MPF acusa dono da Voepass e ex-dirigentes por tragédia aérea com 62 mortos em Vinhedo

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    O Ministério Público Federal apresentou à 9ª Vara Federal de Campinas denúncia criminal contra José Luiz Felício Filho, proprietário da companhia aérea Voepass, e mais 11 ex-funcionários. Eles são acusados de atentado contra a segurança do transporte aéreo pela queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024.

    Segundo a procuradora da República Viviane de Oliveira Martinez, o grupo teria adotado práticas que violaram normas técnicas, contribuindo para o desastre. Caso a ação penal seja aceita, todos responderão por crime cuja pena mínima ultrapassa quatro anos de prisão, o que afasta a possibilidade de acordo de não persecução penal nesta fase.

    Quem são os 12 denunciados

    Além de Felício Filho, a lista inclui ex-membros da diretoria, da manutenção, da engenharia e do centro de controle operacional da empresa. São eles:

    • Marcos Hiroyuki Sato – despachante operacional responsável pelo voo;
    • Alex de Souza Leandro – mecânico de manutenção;
    • William Schmidt Agatz – gerente do Centro de Controle Operacional;
    • Juliano Flores Pacheco – gerente do Centro de Controle de Manutenção;
    • Raphael Limongi de Figueiredo – chefe do Centro de Controle Operacional;
    • Marcel Sarquis Moura – então diretor de Operações;
    • Tiago Passucci Morani – gerente de Engenharia e inspetor-chefe;
    • Carlos Alberto Costa – diretor de Manutenção;
    • Eric Consoli – diretor técnico;
    • Rafael Gimenez Rodrigues – piloto-chefe;
    • David da Costa Faria Neto – diretor de Segurança Operacional.

    Quatro investigados ficaram fora da peça acusatória

    Na fase anterior, a Polícia Federal havia indiciado 16 pessoas. O MPF, porém, entendeu que não havia elementos suficientes contra quatro delas e optou por não incluí-las na denúncia entregue ao Judiciário.

    Acidente transformado em caso criminal

    O voo 2283 deixou o Aeroporto de Ribeirão Preto com destino a São Paulo na manhã de 21 de agosto de 2024. Poucos minutos depois, a aeronave turboélice sofreu pane dupla em dois sistemas essenciais e caiu em área rural de Vinhedo, matando todos os 58 passageiros e quatro tripulantes.

    Laudos anexados à investigação apontam que falhas de manutenção e procedimentos operacionais fora dos padrões contribuíram para a sequência de eventos que resultou na perda de controle do avião. Para o MPF, esses problemas eram conhecidos dos denunciados, que teriam, mesmo assim, autorizado a decolagem.

    Empresa “pequena, comandada por um homem só”

    No texto enviado à Justiça, a Procuradoria descreve a Voepass como uma companhia com cerca de mil colaboradores, mas centralizada na figura de Felício Filho, que teria herdado o negócio do pai. De acordo com o MPF, decisões estratégicas e operacionais passavam diretamente por ele, o que o tornaria corresponsável pelas irregularidades apontadas.

    Lado da companhia e da defesa

    Em nota, a Voepass afirmou que seguirá colaborando com o Poder Judiciário e fornecendo toda a documentação solicitada. A empresa disse manter, há mais de três décadas, a segurança como princípio fundamental e sustentou que seus procedimentos obedecem às normas da aviação civil.

    A defesa de José Luiz Felício Filho afirmou que o empresário não participava da gestão diária da operação no momento do acidente — ele integrava apenas o conselho de administração — e que retomou o comando executivo depois da tragédia para auxiliar nas investigações. Os advogados garantem que ele continuará à disposição das autoridades e que confia no pleno esclarecimento dos fatos.

    Próximos passos no processo

    O juiz federal avaliará a peça acusatória e decidirá se aceita ou não a denúncia. Caso aceite, os 12 denunciados se tornarão réus e serão citados para apresentar resposta escrita. Na sequência, o magistrado definirá se haverá audiência de instrução, produção de provas e eventual julgamento.

    Se condenados, os acusados podem pegar pena de reclusão e ainda ficar sujeitos a sanções administrativas da Agência Nacional de Aviação Civil, além de ações cíveis movidas por familiares das vítimas.

    Impacto para a aviação regional

    A Voepass, sediada em Ribeirão Preto, opera rotas regionais em todo o país. Após o acidente, a ANAC manteve o certificado de operador aéreo da companhia, mas intensificou fiscalizações em manutenção, treinamento de tripulantes e controle operacional. O indiciamento de toda a cadeia de comando reacende o debate sobre a gestão de segurança em empresas de menor porte que atendem aeroportos fora dos grandes centros.

    Memória das vítimas

    Familiares organizam, para agosto de 2025, ato inter-religioso no local da queda em Vinhedo. Eles pedem celeridade no processo criminal e indenizações proporcionais às perdas sofridas. Para as famílias, a transformação do inquérito em ação penal representa “passo importante” no reconhecimento de responsabilidades.

    Perguntas que o inquérito ainda precisa responder

    Embora a denúncia destaque falhas de manutenção e decisão operacional, peritos independentes apontam dúvidas que podem surgir na fase de instrução judicial:

    1. Se houve pressão comercial para manter a aeronave em serviço apesar de alertas de manutenção;
    2. Por que sistemas redundantes não impediram a perda de potência simultânea nos motores;
    3. Qual o grau de treinamento da tripulação para situações de emergência específica daquele modelo de turboélice;
    4. Se existiam relatórios internos de risco que não foram levados adiante pela diretoria.

    As respostas, afirmam especialistas, devem definir não apenas o futuro dos denunciados, mas também influenciar eventuais mudanças regulatórias para o setor.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.