Sob chuva e nostalgia, Black Eyed Peas faz a plateia do Rock in Rio pular do início ao fim

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    Nem a garoa persistente que cobriu o Parque Olímpico neste domingo (6) segurou o público diante do Palco Mundo. Entre capas de chuva coloridas e coros afinados, o Black Eyed Peas entregou uma hora e meia de sucessos que atravessam gerações e transformou o gramado do Rock in Rio numa pista de dança coletiva.

    Logo no primeiro acorde de “Let’s Get Started”, a multidão decolou. Era o prenúncio de um repertório montado para estimular a memória afetiva — e as pernas — de quem acompanha o trio desde os anos 2000. “Boom Boom Pow”, “Rock That Body” e “Pump It” reafirmaram a proposta: manter o público em ebulição constante, chuva ou não.

    Participações, homenagem brasileira e faixa nova

    O ponto de virada veio quando Will.i.am anunciou a entrada do produtor carioca Papatinho. Além de pilotar os toca-discos em uma versão turbinada do clássico “Rap da Felicidade”, o DJ apresentou, com o grupo, uma música inédita cujo clipe foi criado em parte por inteligência artificial. A iniciativa marcou o elo entre a sonoridade festiva dos norte-americanos e as batidas que dominam bailes e playlists nacionais.

    Em outro momento de sintonia com a plateia brasileira, Will.i.am citou de cabeça nomes como Gilberto Gil, Seu Jorge, Jorge Ben Jor e Sérgio Mendes. O reconhecimento se materializou logo depois, quando o Black Eyed Peas puxou “Mas, Que Nada”, hit de Ben Jor eternizado mundialmente justamente na voz de Mendes. A versão trilíngue causou um coro uníssono que ecoou até a roda-gigante.

    Setlist calcado em memórias globais

    Depois da abertura explosiva, vieram “This Is the Rhythm of the Night”, “Alice”, “Girl Like Me” e “Don’t Lie”. Cada faixa foi precedida por saudações em um português esforçado, ato que reforçou a conexão antiga da banda com o país. No auge da euforia, “The Time (Dirty Bit)” transformou o refrão de “(I’ve Had) The Time of My Life” — imortalizado no filme Dirty Dancing — em trilha para pulos sincronizados. O encerramento com “I Gotta Feeling” coroou a sucessão de hits e deixou o já enlameado piso do festival em clima de after-party.

    Ausência de Fergie e especulações

    Antes do festival, circularam rumores de que Fergie — fora da formação desde 2017 para se dedicar à maternidade — poderia fazer uma aparição surpresa, alimentados por registros recentes de um encontro dela com os ex-colegas. A expectativa se dissipou logo nas primeiras músicas, quando ficou claro que a cantora não desembarcou no Rio. Ainda assim, a ausência não arrefeceu o coro em faixas que ficaram famosas em sua voz, sinal de que o público já abraçou a atual formação itinerante, que costuma contar com cantoras convidadas.

    Retorno quatro anos depois da estreia no festival

    A apresentação marcou a segunda passagem do Black Eyed Peas pelo Rock in Rio. Em 2019, o grupo dividiu o mesmo palco com Anitta em um dos momentos mais comentados daquela edição. Desta vez, sem convidados pop nacionais de grande porte, a aposta recaiu sobre a nostalgia e a energia da base fiel de fãs brasileiros — estratégia que se provou vitoriosa em cada refrão ecoado pela plateia.

    Da cena hip-hop de Los Angeles às pistas do mundo

    Fundado em 1995 por Will.i.am, apl.de.ap e Taboo, o Black Eyed Peas começou como um projeto de rap alternativo em Los Angeles. A guinada rumo ao pop e ao eletrônico veio no início dos anos 2000, quando a sonoridade dançante levou a banda ao topo das paradas mundiais. Desde então, mesmo com pausas e mudanças internas, o trio tem se mantido relevante ao incorporar tendências tecnológicas e parcerias locais, como a recém-lançada colaboração com Papatinho.

    Sob chuva e nostalgia, Black Eyed Peas faz a plateia do Rock in Rio pular do início ao fim - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Reação do público e clima no Parque Olímpico

    A chuva fina que caía sobre a Cidade do Rock não desanimou as centenas de milhares de pessoas reunidas. Pelo contrário: o contraste entre as luzes do palco e os relâmpagos ao longe trouxe uma estética quase cinematográfica, registrada à exaustão por celulares erguidos. Vendedores improvisavam capas extras, enquanto a equipe de limpeza lutava para conter a lama junto às grades de contenção. Tudo em vão — a lama se tornou parte do uniforme coletivo da noite.

    Nas áreas mais próximas das lonas de alimentação, famílias inteiras se espremiam em busca de abrigo, mas bastava ouvir os primeiros acordes de um hit para voltar correndo e garantir lugar no piso principal. Quem escolheu assistir de longe, perto da roda-gigante, relatou sentir a vibração das caixas de som reverberando no peito, efeito que fez do show do Black Eyed Peas o mais comentado das redes sociais nas horas seguintes.

    Impacto para as próximas noites do festival

    A explosão de energia proporcionada pelo grupo neste domingo estabelece um parâmetro alto para as atrações que ainda ocuparão o Palco Mundo. Produtores do evento consideram que a combinação de sucessos globalmente reconhecidos, interação em português e participação local cria um modelo que outros artistas internacionais podem repetir para dialogar melhor com a plateia brasileira.

    Para o público, fica a prova de que, 28 anos após a formação, o Black Eyed Peas ainda sabe como comandar uma multidão. Com uma setlist que salta do hip-hop ao pop eletrônico, referências locais e recursos de ponta — caso do clipe gerado por IA exibido nos telões —, a banda reafirmou o lugar que ocupa no imaginário coletivo daqueles que frequentam (ou sonham frequentar) megafestivais.

    Enquanto o parque esvaziava, muitos seguiam cantarolando “Tonight’s gonna be a good night…”, como se fosse um mantra para o restante do Rock in Rio. Se depender do termômetro deixado pelo trio, a noite já foi inesquecível — e as próximas terão que suar para ultrapassar o clima de celebração instaurado sob a chuva carioca.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.