O ex-presidente Jair Bolsonaro declarou, em depoimento à Polícia Civil, que permaneceu com uma pistola em sua residência após ter obtido aval verbal de um delegado da Polícia Federal que cumpria mandado de busca e apreensão no local. Segundo o relato, o episódio ocorreu em 4 de agosto do ano passado, data em que foi determinada sua primeira prisão domiciliar.
Bolsonaro contou que solicitou ficar com a arma porque “residia com mulheres e precisava de defesa”. O delegado, de acordo com o ex-presidente, saiu da casa, fez um telefonema e retornou entregando novamente a pistola, dizendo que ele poderia mantê-la. O ex-chefe do Executivo não informou o nome do policial nem precisou a hora exata da diligência.
Arma ficou em casa até junho
O depoimento registra que a pistola permaneceu na residência até 15 de junho deste ano, quando Bolsonaro percebeu um defeito no equipamento. Para verificar o problema, ele acionou o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, integrante de sua equipe de segurança e especialista no modelo da arma.
Conforme o ex-presidente, o militar consertou a pistola e pretendia devolvê-la à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Um atraso na volta de Michelle de viagem a Goiânia teria levado o sargento a levar o armamento para sua própria casa.
O sargento foi abordado em uma blitz no Distrito Federal, ocasião em que a pistola foi apreendida. O relatório final do inquérito atribuiu a Estácio Leite da Silva Filho o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Manifestação da PGR e decisão de Moraes
O documento que encerra a investigação foi enviado nesta quarta-feira ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O magistrado solicitou novas manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da defesa de Bolsonaro antes de decidir sobre eventual prorrogação da prisão domiciliar humanitária.
Imagem: Cristiano Mariz
Moraes destacou que a Lei de Execução Penal classifica como “falta grave” a posse indevida de instrumento capaz de causar lesão corporal, o que pode levar à regressão de regime ou à suspensão da prisão domiciliar. Em depoimento, Bolsonaro admitiu ter mantido a arma em casa e justificou que não poderia ficar desarmado por morar com três mulheres.
O advogado Paulo Amador da Cunha Bueno, que representa o ex-presidente, reiterou que Bolsonaro solicitou ajuda do sargento após constatar defeito no armamento.
Com informações de O Globo