Adolescente tem festa refeita após desabamento de piso em Belém

    0

    Paola Beatriz finalmente dançou a tão sonhada valsa de debutante. Sete semanas depois de ver a pista de madeira ceder sob os pés dos convidados e transformar sua comemoração em cenário de resgate, a adolescente ganhou uma nova festa de 15 anos em Belém. O reencontro com parentes e amigos aconteceu na noite de sexta-feira (21) em uma casa de eventos na avenida Nazaré, graças ao trabalho voluntário de 41 profissionais do setor.

    O grupo se mobilizou depois que o acidente de 5 de julho, no Bar e Restaurante Palafita, deixou 11 feridos e interrompeu uma preparação de dois anos da família. Fotógrafos, cerimonialistas, maquiadores, decoradores, músicos e fornecedores de buffet doaram tempo, produtos e serviços para que a data não fosse lembrada apenas pelo susto.

    Dia de princesa, book fotográfico e baile completo

    A maratona solidária começou pela manhã, com um “dia de princesa” oferecido a Paola em um estúdio de beleza do bairro de Nazaré. Lá, ela passou por maquiagem, cabelo e sessão de fotos. O ensaio resultou em um book entregue à aniversariante logo na entrada da nova festa, onde as imagens foram projetadas em um telão para o público de cerca de 200 convidados.

    Dentro do salão, a decoração privilegiou tons de lilás — cor preferida da debutante — e um bolo de cinco andares que reproduziu detalhes do vestido usado por Paola na primeira comemoração. Houve troca de sapato, dança com o pai, valsa com 15 casais e a tradicional passagem do anel, rituais que não chegaram a acontecer na noite do desabamento. “Hoje é como se eu estivesse vivendo um sonho diferente, sem medo”, disse a jovem durante discurso emocionado.

    Profissionais unidos pelo mesmo objetivo

    • 15 maquiadores e cabeleireiros ficaram responsáveis pela preparação da aniversariante e das damas;
    • Quatro empresas de buffet serviram jantar, coquetel e sobremesas;
    • Dois DJs e uma banda garantiram música ao vivo até a madrugada;
    • Segurança, iluminação e sonorização também foram custeadas de forma colaborativa;
    • Ao fim da festa, os voluntários entregaram um álbum impresso com registros do evento.

    Relembre o acidente que provocou a mobilização

    Na madrugada de 5 de julho, por volta de 0h30, parte do piso de madeira suspenso do Bar e Restaurante Palafita, no bairro da Cidade Velha, cedeu durante a apresentação de uma coreografia. O salão, construído sobre estacas junto à margem do rio, abrigava aproximadamente 230 pessoas. A queda abriu um vão de mais de dois metros de profundidade, provocando correria, quedas sucessivas e o acionamento de equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Samu.

    Onze pessoas receberam atendimento médico; algumas sofreram fraturas nos membros inferiores e traumatismos. Uma convidada de 27 anos levou 30 pontos na cabeça e permaneceu internada em estado delicado por quatro dias. Nenhuma vítima chegou a correr risco de morte, mas o susto repercutiu nas redes sociais, onde vídeos amadores mostravam o momento exato do colapso.

    Perícia aponta falta de manutenção

    Laudo conjunto da Polícia Científica e do Corpo de Bombeiros concluiu que o piso desabou por “ausência de manutenção preventiva e corretiva”, em desacordo com normas de engenharia para estruturas de madeira sobre estacas. A Delegacia do Consumidor (Decon) instaurou inquérito, ouviu 13 pessoas — entre elas 12 vítimas — e solicitou documentos técnicos ao estabelecimento, que permanece interditado sem previsão de reabertura.

    Os investigadores analisam se houve negligência na fiscalização periódica exigida para casas de eventos sobre palafitas e se laudos apresentados ao município estavam dentro do prazo de validade. O Ministério Público do Estado acompanha o caso e pode oferecer denúncia por lesão corporal culposa e exposição de pessoas a perigo.

    Família transformou trauma em gesto solidário

    Depois do acidente, a mãe de Paola, Mariane Souza, publicou desabafo em rede social pedindo apoio psicológico para a filha. A postagem viralizou e chegou até grupos de profissionais de festas em Belém. “Quando vimos que ela não tinha conseguido concluir aquele momento, ninguém pensou duas vezes”, relata a cerimonialista Juliana Reis, que coordenou a iniciativa.

    Para financiar os custos estimados em R$ 80 mil, o grupo dividiu tarefas e buscou fornecedores dispostos a colaborar. A logística incluiu desde transporte gratuito para convidados que se machucaram até a substituição de vestidos danificados. “Foi trabalho de formiguinha. Cada um doou o que podia, do tecido ao prato principal”, conta o decorador Pedro Almeida.

    Convidados reviveram a noite interrompida

    Entre os presentes estavam pessoas que ainda se recuperam de ferimentos. A estudante Fernanda Lima, que fraturou o tornozelo no desabamento, chegou ao baile amparada por muletas, mas fez questão de participar da valsa. “Se naquela noite saímos de ambulância, hoje saímos com a certeza de que amizade e solidariedade superam qualquer susto”, afirmou.

    Os organizadores também montaram um espaço de homenagem às vítimas. Fotografias feitas antes da queda foram exibidas ao lado de imagens da recuperação, simbolizando a virada de página. A arrecadação espontânea entre convidados será revertida para custear sessões de fisioterapia de quem ainda enfrenta sequelas.

    Próximos passos da investigação

    A Decon tem 30 dias para concluir a fase final do inquérito e remetê-lo ao Ministério Público. Segundo o delegado Caio Freitas, responsável pelo caso, peritos civis e do Corpo de Bombeiros voltaram ao local nesta semana para coleta de amostras de madeira e verificação de relatórios estruturais anexados pela defesa do restaurante.

    Enquanto isso, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) verifica se o alvará de funcionamento estava regular. Caso seja confirmada a falta de renovação de licença ou de vistoria anual, o espaço poderá sofrer multa administrativa superior a R$ 150 mil, além de responder judicialmente pelas lesões.

    Orientação para consumidores

    Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam que organizadores de eventos em estruturas suspensas exijam laudos de engenharia atualizados e certificação contra incêndio. O Procon Pará orienta que contratos contenham cláusula de responsabilidade civil para acidentes, garantindo aos clientes reparação por danos materiais e morais.

    Celebrar apesar do medo

    Ao final da noite, Paola recebeu da equipe de produção um certificado simbólico de “superação” e acendeu 15 velas agradecendo aos voluntários e aos sobreviventes. “Agora, quando falarem do meu aniversário, não vão lembrar só do buraco no chão, mas das pessoas que se uniram para me dar um recomeço”, declarou a debutante, antes de deixar o salão entre aplausos e chuva de papéis dourados.

    {internal_links}

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.