Polícia apreende seis adolescentes em operação que investiga rede de violência digital ligada a suicídio transmitido no Discord

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    Uma força-tarefa da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul cumpriu, nesta sexta-feira (15), mandados de busca e apreensão contra seis adolescentes suspeitos de integrar comunidades virtuais que estimulam automutilação, crueldade contra animais e violência extrema. A ação é um desdobramento da Operação Lívia, aberta depois que uma menina de 13 anos tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord, em julho.

    Os alvos foram localizados no Distrito Federal, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro. Após a apreensão, todos foram apresentados à Vara da Infância e Juventude competente, que decidirá sobre eventual internação provisória. A polícia ainda busca possíveis novas vítimas dos mesmos grupos.

    A Operação Lívia

    Deflagrada logo após o suicídio transmitido da cidade de Naviraí (MS), a Operação Lívia mapeia fóruns e servidores fechados onde menores em situação de fragilidade emocional são aliciados. De acordo com os investigadores, os membros desses espaços virtuais conquistam a confiança das vítimas com conversas privadas, isolam-nas de familiares e amigos e, em seguida, impõem desafios cada vez mais violentos.

    Como os investigadores chegaram aos novos suspeitos

    Na primeira fase da operação, celulares, computadores e mídias removíveis foram apreendidos. A perícia de mensagens, vídeos e registros de voz permitiu identificar hierarquia, divisão de tarefas e a forma como cada integrante atuava. A partir desse cruzamento de dados surgiram os seis nomes que motivaram a nova rodada de mandados executada nesta manhã.

    Segundo a Polícia Civil, as trocas de mensagens indicam práticas de misoginia, incitação ao suicídio, apologia à tortura de animais e ameaças de divulgação de conteúdo íntimo caso as vítimas se recusassem a cumprir as ordens. Há indícios de que os adolescentes detidos capitaneavam canais onde eram sorteados “desafios” contra participantes mais jovens.

    O suicídio que expôs a rede

    Em 22 de julho, a adolescente de 13 anos iniciou uma live no Discord que durou cerca de 45 minutos, sob incentivo de participantes do grupo. Momentos antes, eles teriam exigido que ela matasse um animal como “prova de lealdade”. A investigação aponta que o clima de coação e humilhação levou a menina a se matar diante da câmera.

    A transmissão mobilizou autoridades federais e estaduais. O Ministério da Justiça reforçou a cooperação técnica entre polícias civis, enquanto o Governo Federal passou a pressionar plataformas digitais a aprimorar mecanismos de moderação.

    Pressão sobre o Discord e ação da ANPD

    Diante da repercussão, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, declarou que o Discord havia se tornado “cúmplice” ao não conter grupos criminosos. Pouco depois, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu processo administrativo para apurar falhas na checagem de idade, na prevenção a riscos para menores e na remoção de conteúdo ilegal, obrigações previstas no chamado ECA Digital.

    Como medida cautelar, a ANPD determinou a suspensão temporária de transmissões ao vivo na plataforma no Brasil — decisão que permanece válida enquanto não se conclui a auditoria sobre políticas de segurança do Discord.

    Consequências jurídicas para os menores apreendidos

    Os seis adolescentes foram ouvidos na presença de representantes do Ministério Público e de defensores. O juiz da Infância poderá aplicar internação provisória por até 45 dias, medida socioeducativa ou liberação mediante cumprimento de condições. A eventual responsabilização de adultos que administrem ou financiem as comunidades continua em andamento.

    Paralelamente, a equipe de investigação montou um canal de denúncias sigiloso para localizar outros jovens que possam ter sido coagidos. As vítimas identificadas receberão acompanhamento psicológico e encaminhamento a serviços de assistência.

    Próximos passos da investigação

    • Análise de novos dispositivos apreendidos na operação de hoje;
    • <li Solicitação de quebras de sigilo telemático autorizadas pela Justiça;

    • Compartilhamento de provas com polícias civis de outros estados para ações conjuntas;
    • Mapeamento de possíveis fluxos financeiros que sustentem os servidores clandestinos;
    • Encaminhamento de relatórios à ANPD e ao Ministério da Justiça para subsidiar futuras sanções administrativas às plataformas.

    Onde buscar ajuda

    Casos de ideação suicida exigem atenção profissional imediata. O Centro de Valorização da Vida (CVV) presta apoio emocional 24 h por dia, gratuitamente, pelo telefone 188 ou pelo chat em cvv.org.br. Outra opção é procurar o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) mais próximo. Jovens de 13 a 24 anos também podem recorrer ao canal Pode Falar, iniciativa do Unicef com atendimento anônimo, online e sem custo.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.