Busca por “taxa das blusinhas” dispara e turbina Shein, Shopee e AliExpress, acirrando disputa com o varejo brasileiro

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    Uma onda de curiosidade sobre a chamada “taxa das blusinhas” — o imposto que deixou de incidir sobre compras internacionais de até US$ 50 — fez as buscas na internet saltarem 492% em apenas 45 dias. O movimento empurra para cima a visibilidade de gigantes asiáticas como Shein, Shopee e AliExpress, enquanto varejistas tradicionais brasileiros veem aumentar o risco de perda de mercado.

    O levantamento, realizado pela empresa de tecnologia publicitária Taboola, contabilizou 57 mil visualizações de páginas relacionadas ao tema num curto intervalo, coincidindo com o debate no Congresso sobre a medida provisória que suspendeu a cobrança. Caso os parlamentares não votem a MP até 8 de setembro, a alíquota de 20% voltará a ser aplicada, reacendendo a disputa entre plataformas estrangeiras e o comércio local.

    Explosão de interesse na “taxa das blusinhas”

    Pela métrica de pageviews monitorada pela Taboola, o interesse pela discussão tributária transformou-se no principal gatilho de tráfego para palavras-chave ligadas a marketplaces estrangeiros. A menção à Shein, por exemplo, avançou 1.018%, chegando a 61 mil visualizações. No mesmo período, a AliExpress teve alta de 1.632% e alcançou 52 mil cliques, enquanto a Shopee subiu 162%, com 107 mil pageviews.

    Para José Luiz de Genova, diretor de operações da Taboola na América Latina, a combinação de “debate regulatório” com a oferta de conteúdo digital impulsionado por criadores tem criado um ciclo virtuoso para os apps asiáticos. “O consumidor acompanha a legislação e, ao mesmo tempo, descobre novos canais de compra via vídeos, lives e cupons”, afirma.

    TikTok Shop entra no radar

    Embora em ritmo menor, o TikTok Shop também surfou a maré: as buscas pela funcionalidade avançaram 23%, somando 12 mil pageviews. O desempenho é atribuído à consolidação do modelo de shoppertainment — mistura de entretenimento e venda em tempo real — e a anúncios de investimento em centros de distribuição no país.

    Pressão inédita sobre o varejo físico

    Do outro lado, redes tradicionais medem o impacto da concorrência oriental em meio a um cenário doméstico já marcado por dívidas e queda de consumo. A expressão “recuperação judicial” ganhou 141% em atenção, batendo 927 mil visualizações. O pico coincide com o anúncio de reestruturações de grandes grupos e o aumento de pedidos formais de proteção contra credores.

    Casas Bahia e Americanas concentram holofotes

    • Casas Bahia: o interesse pelo nome da varejista explodiu 3.565%, alcançando 1,3 milhão de pageviews. A escalada acompanha o plano de recuperação, o leilão de ativos e decisões trabalhistas que tramitaram na Justiça nas últimas semanas.
    • Americanas: com 322 mil cliques, a companhia continua no radar sobretudo pelo avanço das investigações policiais sobre fraudes contábeis reveladas no início do ano.

    Marketplaces ocidentais mantêm posição

    Entre as plataformas que operam no Brasil há mais tempo, o tráfego variou conforme o calendário promocional. A Amazon registrou 1 milhão de pageviews, puxada pelo Prime Day; o Carrefour somou 1,2 milhão; e o Mercado Livre contabilizou 348 mil, favorecido por ações de cupons e promoções de eletrônicos. Já o Magazine Luiza teve discreto ganho de 5%, com 15 mil cliques.

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    Imagem: Internet

    Destino da MP decide fôlego para importados baratos

    A Medida Provisória que zerou o imposto federal sobre remessas de até US$ 50 foi editada em maio pelo governo Lula como tentativa de baratear compras internacionais. A proposta, porém, desagrada a associações de lojistas nacionais que alegam competição desigual com produtos asiáticos de menor custo.

    O texto precisa ser apreciado pelo Congresso até 8 de setembro. Caso contrário, perde validade no dia seguinte, devolvendo a cobrança de 20% ao consumidor. Parlamentares articulam alternativas que vão de manter a isenção até criar faixas de alíquotas progressivas. Qualquer solução influenciará diretamente a estratégia de gigantes asiáticos, que têm investido em centros de distribuição locais para encurtar prazos de entrega e reduzir gastos logísticos.

    Efervescência às vésperas das eleições

    O impasse ganha contornos políticos por ocorrer a menos de um mês do primeiro turno das eleições municipais. Numa ponta, prefeituras temem perder arrecadação associada ao comércio físico. Na outra, consumidores pressionam por manter preços baixos, fenômeno que se reflete no volume recorde de buscas pela “taxa das blusinhas”.

    O que está em jogo para cada ator

    1. Plataformas estrangeiras: ganham competitividade de preço e visibilidade online; quanto mais durar a isenção, maior a chance de fidelizar novos usuários.
    2. Varejo nacional: enfrenta margens comprimidas, estoque elevado e dificuldades de crédito, cenário agravado pela perda de tráfego físico em lojas e pelos custos de operar no país.
    3. Consumidor: desfruta de preços até 60% menores em categorias de vestuário e eletrônicos leves, mas pode ser surpreendido por eventual volta do imposto.
    4. Governo e Congresso: equilibram arrecadação, proteção ao emprego local e popularidade junto ao eleitorado em meio a uma economia que ensaia recuperação, mas ainda sente os efeitos de juros altos.

    Próximos passos

    Em reunião marcada para a tarde desta terça-feira, líderes partidários tentarão incluir a MP na pauta do plenário. Caso consigam número mínimo de votos, a matéria segue ao Senado em rito acelerado. Se houver emendas, retorna à Câmara, o que pode empurrar a decisão para a véspera do prazo final, mantendo o ambiente de incerteza que alimenta as buscas e o frenesi de compras nos aplicativos asiáticos.

    Independentemente do desfecho, o episódio evidencia a rapidez com que alterações tributárias se propagam pelas redes e alteram o comportamento de compra. A cada clique registrado no levantamento da Taboola, repete-se a constatação de que, no Brasil, o e-commerce ganhou contornos de termômetro político e barômetro econômico ao mesmo tempo.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.