram mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme. Flávio confirmou ter captado R$ 61 milhões por meio de empresa ligada a Vorcaro e repassados a um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, sem explicar a intermediação.

    Ações judiciais anteriores

    Em maio, o grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar a estreia até o fim das eleições, alegando possível propaganda irregular e abuso de poder econômico. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, arquivou o pedido por falta de legitimidade dos autores.

    Com o processo administrativo agora nas mãos da Ancine, o futuro de “Dark Horse” depende da regularização documental, do aval da agência e do interesse das salas de exibição.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.