Michelle Bolsonaro deixa PL Mulher e foca em rede de candidatas, igrejas e no movimento “Imparáveis”

    0

    Menos de seis semanas depois de aparecer em uma videochamada feita da cozinha de casa, em Brasília, enquanto preparava o almoço do ex-presidente Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro redefiniu sua atuação política. Após romper publicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e deixar a presidência do PL Mulher, ela passou a concentrar esforços em três frentes: um grupo de candidatas consideradas prioritárias, lideranças religiosas e o recém-lançado movimento “Imparáveis”.

    Nova estratégia

    A mudança ganhou forma durante a crise com Flávio. Nesse período, Michelle reduziu aparições públicas, intensificou reuniões virtuais e reorganizou a agenda em torno de mulheres que ajudou a projetar politicamente. Aliados avaliam que seu maior capital não estava no cargo partidário, mas na relação direta com parlamentares, prefeitas, vereadoras, dirigentes estaduais e pastores espalhados pelo país.

    Dois dias depois de tornar público o atrito com o senador, enquanto ele se reunia reservadamente com Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama gravou, na sede nacional do PL, inserções para candidatas de Roraima, sinalizando que manteria a rede de contatos mesmo fora da estrutura oficial do partido.

    Movimento “Imparáveis”

    Lançado na semana passada, o “Imparáveis” foi concebido como uma plataforma de mobilização sem vínculo partidário. Inspirado na canção Unstoppable, de Sia, o projeto pretende criar uma comunidade de formação política e engajamento permanente em torno das pautas defendidas por Michelle, antecipando um cronograma que, inicialmente, previa lançamento apenas em 2027.

    Lista de candidatas favoritas

    Michelle trabalha com um grupo de 19 mulheres que receberão atenção especial na campanha deste ano. Entre os nomes citados por interlocutores estão as deputadas Rosana Valle (SP), Roberta Roma (BA), Ana Campagnolo (SC), Cris Tonietto (RJ), Delegada Sheila (MG), Carlise Cwiatkowski (PR) e Gislayne Yamashita (MT), além das pré-candidatas ao Senado Carol de Toni (SC), Bia Kicis (DF) e Priscila Costa (CE).

    Parlamentares próximas, como Rosana Valle, afirmam que a liderança de Michelle “ultrapassa funções partidárias” e não depende de cargo formal. A expectativa é que a força eleitoral desse grupo garanta espaço para a ex-primeira-dama dentro do bolsonarismo.

    Calendário de viagens e atuação remota

    Os primeiros compromissos desse novo formato incluem agendas em Santa Catarina, Roraima e no Distrito Federal. Em SC, ela deve participar de eventos ao lado de Ana Campagnolo; em Brasília, tende a reforçar a candidatura da governadora Celina Leão (PP). Parte significativa da articulação continuará ocorrendo por meio de gravações de vídeos, videoconferências e mensagens personalizadas, método adotado desde que Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar.

    Foco no eleitorado evangélico

    Reuniões em igrejas permanecem no centro da estratégia. Estão em discussão participações na Igreja Batista Atitude, liderada pelo pastor Josué Valandro Jr., e em eventos da Sara Nossa Terra, do bispo Robson Rodovalho, ambientes onde Michelle registra alta aprovação.

    Relação com a campanha presidencial do PL

    Apesar de não ter participado de ato recente do partido no Ceará – primeira agenda de Flávio no estado após o rompimento –, aliados, como o deputado Bibo Nunes (PL-RS), sustentam que Michelle seguirá como importante cabo eleitoral, sobretudo entre mulheres, e deverá gravar material para rádio e televisão em favor da legenda.

    Internamente, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ainda tenta convencê-la a disputar o Senado pelo Distrito Federal. Pessoas próximas, porém, dizem que ela não tomou decisão e que ficar fora da chapa lhe daria mais tempo para percorrer o país ao lado das candidatas que apoia e para ampliar a atuação junto às igrejas.

    Com a saída do PL Mulher, Michelle aposta em uma rede de apoiadoras, presença em eventos religiosos e atuação digital para manter a influência construída entre eleitoras conservadoras e evangélicas.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.