A pré-candidatura do deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) ao Senado por Roraima, lançada publicamente em 16 de junho, provocou desconforto no diretório estadual do partido e reedita a tensão já vivida pelo PL em Santa Catarina no início do ano.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro confirmaram que Lopes concorrerá a uma das duas vagas de senador em jogo em outubro. Flávio descreveu o colega de bancada como “fiel escudeiro” do ex-presidente Jair Bolsonaro e ressaltou a importância de “uma base forte na Câmara e no Senado”.
Decisão vinda de Brasília
A escolha partiu do próprio Jair Bolsonaro. Em março, Hélio Lopes já havia transferido seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima, movimentação que causou surpresa na direção local do PL. Na ocasião, o diretório divulgou nota afirmando que o estado “exige representação com conhecimento de sua dinâmica política, social e econômica e vínculo efetivo com a população”.
O atrito cresceu porque o deputado Nicoletti anunciara, em maio, sua pré-candidatura ao Senado pelo PL, avalizada pelo próprio Valdemar. Após a divulgação dos novos vídeos de apoio a Lopes, Nicoletti manteve a pretensão e afirmou que a escolha final será feita “com diálogo e responsabilidade” entre as executivas nacional e estadual.
Alianças em disputa
Além de Nicoletti e Hélio Lopes, o tabuleiro inclui a ex-secretária estadual Tânia Ramos (União Brasil), apoiada pelo ex-governador Antônio Denarium. O recém-eleito governador Arthur Henrique (PL) classificou a formação das chapas como “um quebra-cabeça” e não descartou aliança com a federação União Brasil-PP, lembrando que cada coligação pode registrar apenas dois nomes para o Senado.
Arthur Henrique elogiou Nicoletti, citando sua força no interior, e considerou Hélio Lopes “um nome forte” por sua proximidade com Jair Bolsonaro. “Vamos levar toda essa demanda para Brasília”, disse o governador a uma rádio local.
Imagem: Reproduição
Repetição do caso catarinense
A situação reflete o impasse que ocorreu em Santa Catarina quando a família Bolsonaro decidiu lançar Carlos Bolsonaro ao Senado. A iniciativa colidiu com o acordo do governador Jorginho Mello (PL), que defendia o apoio à deputada Carol de Toni (PL) e ao senador Esperidião Amin (PP). Após ameaças de saída de Carol de Toni, o PL decidiu montar chapa pura no estado.
Em Roraima, a definição deve ocorrer até o fim de julho, prazo para convenções partidárias, mantendo o clima de incerteza entre as lideranças locais.
Com informações de O Globo
