Um levantamento da Transparência Brasil divulgado nesta segunda-feira (13) aponta que, em 2025, a Câmara dos Deputados direcionou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão sem informar quais parlamentares escolheram os beneficiários. O montante representa 16% do total de R$ 7,9 bilhões indicados pela Casa na modalidade.
Conforme o estudo, a autoria dessas emendas foi creditada às lideranças partidárias, impedindo a identificação dos reais responsáveis pelos repasses. No mesmo orçamento, o Congresso Nacional aprovou R$ 11,7 bilhões em emendas de comissão, sendo R$ 3,8 bilhões do Senado e R$ 7,9 bilhões da Câmara.
Senado divulga autores; Câmara deixa 1.341 indicações sem nome
Entre as 4.415 indicações feitas por comissões do Senado, todas estão vinculadas a um parlamentar específico. Já na Câmara, das 12.231 indicações registradas, 1.341 aparecem apenas com o termo “liderança” no campo destinado ao solicitante.
Distribuição dos recursos
O Rio de Janeiro recebeu a maior fatia das verbas sem autoria identificada (R$ 224,5 milhões), seguido pelo Piauí (R$ 216,5 milhões). A Comissão de Saúde concentrou o maior volume, com R$ 818 milhões distribuídos em 808 indicações.
Partidos envolvidos
Sete bancadas utilizaram o recurso: Progressistas (PP), União Brasil, Republicanos, Partido Liberal (PL), Avante, Podemos e Solidariedade. O PP liderou, somando R$ 428,7 milhões. Embora o líder do partido na Câmara seja o deputado Dr. Luizinho (RJ), apenas 23% desse valor foi destinado ao Rio; mais da metade (R$ 216,4 milhões) ficou com o Piauí.
Percentual de emendas destinadas ao estado do líder
– Pedro Lucas Fernandes (União/MA): 47%
– Sóstenes Cavalcante (PL/RJ): 8%
– Dr. Luizinho (PP/RJ): 23%
– Aureo Ribeiro (Solidariedade/RJ): 100%
– Gilberto Abramo (Republicanos/MG): 17%
– Neto Carletto (Avante/BA): 67%
– Rodrigo Gambale (Podemos/SP): 21%
Imagem: Brenno Carvalho
Cenário parcial de 2026
Até maio de 2026, já foram identificados R$ 373,8 milhões em emendas atribuídas a lideranças partidárias. O Solidariedade não apareceu nesse período, enquanto o PT passou a figurar na lista com R$ 107,5 milhões. O Republicanos responde por cerca de um terço do total, com R$ 126,5 milhões.
Falta de transparência e recomendações
Segundo a Transparência Brasil, a prática se assemelha ao antigo “orçamento secreto”. A entidade defende a extinção das chamadas “emendas de liderança” e suspensão dos pagamentos até que haja rastreabilidade completa. Entre as sugestões estão a criação de identificador único para cada indicação, publicação imediata das atas das reuniões e registro obrigatório das deliberações pelas comissões permanentes.
Com informações de O Globo
