Brasília — O Itamaraty enviou uma funcionária da embaixada brasileira em Washington para acompanhar, nesta segunda (6) e terça-feira (7), a audiência pública organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que discute a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias do Brasil.
O encontro é apontado como a última etapa aberta ao público da investigação conduzida pelo governo norte-americano. A decisão final está prevista para 15 de julho, daqui a nove dias.
Participação de Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, cumpre agenda nos Estados Unidos e participará da sessão na terça-feira. Ele apresentou ao USTR um documento de 86 páginas pedindo a suspensão da medida, a retirada do Pix da disputa e a abertura de negociações bilaterais. No texto, o parlamentar argumenta que a sobretaxa reforçaria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sugere sanções individuais a autoridades brasileiras em vez de penalidades que atinjam toda a economia.
Posição do governo brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores considera a audiência um espaço de escuta de sociedade civil e setor privado, e não uma mesa de negociação. A mais recente conversa formal entre o ministro da Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, e o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, foi virtual e ocorreu na quinta-feira passada; uma nova rodada está prevista para os próximos dias.
Argumentos contra a sobretaxa
Empresas e entidades brasileiras sustentam que a tarifa prejudicaria exportadores do país, elevaria custos para companhias e consumidores nos Estados Unidos e provocaria queda de investimentos e de empregos em território americano.
Imagem: Ricardo Stuckert
Investigações e possíveis sobretaxas
O USTR concluiu a investigação em 2 de junho, propondo a cobrança adicional de 25% menos de um mês após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao então presidente Donald Trump, na Casa Branca. Paralelamente, existe a proposta de um acréscimo de 12,5% ligado a alegações de insuficientes ações brasileiras contra o trabalho forçado, o que poderia elevar a tarifa total para 37,5%.
Com informações de O Globo
