Justiça mantém Milton Leite preso; ex-vereador deixa cadeia para tratar pressão alta

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    O ex-vereador paulistano Milton Leite (União Brasil), seis vezes presidente da Câmara Municipal de São Paulo, continuará preso por pelo menos 30 dias. A Justiça considerou regular sua detenção durante a audiência de custódia realizada neste sábado (19) em Mogi das Cruzes. Horas depois, o político precisou ser encaminhado a um hospital da região após relatar sintomas de pressão alta, segundo autoridades que participam da investigação.

    Leite passou a noite na cadeia pública do município, para onde se entregou no fim da tarde de sexta-feira (18), quase dois dias depois de ter o nome incluído na lista de foragidos da Operação Vectura Corrupta. A ação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus que atendem o transporte coletivo na capital e em outras cidades paulistas.

    Decisão judicial mantém ex-presidente da Câmara detido

    O mandado de prisão temporária, expedido pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, prevê que Milton Leite permaneça detido por 30 dias — prazo que pode ser prorrogado ou convertido em preventiva, a depender do avanço das investigações. Na audiência de custódia deste sábado, o juiz responsável concluiu que não houve ilegalidades nem abusos na captura do ex-parlamentar.

    Na sessão, a defesa alegou problemas de saúde e ausência de provas robustas para pedir que o político respondesse em liberdade. O magistrado discordou, apontando risco de interferência na apuração por parte de um agente público com extensa trajetória de poder na capital. Ainda na sala de audiências, Leite queixou-se de mal-estar associado à hipertensão. Por precaução, a custódia foi suspensa até que um médico atestasse suas condições clínicas, o que motivou a transferência para o hospital municipal Luzia de Pinho Melo, também em Mogi das Cruzes.

    Pressão arterial e exames de rotina

    Fontes ligadas ao inquérito indicam que ele chegou ao pronto-atendimento com pressão arterial elevada, mas sem sinais de urgência grave. Depois de realizados exames de sangue e eletrocardiograma, os médicos recomendaram prescrição de anti-hipertensivos e retorno à carceragem assim que o quadro fosse estabilizado. Não há previsão, por ora, de nova remoção para unidade de saúde.

    Operação Vectura Corrupta: como o PCC teria entrado no transporte

    Lançada na quinta-feira (17), a Vectura Corrupta mira um suposto esquema em que empresas controladas por integrantes do PCC venceriam licitações municipais de transporte para lavar dinheiro do tráfico. Segundo o MP-SP, a facção montou sociedades de fachada para disputar editais em São Paulo, Diadema, São Bernardo do Campo, Santos e outras cinco cidades. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

    Investigadores afirmam que, uma vez dentro do sistema, integrantes do grupo criminoso influenciariam itinerários, tarifas e até contratos de manutenção, retirando recursos públicos por meio de notas fiscais fraudulentas. Há também indícios de que a mesma estrutura financie campanhas eleitorais de 2024, em especial para prefeituras e câmaras municipais.

    Por que o nome de Milton Leite apareceu

    O pedido de prisão do ex-vereador foi embasado em duas frentes. A primeira envolve um áudio encontrado no celular de um empresário do transporte. Na gravação, uma voz não identificada menciona “conversas resolvidas com o Milton”, sugerindo articulação política para favorecer determinada empresa. A segunda frente são depoimentos de policiais militares à Corregedoria, nos quais se relata que correligionários do ex-presidente da Câmara teriam intermediado reuniões entre representantes do PCC e dirigentes de viações.

    Não foram apresentadas, até o momento, provas financeiras diretas, como transferências bancárias ou participação societária de Leite nas empresas investigadas. Mesmo assim, o MP-SP sustenta que a influência política do ex-vereador teria sido decisiva para a consolidação do esquema, justificando a prisão temporária para evitar destruição de provas ou combinação de versões.

    Demais alvos dos mandados

    A operação prendeu diretores de viações, despachantes, dois policiais militares e um ex-funcionário da SPTrans. Computadores, contratos e celulares foram apreendidos em endereços na capital, na Baixada Santista e no ABC paulista. O material está sendo periciado pelo Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro do MP-SP, que procura evidências de compra de imóveis e veículos de luxo pagos com recursos públicos desviados das concessionárias.

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    Imagem: Internet

    Trajetória de um dos políticos mais influentes da cidade

    Milton Leite chegou à Câmara Municipal em 1997 e acumulou seis mandatos de presidente da Casa, recorde na história paulistana. Ao longo de três décadas, tornou-se peça central em votações de grande impacto, como a aprovação das parcerias público-privadas no setor de saneamento e mudanças na Lei de Zoneamento. Seu arco de alianças transita por administrações do PT, PSDB, DEM e, mais recentemente, União Brasil, partido do qual é fundador.

    A pressão política exercida por Leite sempre se refletiu no transporte. Foi dele a relatoria de projetos que redefiniram a remuneração das concessionárias de ônibus na capital. Ele também encabeçou comissões parlamentares de inquérito que investigaram suspeitas de cartel em licitações, mas sem chegar a indiciar empresários do setor. Agora, vê-se na posição inversa: alvo de uma investigação que questiona sua proximidade com empresários e, segundo o MP-SP, com o crime organizado.

    Defesa alega inocência e critica “prisão midiática”

    Em nota, o advogado Aloísio Lacerda Medeiros classificou a operação como “aventura acusatória” e afirmou que “o cliente não tem relação comercial, societária ou pessoal com integrantes do PCC”. Ele prepara pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça ainda nesta semana. Se o recurso for negado, a estratégia prevê recorrer ao Superior Tribunal de Justiça.

    O defensor argumenta que as provas apresentadas são “meras referências de terceiros” e que o áudio citado pelo MP-SP não foi submetido a perícia de voz. Para a defesa, a prisão temporária serve apenas para “expor a imagem de um homem público” e não para assegurar a investigação, que poderia prosseguir com medidas cautelares menos gravosas, como uso de tornozeleira eletrônica ou proibição de contato com demais investigados.

    Próximos passos do inquérito

    Com os detidos sob custódia, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pretende aprofundar a análise de documentos apreendidos. A expectativa é rastrear repasses de recursos públicos às viações ligadas ao esquema e identificar eventual financiamento ilegal de campanhas. Os resultados preliminares podem sustentar um pedido de conversão das prisões temporárias em preventivas, hipótese que manteria os suspeitos detidos por tempo indeterminado.

    Enquanto isso, o Ministério Público também deverá ouvir servidores da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito para verificar se houve facilitação nos processos licitatórios. A Prefeitura de São Paulo informou, por meio de sua assessoria, que colaborará com todas as diligências e que instaurou procedimento administrativo para avaliar contratos vigentes.

    Mesmo fora das sessões do Legislativo desde o fim do último mandato, Milton Leite conserva influência em diversas frentes da política paulistana. A permanência dele na cadeia, sobretudo em meio à aproximação do ano eleitoral, provoca rearranjos nos bastidores e coloca em xeque negociações para alianças em 2024. Caso seja mantida a prisão, o União Brasil precisará redefinir a composição das chapas que vinham sendo articuladas sob a liderança do ex-vereador.

    Nos próximos dias, o desfecho sobre a saúde do ex-parlamentar e o andamento dos recursos jurídicos ditarão se ele seguirá na Penitenciária de Tremembé, para onde costumam ser transferidos detentos com foro político, ou se permanecerá na cadeia de Mogi das Cruzes. Por ora, a tensão se mantém: entre a pressão arterial instável e a pressão judicial crescente, Milton Leite enfrenta o momento mais delicado de sua extensa carreira.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.