Microplásticos aparecem em maior quantidade nos pulmões de pacientes com câncer, aponta estudo

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    Uma investigação grega associou a presença de microplásticos a quadros de câncer de pulmão. As minúsculas partículas foram encontradas com mais frequência e em volume superior nos pulmões de pessoas diagnosticadas com a doença. Os dados serão apresentados em outubro, no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia, na Espanha, e reacendem o debate sobre como a poluição por plásticos pode afetar a saúde humana.

    Os autores analisaram amostras de 100 pacientes que passaram por exames para esclarecer sintomas respiratórios. Metade deles recebeu confirmação de câncer após os testes. Entre todos os voluntários, 70% apresentaram algum nível de microplásticos, mas o grupo oncológico mostrou índices significativamente maiores, sugerindo que a inalação e o acúmulo dessas partículas podem ter relação com o desenvolvimento ou a progressão da enfermidade.

    O que a pesquisa descobriu

    O trabalho contabilizou 232 fragmentos de plástico medindo menos de 5 mm — o limite usado para classificar um resíduo como microplástico. Essas partículas surgiram em 35 dos 50 pacientes com câncer e em 35 dos 50 participantes sem o diagnóstico, mas a carga total de plástico nos pulmões foi consideravelmente maior no primeiro grupo.

    Principais polímeros identificados

    • Polipropileno: empregado em embalagens, equipamentos hospitalares e artigos têxteis;
    • Polietileno: presente em sacolas, filmes plásticos e diversos produtos de uso doméstico.

    Os pesquisadores notaram ainda que a distribuição das partículas não segue um padrão. Em alguns pacientes, a maior concentração estava nas vias aéreas mais próximas da traqueia; em outros, no tecido pulmonar profundo, indicando caminhos distintos de deposição dentro do órgão.

    Como o material foi coletado

    Para identificar os microplásticos, a equipe recorreu à broncoscopia, exame que permite visualizar o interior dos brônquios e aspirar secreções. Em parte dos voluntários, pequenos fragmentos de tecido pulmonar também foram retirados e analisados em laboratório. A combinação de técnicas deu aos cientistas uma visão mais detalhada de onde, exatamente, os resíduos se acumulam.

    Microplásticos aparecem em maior quantidade nos pulmões de pacientes com câncer, aponta estudo - Imagem do artigo original

    Imagem: ser um probla cada vez mais comum

    Perguntas que permanecem

    Apesar dos números expressivos, o estudo não estabelece relação de causa e efeito entre microplásticos e câncer. Faltam dados para determinar se as partículas contribuem para a formação de tumores ou se tecidos já comprometidos acabam retendo mais plástico. “Ainda precisamos entender onde essas partículas se depositam e se podem estar ligadas a doenças”, afirma o pesquisador principal, Ilias Dimeas.

    Próximos passos dos cientistas

    A equipe iniciou testes em laboratório para observar como diferentes tipos de plástico interagem com células pulmonares. Amostras de pessoas com outras doenças respiratórias crônicas também estão sendo avaliadas, na tentativa de mapear se há um padrão de retenção de resíduos associado a diferentes quadros clínicos.

    Microplásticos como preocupação de saúde pública

    Partículas plásticas microscópicas já foram encontradas em oceanos, solos, alimentos e, recentemente, em diversos tecidos humanos. O novo estudo reforça a ideia de que a inalação diária desses resíduos — liberados pela degradação de embalagens, roupas sintéticas e pneus, entre outros itens — pode não ser inócua. Embora a ciência ainda investigue os mecanismos exatos de dano, a simples presença de plástico nos pulmões sugere um potencial risco associado à poluição ambiental.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.