O Partido dos Trabalhadores definiu nesta sexta-feira (3) o rateio de seu Fundo Especial de Financiamento de Campanha para as eleições de 2026. A legenda destinou R$ 126 milhões à tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reservou R$ 61,9 milhões para candidaturas ao Senado, quadruplicando a fatia destinada a esse cargo em 2022.
Distribuição dos recursos
Segundo integrantes que acompanharam a reunião, o PT contará com R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral. A divisão aprovada ficou assim:
- Presidência da República: 20,64% (R$ 126 milhões)
- Candidatos a governador: 11,70%
- Senado Federal: 10,08% (R$ 61,9 milhões)
- Câmara dos Deputados: 43,06%
- Assembleias Legislativas: 8,13%
- Fundo de reserva: 6,40%
O montante destinado ao Senado subiu de 2,48% em 2022 para 10,08% neste ano. Dois terços das cadeiras da Casa estarão em disputa, e o PT pretende fortalecer sua bancada diante do esforço de aliados de Jair Bolsonaro (PL) para ampliar a presença da direita e pressionar pautas voltadas ao Supremo Tribunal Federal.
Revisão de regras no TSE
A divisão ainda pode mudar. O partido aguarda decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre pedido de siglas que desejam excluir determinadas campanhas do cálculo da cota de 30% do fundo para candidaturas de mulheres e pessoas negras. O tema é relatado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
Palácio do Planalto e governabilidade
Dirigentes petistas afirmam que a estratégia busca garantir maior estabilidade a um eventual quarto mandato de Lula. Desde janeiro de 2023, a relação com o Congresso tem alternado momentos de proximidade e tensão.
Candidaturas estaduais
Até agora, o PT tem sete nomes confirmados na disputa pelos governos estaduais: Rafael Fonteles (Piauí), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Elmano de Freitas (Ceará) tentarão a reeleição; Fernando Haddad (São Paulo), Felipe Camarão (Maranhão), Helder Salomão (Espírito Santo) e Fábio Trad (Mato Grosso do Sul) concorrerão a novos mandatos. Em Minas Gerais, a legenda pretende lançar candidatura própria, mas o nome ainda não foi definido — Marília Campos, cotada internamente, prefere manter sua pré-candidatura ao Senado.
Imagem: Cristiano Mariz
O presidente tem destacado a importância de São Paulo para o resultado nacional. No estado, o favorito é Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, mas o PT considera a candidatura de Haddad prioritária. Em 2022, Lula obteve 44,77% dos votos paulistas contra 55,23% de Jair Bolsonaro e pretende ao menos repetir esse patamar.
Comparação com 2022 e cenário nacional
Na eleição passada, o PT direcionou 26,03% de seus recursos — cerca de R$ 131 milhões — para a campanha presidencial. Este ano, a legenda terá menos de um quarto do fundo para Lula, mas reforçará senadores e governadores. O PL, partido de Bolsonaro, ficará com a maior parcela do Fundo Eleitoral: R$ 881,7 milhões.
Na quarta-feira (1º), o TSE manteve para 2026 os mesmos limites de gastos de campanha adotados em 2022.
Com informações de O Globo
