DeLorean de “De Volta para o Futuro” vira estrela da Expoclassic 2026 em Novo Hamburgo

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    A Expoclassic 2026 abriu as portas em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e logo na entrada um veículo prateado rouba a cena: trata-se de uma réplica do DeLorean equipado com o “flux capacitor” que marcou a trilogia “De Volta para o Futuro”. O carro, trazido ao Rio Grande do Sul por meio de parceria com um museu paulista, não é apenas um dos poucos exemplares do modelo no Brasil; ele exibe também o kit de acessórios idêntico ao usado no cinema, importado especialmente dos Estados Unidos.

    A presença do ícone da cultura pop funciona como chamariz para uma exposição que reúne mais de 1,1 mil veículos históricos distribuídos em dois andares da Fenac, centro de eventos que recebe a feira até domingo (23). Além de admirar raridades, o visitante pode negociar a compra de alguns clássicos, já que mais de 300 unidades estão disponíveis para venda direta.

    Réplica única chama atenção pelo detalhamento

    Embora existam outros DeLoreans em território nacional, o modelo estacionado em Novo Hamburgo se diferencia pelo conjunto de componentes cenográficos que recriam o carro-máquina do tempo pilotado por Marty McFly e Doc Brown nos filmes. Entre as peças, destacam-se cabos externos, luzes de neon internas, painel adicional com data-hora programável e a famosa turbina traseira. O vice-presidente do Veteran Car Club local, Evandro Scholles, explica que o pacote é produzido em oficinas especializadas nos Estados Unidos, instalado com autorização do proprietário e mantido de acordo com especificações originais do roteiro hollywoodiano.

    O resultado impressiona quem percorre o pavilhão. Na sexta-feira de abertura, filas se formaram para fotografar a réplica; alguns fãs trouxeram até coletes laranja e tênis que remetem ao protagonista da franquia. “A gente até esquece que o carro não vai arrancar a 140 km/h e sumir num clarão”, brincou um dos visitantes que esperava a sua vez para subir no assento do carona.

    Assim chegou o DeLorean ao Brasil

    Produzido em aço inoxidável entre 1981 e 1982, o DMC-12 não teve venda oficial no país à época, devido às restrições de importação. A unidade presente na Expoclassic chegou anos depois, adquirida por um colecionador paulista que a mantém licenciada e em condição de circulação plena. Segundo a organização do evento, o carro percorrerá cerca de 1 000 quilômetros em carreta fechada até voltar ao seu museu de origem após o encerramento da mostra.

    Outros destaques espalhados pela feira

    Quem conseguir desgrudar os olhos do DeLorean encontrará dezenas de atrações temáticas. A edição 2026 presta homenagem aos 70 anos da DKW, aos 50 anos da Honda CG e da Fiat, além dos 80 anos de Vespa e Lambretta. Uma ala especial exibe motocicletas emblemáticas que vão desde modelos militares da Segunda Guerra Mundial até scooters italianos que simbolizaram a mobilidade urbana do pós-guerra.

    Entre os utilitários, um trailer americano de 1972, totalmente restaurado, desperta curiosidade pela ambientação interna preservada com móveis de fórmica e eletrodomésticos originais. Já no setor de automóveis de luxo, uma coleção de Cadillacs atrai olhares: o destaque é um exemplar rosa cujo visual remete ao veículo usado por Elvis Presley na década de 1950. As carrocerias longas, repletas de cromados e rabos-de-peixe, oferecem contraste interessante com esportivos europeus compactos posicionados logo ao lado.

    Negócios em tempo real

    A Expoclassic não se limita à contemplação. Dos 1,1 mil veículos expostos, cerca de 300 estão à venda. Os preços variam de R$ 20 mil, em carros populares dos anos 1980 ainda por restaurar, a cifras acima de R$ 1 milhão, caso de um Mercedes-Benz 300 SL Roadster dos anos 1960 em estado de concurso. Espaços de leilão rápido acontecem quatro vezes por dia; neles, proprietários sobem ao palco e recebem lances imediatos de colecionadores que chegam de vários estados.

