Choques em bloco marcam debate ao Senado por SP: Salles x Prado e a aliança com Derrite contra Tebet e Marina

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    O debate promovido por UOL e Folha de S.Paulo entre os postulantes ao Senado por São Paulo expôs uma disputa dupla: de um lado, Ricardo Salles (Novo) e André do Prado (PL) brigam pelos eleitores conservadores; de outro, Salles se juntou a Guilherme Derrite (PP) para alvejar Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), que responderam em bloco. A temperatura subiu logo nos minutos iniciais, com trocas de acusações sobre corrupção, conivência com facções e machismo.

    A sessão matinal foi permeada por tentativas de colar rótulos entre adversários: Prado classificou Salles como “temeroso” diante do ministro Alexandre de Moraes; Salles retrucou chamando o PL de “rabo preso” com Valdemar Costa Neto; Derrite lembrou a passagem de Tebet por governos petistas; e Marina denunciou “homens tóxicos” por questionarem o conhecimento jurídico de mulheres. Mesmo sem grandes revelações programáticas, o embate expôs alianças pragmáticas às vésperas da reta final de campanha.

    Direita dividida: Salles e Prado trocam farpas em série

    O confronto entre Ricardo Salles e André do Prado dominou o primeiro bloco. Provocado por Prado a explicar por que não assinou pedido de CPI contra Alexandre de Moraes, Salles rebateu lembrando que responde no Supremo a processo por favorecer extração ilegal de madeira na Amazônia. Segundo ele, o Ministério Público pediu arquivamento e a ação seria “uma farsa criada pelo radicalismo de esquerda” contra atividades agropecuárias regulares.

    CPI de Moraes e alianças com o Centrão

    Prado insistiu que Salles evita comprar briga com Moraes por medo de condenação. “Quem decide sua vida é o ministro que o senhor poupa”, disparou. O ex-ministro do Meio Ambiente então acusou integrantes do PL de negociar cargos com Davi Alcolumbre e Hugo Motta em troca de apoio a anistia de réus dos atos golpistas: “Vocês se ajoelham para quem garante conveniências políticas”.

    Acossado, Prado negou ter relação pessoal com Milton Leite, ex-presidente da Câmara paulistana preso por suposto elo com o PCC, e afirmou que seu contato foi “estritamente institucional”. O bate-boca evidenciou a fratura no eleitorado bolsonarista de São Paulo, dividido entre o apelo ideológico de Salles e as bases partidárias do PL.

    Segurança pública vira ringue entre Tebet e Derrite

    Quando o tema segurança entrou em pauta, Simone Tebet acusou Guilherme Derrite de ter sido expulso da Rota por “excesso de violência”. O candidato do PP pediu direito de resposta, negado pela mediação. Tebet também criticou o chamado “PL das Facções”, relatado por Derrite na Câmara, dizendo que o projeto “puniu o andar de baixo e blindou chefes do crime”.

    A senadora ainda atribuiu à gestão Derrite na Secretaria de Segurança paulista o “sucateamento da Polícia Civil” e falta de apoio psicológico aos agentes. O ex-secretário reagiu alegando que Tebet “esconde Lula e Haddad” para seduzir o eleitorado paulista: “Seu grupo trata bandido como vítima”. Para ele, a “marca registrada” da adversária seria a incoerência.

    Caso Master ecoa no estúdio e vira munição cruzada

    O escândalo de fraudes no Banco Master entrou em cena quando Tebet vinculou o esquema ao PP de Derrite, destacando a amizade entre o presidente da sigla, senador Ciro Nogueira, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Cartões Black sem limite vão cobrar explicações”, disse a emedebista. Derrite tentou se descolar: “Ele que se explique”.

    Ricardo Salles, por sua vez, atribuiu o episódio a uma “dobradinha” entre PT e Centrão, sugerindo que ambos lucram politicamente com o caso. A fala alinhou Salles e Derrite num mesmo flanco contra Tebet e Marina, aprofundando a divisão entre blocos dentro do palco.

    Ambientalismo sob fogo cruzado

    Derrite requentou estatísticas dos anos 2000 para perguntar a Salles se Marina Silva não bateu recorde de desmatamento quando chefiou o Meio Ambiente. O ex-ministro de Bolsonaro concordou: “Os piores índices foram na época dela”. Marina rebateu que reduziu a devastação em sua gestão e acusou os dois de “manipular números antigos para encobrir a explosão recente”.

    Na prática, o trio disputou a narrativa sobre quem tem credenciais para frear o desmatamento amazônico. Salles insistiu que a esquerda demoniza toda atividade madeireira; Marina defendeu manejo sustentável; Tebet atacou o “negacionismo climático” de bolsonaristas. O resultado foi uma sobreposição de falas que revelou linhas de corte ideológicas sem detalhar propostas.

    Machismo e “teste de competência” inflamam reta final

    O debate ganhou tom de gênero quando André do Prado, ao ser cobrado por Tebet e Marina sobre feminicídios em São Paulo, citou altos índices do Acre, terra de Marina. Tebet reagiu chamando a fala de “desaforo” e acusou o rival de faltar com respeito às mulheres: “Somos nós as vítimas, não as responsáveis”. Marina qualificou o comentário como “atitude cínica que tenta culpar quem denuncia”.

    Minutos depois, Derrite questionou se Tebet conhecia a ADPF das Favelas, ação que limita operações policiais no Rio. Sem detalhes, a senadora disse não estar a par do processo. Marina interveio, denunciando o que chamou de “teste de competência típico de homens tóxicos”. Salles retrucou: “Vitimismo não resolve o Brasil”. A troca selou o tom beligerante do encontro.

    O que fica para a campanha

    • Ricardo Salles aposta no enfrentamento direto com André do Prado para liderar o campo bolsonarista.
    • Prado tenta carimbar Salles como leniente com Alexandre de Moraes, símbolo da oposição à direita.
    • Derrite atua como escudo de Salles contra Marina e Tebet, mas vira alvo ao defender o “PL das Facções”.
    • Marina e Tebet formam frente comum contra o que descrevem como misoginia e negacionismo ambiental.
    • O Caso Master e as alianças no Congresso surgem como novas frentes de desgaste para o PP e o PL.

    Com os ataques concentrados e poucas propostas detalhadas, o debate consolidou blocos já visíveis nas pesquisas: três candidaturas disputam a preferência conservadora — Salles, Prado e Derrite — enquanto Tebet e Marina investem no eleitorado de centro-esquerda, apostando na crítica à misoginia e à devastação ambiental. Pontos de interseção foram raríssimos, sinalizando que a campanha paulista seguirá polarizada até a votação.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.