O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarca na próxima semana para Washington em sua sexta viagem aos Estados Unidos somente neste ano. A agenda mantém a estratégia de aproximação com o ex-presidente Donald Trump, integrantes do Partido Republicano e empresários norte-americanos, mas ocorre enquanto dez estados brasileiros, todos do Norte e do Nordeste, ainda não receberam a visita do pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Compromisso nos EUA
No dia 6 de julho, Flávio participará de uma audiência pública organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de sobretaxa de 25% a produtos brasileiros. Durante a passagem pelo país, o senador deve se reunir com o irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, que permanece nos EUA, numa tentativa de alinhar a comunicação da campanha após desgastes recentes.
Viagens anteriores
Desde janeiro, Flávio já esteve nos Estados Unidos em outras cinco ocasiões:
- Janeiro – tentativa de agenda com o senador Marco Rubio;
- Fevereiro – passagem pelo carnaval;
- Março – participação na Conservative Political Action Conference (CPAC), no Texas;
- Maio – encontros com empresários;
- Maio – reunião com Donald Trump na Casa Branca.
Presença desigual no país
No Brasil, o pré-candidato visitou 17 unidades da Federação, mas ainda não passou por Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins. Todos estão nas regiões Norte e Nordeste, onde o bolsonarismo historicamente enfrenta maior resistência eleitoral.
Na volta dos Estados Unidos, Flávio pretende reduzir essa lista com viagens a Pernambuco e Ceará. Nesta sexta-feira (3), ele tem compromissos no Rio de Janeiro pela manhã e, à noite, na Paraíba.
Situação nos estados
Os cenários variam conforme a unidade da Federação:
Imagem: Edils Dantas
- Pernambuco – o PL ainda discute lançar candidatura própria ao Senado, vista como estratégica para fortalecer o palanque presidencial;
- Ceará – a visita ocorrerá após a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, desencadeada pela disputa em torno da candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado;
- Amazonas, Piauí e Sergipe – já há candidatos do PL aos governos estaduais, mas o senador ainda não esteve com esses aliados;
- Acre, Alagoas, Amapá, Roraima e Tocantins – articulações para montagem dos palanques seguem em curso.
Reações internas
Aliados avaliam que a “internacionalização” da pré-campanha foi útil para aproximar Flávio de Trump e de setores conservadores estrangeiros. Agora, porém, defendem foco na consolidação de alianças nos estados onde o ex-presidente Lula mantém vantagem histórica. Influenciadores ligados a Eduardo Bolsonaro, como Paulo Figueiredo, são apontados por assessores como responsáveis por prolongar o desgaste gerado pela crise com Michelle.
Interlocutores próximos ao senador afirmam que a passagem pelo Ceará será um teste da capacidade de recompor pontes locais. Nesta semana, Priscila Costa participou, em Brasília, do lançamento do programa “Brasil por Elas”, elogiou publicamente Flávio e sinalizou trégua, embora permaneça alinhada a Michelle.
Com todos os compromissos internacionais concluídos, a expectativa do PL é acelerar a montagem de palanques competitivos no Norte e no Nordeste, completando o mapa de viagens até o início oficial da campanha.
Com informações de O Globo
