Uma fila compacta de hits, coreografias e gritos afinados marcou a volta de Demi Lovato ao Palco Mundo na noite deste sábado (12), no segundo fim de semana do Rock in Rio 2026. Aos 31 anos, a norte-americana atrasou apenas seis minutos e, em pouco mais de uma hora, transformou o gramado lotado da Cidade do Rock num grande coro pop, finalizado com a participação surpresa de Pabllo Vittar em “Cool for the Summer”.
Foi a terceira vez de Demi no festival — e, segundo ela própria, a 28ª passagem pelo Brasil. Entre uma troca de olhares com a plateia e agradecimentos em português, a artista demonstrou segurança vocal e disposição para dançar, mesmo sem banda ao vivo, amparada por base eletrônica e corpo de balé. O resultado foi um espetáculo que repôs o clima de festa após o repertório mais rock do álbum “Holy Fvck”, exibido na edição anterior.
Setlist pensado para cantar junto
A turnê “It’s Not That Deep”, que inclui duas datas em São Paulo nos dias 15 e 16 de setembro, já vinha recebendo ajustes para privilegiar faixas mais radiofônicas. No festival, a estratégia funcionou. “Heart Attack” abriu a sequência com potência nos agudos e logo emendou “Confident”, elevando o coro do público que lotava cada centímetro do espaço central do parque. Ali já estava claro que o reencontro seria uma celebração nostálgica, mas sem economizar em energia.
Do pop rock ao dance-pop
Na edição de 2022, Demi investiu em guitarras pesadas e na estética punk de “Holy Fvck”. Desta vez, trocou o couro rasgado por um macacão preto com babados e voltou às batidas eletrônicas que a consagraram no início da década passada. A própria cantora descreveu a fase atual como “mais leve e divertida” — uma intenção que se refletiu no repertório concentrado em sucessos radiofônicos.
Momentos de interação e plateia em transe
Entre “Tell Me You Love Me” e “Stone Cold”, a artista conversou com os fãs, arriscou um “obrigada” em português e ouviu em resposta o clássico “Demi, eu te amo”. Houve ainda espaço para um número mais sensual: em “Low Rise Jeans”, Demi dançou sobre um colchão no centro do palco, cenário mínimo que, mesmo assim, atraiu celulares erguidos à procura do melhor registro.
Voz em primeiro plano
A ausência de músicos não comprometeu a performance. Ao contrário, realçou a voz — marca registrada desde os tempos de Disney Channel. As notas longas de “Skyscraper” e a força de “Sorry Not Sorry” provocaram aplausos contínuos e leques abanados no ritmo da batida, confirmando por que a cantora ainda sustenta o status de diva pop uma década depois do auge comercial.
Participação de peso: Pabllo Vittar
Quando as primeiras batidas de “Cool for the Summer” soaram, parte do público já desconfiava de uma surpresa. Bastou Pabllo Vittar surgir de botas prateadas para transformar o gramado em pista de dança coletiva. As duas dividiram versos, improvisaram passos sincronizados e trocaram abraços que levaram a plateia ao delírio. A chegada de Pabllo coroou uma relação de admiração mútua que se estende há anos nas redes sociais.
Relevância simbólica
Além de potencial midiático, a parceria carregou significado: uma estrela pop internacional abraçando abertamente o trabalho de uma drag queen brasileira no maior festival do país. O gesto reforça a imagem inclusiva que Demi tem cultivado e deu ao encerramento um ar de celebração comunitária, aplaudido tanto pelos fãs quanto pelos curiosos que se aglomeravam pelas laterais.

Imagem: Internet
Logística e cenário do show
Sem grandes estruturas cênicas, a apresentação apostou em jogo de luzes coloridas e painéis de LED que exibiam animações abstratas. O balé de cinco dançarinos, coreografado para ocupar todo o tablado, compensou qualquer ausência de elementos físicos. Tudo era calculado para manter o foco na cantora e garantir fluidez — chave para quem precisava entregar uma maratona de sucessos sem intervalos longos.
Segurança e lotação
A organização do Rock in Rio informou que os acessos ao espaço em frente ao Palco Mundo foram fechados dez minutos antes do início, devido à lotação máxima. Ainda assim, a circulação nas laterais ficou difícil, e ambulantes tiveram dificuldade para atravessar a multidão. Não houve registros de ocorrências graves, segundo a equipe médica do festival.
Ponte com os próximos shows
O entusiasmo visto no Rio serve de termômetro para as apresentações em São Paulo, marcadas para o Allianz Parque. Os ingressos de sábado já estão esgotados, e restam poucas unidades para domingo. A nova etapa brasileira encerra a fase sul-americana da “It’s Not That Deep Tour”. Depois, Demi ruma aos Estados Unidos para uma série de arenas até dezembro.
Carreira consolidada no país
Desde 2010, quando desembarcou pela primeira vez para divulgar “Here We Go Again”, Demi mantém relação estreita com o público brasileiro. Ao longo desses 16 anos, lançou oito álbuns de estúdio, enfrentou problemas pessoais expostos na mídia e, ainda assim, preservou um fã-clube fiel que acompanha cada movimento. A recepção calorosa no Rock in Rio confirma essa longevidade.
Fechando a noite em alta
Quando o último refrão de “Cool for the Summer” ecoou, chuva de papel picado prateado cobriu o público, e Demi agradeceu novamente: “Eu senti muita saudade de vocês. Até a próxima!”. As luzes se apagaram, mas a multidão permaneceu ainda alguns minutos entoando trechos dos maiores sucessos, como se prolongasse o encontro. Foi assim que Demi Lovato se despediu de sua terceira edição do Rock in Rio, deixando a sensação de que, para a artista e para os fãs, a festa mal começou.
