Disputa presidencial vai às gôndolas: Lula promete alívio no bolso, Flávio explora insatisfação com preços

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    Duas semanas antes da votação do primeiro turno, a corrida ao Planalto trocou o palanque tradicional pelas filas do caixa. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta convencer o eleitor a esperar até 2027 para sentir os efeitos de isenções fiscais e reformas. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL) percorre corredores de supermercados para mostrar que o dinheiro já não chega ao fim do mês.

    O pano de fundo é a pesquisa Atlas/Intel divulgada na quarta-feira (23). O levantamento confirma que a percepção de aperto financeiro, sobretudo sobre o preço dos alimentos, tornou-se o ponto mais sensível da disputa: 44,2% dos entrevistados apontam a alta na feira como principal motivo de frustração.

    Preços altos reposicionam a campanha

    Historicamente dominada por acusações de corrupção, a reta final de 2026 virou debate sobre carrinho de compras. A crise recente no Banco Master, que ameaçava concentrar atenções, acabou restrita a citações breves nos programas eleitorais; apenas 43,8% veem ligação direta do escândalo com aliados de Flávio, número praticamente idêntico ao índice associado a Lula (43,4%). Com a corrupção neutralizada, a inflação de alimentos ganhou protagonismo.

    Alimentos lideram queixas

    Entre os motivos do aperto relatados à Atlas/Intel, o preço da comida supera outros fatores como aumento das contas básicas (32,1%) e dívidas acumuladas (25%). O resultado é um quadro em que 34% dos brasileiros dizem ter faltado dinheiro nos últimos 12 meses, mesmo que o índice tenha recuado em relação aos 40,2% registrados em abril.

    Pesquisa Atlas/Intel põe economia no topo

    O instituto ouviu eleitores em todo o país e cruzou percepção econômica com impacto político. O estudo mostra que temas institucionais ainda reverberam, mas com intensidade desigual: a crise no Supremo Tribunal Federal atinge de forma mais aguda o presidente (52,3% a consideram prejudicial para Lula, contra 20,8% para Flávio). Nos quartéis-generais dos dois candidatos, porém, a ordem é concentrar fogo no custo de vida.

    Corrupção perde força; STF pesa contra Lula

    A paridade nas menções a corrupção reduziu o poder de desgaste mútuo. Já a tensão com o Judiciário ofereceu munição ao PL, que associa decisões do STF a incertezas econômicas. O PT reage procurando ligar o adversário à instabilidade política que marcou o governo Bolsonaro.

    O que cada campanha promete

    Ferramentas de Lula

    • Isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil a partir de 2027.
    • Zero de tributos federais na cesta básica dentro da reforma tributária.
    • Projeto para extinguir a escala 6 × 1 no comércio, em tramitação no Senado, apresentado como forma de criar vagas e melhorar renda.
    • Combate ao endividamento via renegociação pelo Desenrola Família, reforçado por peças de TV que exibem depoimentos de consumidores.

    Na propaganda, Lula admite que a “feira decente” ficou cara, mas pede paciência: “o alívio virá na passagem de ano fiscal”. O discurso inclui crítica direta ao governo Bolsonaro, acusado de “zerar imposto de jet ski e jatinho” enquanto arroz e feijão dispararam e o país voltou ao mapa da fome.

    Aposta de Flávio

    • Renegociar dívidas em massa e implantar teto para juros no cartão.
    • Cortar impostos sobre combustíveis e energia, prometendo impacto imediato.
    • Rever reajustes em estatais e “estancar o rombo” das empresas públicas.
    • Pacote de estímulo para pequenos negócios com desoneração de folha.

    No horário eleitoral, o senador mostra prateleiras com preços comparativos e diz que o “poder de compra foi implodido pelo PT”. O tom é de urgência: “não dá para esperar mais dois anos”, resume o narrador.

    Bets viram novo flanco

    Sem grande destaque na agenda de Flávio, as plataformas de apostas online ocupam lugar central na narrativa petista. Dados citados pelo Planalto indicam que os jogos drenaram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares em 2025, conforme o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros.

    Quanto o jogo custa às famílias

    Seis em cada dez entrevistados pela Atlas/Intel avaliam que as bets “só trazem prejuízo”. Para 36%, o governo Lula seria responsável pela popularização dos sites; 25,4% atribuem o fenômeno à gestão Bolsonaro. A equipe de comunicação do PT explora o dado ao exibir relatos de pessoas endividadas por jogos, enquanto o presidente surge como mediador, prometendo apoio psicológico via SUS e legislação para limitar publicidade e horários de acesso.

    Termômetro do bolso e desafio até outubro

    Enquanto 36% dos brasileiros relatam ter conseguido poupar nos últimos 12 meses (ante 31,5% em abril), o clima geral ainda é de incerteza. Analistas consultados por ambas as campanhas calculam que, se o sentimento de melhora se consolidar até a próxima pesquisa, o Planalto afasta risco de segundo turno apertado. Caso contrário, Flávio pretende explorar cada centavo que falta no carrinho para tentar virar o jogo na reta final.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.