    Peças de reposição e memorabilia também movimentam corredores paralelos. Capas de manual, logotipos originais e miniaturas disputadas por fãs contribuem para que a feira se consolide como um dos maiores mercados do antigomobilismo brasileiro. A expectativa da organização é superar os 30 mil visitantes até o último dia.

    Como visitar

    O evento ocorre até domingo (23), das 9h às 18h, com ingressos a R$ 30 vendidos na bilheteria do local. Crianças de até 10 anos não pagam, e idosas e idosos têm meia-entrada. A Fenac fica ao lado da estação Novo Hamburgo da Trensurb, o que facilita o acesso para quem vem de Porto Alegre sem enfrentar o tráfego da BR-116.

    Para quem prefere ir de carro, o estacionamento custa R$ 20 a diária. Há pontos de alimentação dentro dos pavilhões e no entorno externo, que incluem food trucks temáticos, como uma kombi adaptada que serve hambúrgueres nomeados em homenagem a carros clássicos.

    Programação paralela

    • Encontro de clubes de fuscas – sábado, às 14h;
    • Rally de regularidade – domingo, largada às 10h;
    • Oficinas sobre restauração de pintura – todos os dias, às 11h e às 16h;
    • Shows de rockabilly – sexta e sábado, a partir das 19h.

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    Antigomobilismo em alta no Rio Grande do Sul

    As exposições de carros antigos ganharam força no estado na última década, impulsionadas pela ação conjunta de clubes de colecionadores e entidades empresariais. Conforme dados da Federação Brasileira de Veículos Antigos, o Rio Grande do Sul já soma mais de 45 mil automóveis com certificação de originalidade, número que cresce cerca de 8 % ao ano. A Expoclassic, realizada desde 2001, tornou-se vitrine desse movimento, atraindo inclusive turistas estrangeiros que aproveitam a temporada de inverno para viajar pela Serra Gaúcha e esticar o passeio até o Vale do Sinos.

    Para a organização, o sucesso mediático do DeLorean ajuda a conectar diferentes públicos. Pais que viram o filme no cinema nos anos 1980 levam os filhos, que hoje conhecem a franquia pelo streaming, num encontro geracional que beneficia expositores e o comércio local. Hotéis da região registram ocupação próxima a 90 % durante o fim de semana da feira, estimulando também bares e restaurantes de Novo Hamburgo.

    Legado cultural do carro-máquina do tempo

    O fascínio mundial pelo DMC-12 foi consolidado quando o diretor Robert Zemeckis transformou o carro em protagonista da ficção científica de 1985. Na história original, o inventor Emmett Brown escolhe a carroceria inoxidável por sua capacidade de “disfarçar” a máquina do tempo. Embora as filmagens tenham empregado vários veículos, apenas três sobreviveram e estão em museus nos Estados Unidos. A réplica brasileira, portanto, supre a ausência de um exemplar oficial na América do Sul.

    “Quando a porta abre para cima e o painel acende em verde e vermelho, a reação é sempre de espanto”, relata um dos responsáveis pelo transporte do DeLorean até a Expoclassic. O magnetismo visual se explica: linhas retas, ausência de pintura, faróis escamoteáveis e portas asa-de-gaivota, conjunto que ainda hoje parece projetado para o futuro. Quase quatro décadas depois do filme, a silhueta continua moderna — algo que nenhum outro clássico dos anos 1980 consegue repetir com tanta fidelidade.

    A feira confirma, assim, que o passado automotivo permanece relevante quando consegue dialogar com a cultura pop. Seja por nostalgia, investimento financeiro ou simples curiosidade, milhares de pessoas percorrem os corredores em busca de emoção. E poucas máquinas materializam esse sentimento tão bem quanto o DeLorean que chegou para, metaforicamente, levar o público “de volta ao futuro”.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.