O afastamento provocado pelos áudios vazados em maio foi passageiro: eleitores de direita e de centro que rejeitam o PT já voltaram a declarar voto em Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é do comentarista político Alexandre Borges, que comparou o episódio a um “castigo no sofá” seguido de reconciliação conjugal durante o programa Pulso Político, no Canal UOL.
Para o analista, as gravações com o ex-assessor Vorcaro provocaram uma perda temporária de até dez pontos percentuais nas pesquisas, mas não chegaram a romper o vínculo entre o candidato e o eleitorado antipetista. Passados pouco mais de dois meses, Borges diz que a base conservadora “olhou ao redor”, testou outras possibilidades e concluiu que Flávio segue sendo a opção mais competitiva contra Lula.
Análise aponta reaproximação após desgaste
Áudios vazados e queda nas pesquisas
Os arquivos de voz vieram a público em maio e colocaram Flávio na defensiva. Naquele momento, institutos de pesquisa detectaram recuo de 5 a 10 pontos na intenção de voto do senador. Segundo Borges, foi o suficiente para alimentar dúvidas sobre a continuidade da candidatura e abrir espaço para conversas sobre uma alternativa no mesmo campo ideológico.
O cenário foi comparado pelo comentarista a um desentendimento conjugal: “O eleitor botou o Flávio para dormir no sofá. Não foi divórcio”, resumiu. Ele argumenta que o distanciamento durou cerca de dois meses, período em que o público conservador avaliou outras possibilidades na chamada “direita ampliada”.
Opções alternativas não convenceram
Nesse intervalo, nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e, mais recentemente, o escritor Augusto Cury (Avante) circularam nas conversas de bastidor. Borges sustenta que cada um desses pré-candidatos apresentava limitações – de alcance nacional, de estrutura partidária ou de viabilidade eleitoral – que impediram um salto consistente nas pesquisas.
Para o analista, o cálculo do eleitorado foi pragmático: “Quem rejeita Lula quer apostar no cavalo vencedor, no ‘dark horse’ capaz de derrotar o PT”. Mesmo depois do tropeço, os números indicariam que Flávio Bolsonaro permanece, “de longe”, como a figura mais competitiva no espaço da centro-direita.
Terceira via perde espaço na reta final
Polarização consolidada
Faltando 20 dias para o primeiro turno, Borges avalia que é “muito difícil sequer falar em terceira via”. A disputa, diz ele, se cristalizou entre Flávio e Lula, deixando pouco oxigênio para candidaturas intermediárias. Nesse ambiente, o retorno do eleitor conservador ao campo bolsonarista reforça a tendência de segundo turno polarizado.

Imagem: Internet
O comentarista observa que, a menos que “uma bomba ou um tsunami político” mude o noticiário, o antipetista médio já decidiu qual cédula depositará na urna. O argumento reforça a percepção de que a janela para grandes viradas eleitorais se fechou com a aproximação do período vedado a novas candidaturas e a divulgação das últimas pesquisas.
O desafio da campanha de Lula
Se, de um lado, a coalizão bolsonarista recompôs fileiras, de outro, a campanha petista precisa encontrar uma narrativa capaz de atrair eleitores indecisos ou refratários. Borges sugere que o maior obstáculo para Lula é apresentar “algo que esse eleitor ainda não ouviu” em menos de três semanas. Sem fato novo, a rejeição histórica a Lula e ao PT permanece como muro difícil de transpor entre conservadores, liberais e parte do centro político.
Na percepção do analista, o curto prazo favorece quem já detém fidelidade superior a 30% do eleitorado. Enquanto a militância bolsonarista se mostra impermeável aos escândalos, o contingente “não bolsonarista, mas firmemente antipetista” reaproximou-se do senador ao constatar a dificuldade de fabricar uma alternativa viável.
Repercussão no Pulso Político
O diagnóstico foi apresentado no quadro diário Pulso Político, transmitido ao vivo de segunda a sexta-feira, das 12h30 às 14h30. O programa é apresentado por Daniela Lima e pode ser acompanhado na home do UOL, no YouTube, no Facebook e em operadoras de TV por assinatura que carregam o Canal UOL.
A discussão reforça a leitura de que a eleição de 2026 tende a reproduzir o embate de 2022, agora protagonizado por Flávio em lugar do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda segundo Borges, a reconstituição do eleitorado de direita acelera o fim do “balanço de expectativas” que deu sobrevida à terceira via nas fases iniciais da campanha.
{internal_links}