Ex-militar dos EUA escreve obituário bem-humorado, morre aos 51 e texto vira sensação online

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    Michael Andrew De Simone, 51 anos, não esperava ver seu nome nos assuntos mais comentados da internet — ainda mais depois de morrer. O ex-integrante do Exército norte-americano, que vivia no estado de Washington, nos Estados Unidos, partiu em 21 de agosto, vítima de um evento cardíaco, mas deixou pronta a última piada: um obituário escrito por ele mesmo, repleto de humor, afeto e referências pessoais. Publicado pelo jornal local The Chronicle, o texto foi reproduzido nas redes sociais, onde internautas o consagraram como “o melhor obituário de todos os tempos”.

    A combinação de autodepreciação, detalhes inusitados — como a confissão de que “saiu do mundo como entrou: comendo pizza” — e declarações apaixonadas à família fez com que a despedida viralizasse poucos dias após a publicação. Influenciadores, portais de notícias e desconhecidos dividiram trechos do texto, admirados com a capacidade de De Simone de transformar a própria morte em mensagem de celebração à vida.

    Humor desafia o luto

    No início do obituário, o autor avisa, com falsa formalidade, que “lamenta informar” a sua própria morte e admite que isso “definitivamente não estava nos planos”. O tom leve segue até o final: ele brinca que, apesar de 51 anos ser pouco para um ser humano, é “uma idade bastante avançada para um cachorro”, de modo que se despede em paz por ter vivido mais tempo que muitos animais de estimação.

    Em outro trecho, De Simone explica que houve uma “discordância” entre mente e corpo, vencida pelo corpo. A estrutura simples, quase de conversa, e o uso de ironia fazem o leitor alternar entre riso e emoção, característica destacada pelos milhares de comentários nas redes sociais. A abordagem também contrasta com os obituários tradicionais, geralmente escritos por familiares ou profissionais do setor funerário com linguagem sóbria.

    Resposta do público

    Depois que o The Chronicle compartilhou o texto em sua página no Facebook, o número de curtidas e compartilhamentos ultrapassou rapidamente o alcance habitual do jornal de Centralia, cidade de pouco mais de 18 mil habitantes. Usuários de plataformas como X (antigo Twitter) e Reddit reproduziram prints, traduziram passagens para vários idiomas e alimentaram debates sobre como o humor pode ajudar no processo de luto.

    “Se eu conseguir rir e chorar ao mesmo tempo quando eu morrer, quero algo assim”, escreveu uma internauta. Outro comentou: “Nunca senti tanta vontade de conhecer alguém que já se foi”. Também chamou atenção a forma carinhosa como De Simone listou parentes e amigos, destacando cada relacionamento de forma personalizada, mas sem perder o ritmo cômico.

    Família como ponto central

    O ex-militar dedicou grande parte do obituário à esposa Daisy, com quem mantinha um relacionamento desde o ensino médio. Ao longo de quase 33 anos de casamento, os dois se autodenominavam “namorados em todas as fases da vida” — expressão que aparece repetidamente no texto. As filhas, Johanna e Dani, recebem declarações ainda mais enfáticas: o amor por elas, descreve ele, seria maior que “a própria criação”.

    Os três netos — Leo, Crispan e Trent — surgem como “um lembrete da glória e maravilha do universo”. Com a mesma leveza, De Simone menciona pais, irmãos, sogros, cunhados, sobrinhos e até a cadela adotada Sandy. A inclusão detalhada de nomes reforça a intenção de abraçar todos os laços afetivos, ainda que ele mesmo brinque sobre “limite de palavras” imposto pelos jornais.

    Pedido final

    Em vez de flores, o autor sugere que as pessoas “distribuam amor livremente”, principalmente a quem lhes é mais querido, porque “nunca se sabe quando será preciso partir às pressas”. A orientação informal — quase um conselho de amigo — fechou a mensagem com tom otimista, ecoando nas publicações que replicaram o texto.

    Vida de viagens e serviço militar

    Nascido em Hagerstown, Maryland, em 23 de julho de 1975, Michael De Simone viveu uma infância marcada por mudanças: residiu em pelo menos sete estados norte-americanos, além de uma temporada na Coreia do Sul. Depois de ingressar no Exército ainda jovem, atuou em áreas administrativas e logísticas, experiência que lhe garantiu passaporte carimbado em todos os continentes, exceto a Antártida — exclusão que ele justificou com bom humor, por ser “fria demais e pouco habitada”.

    O militar reformado orgulhava-se de ter viajado mais que a maioria das pessoas ao longo da história, comparando-se, de forma bem-humorada, a nobres medievais que mal saíam dos limites de seus reinos. Aventuras profissionais e férias em família renderam anedotas que ele colecionava e, segundo Daisy, repetia com prazer sempre que surgia plateia disposta a ouvir.

    Problemas de saúde recentes

    Apesar do bom condicionamento físico mantido desde a carreira militar, De Simone sofreu um AVC no início de 2026. Após período de internação, retornou para casa em Olympia, mas precisou de acompanhamento médico constante. Em 21 de agosto, sofreu uma parada cardiorrespiratória súbita e não resistiu. Amigos contam que, dias antes, ele já revisava o obituário escrito meses atrás, acrescentando o detalhe da pizza consumida no hospital.

    Despedida marcada para 28 de agosto

    O velório ocorre às 10h, na Capela Funerária Sticklin-Brown, em Centralia. O funeral está agendado para o meio-dia e, na sequência, familiares e amigos realizam recepção aberta ao público na sede da Fraternal Order of Eagles, em Chehalis, entre 15h30 e 18h. A expectativa é de grande adesão, impulsionada pela repercussão do obituário.

    Embora viralizações digitais sejam efêmeras, pessoas próximas acreditam que a fama póstuma de De Simone reflete quem ele foi em vida: um contador de histórias que não recusava chance de animar os outros. “Ele conseguiu o que queria: fazer todo mundo rir, mesmo no momento em que mais sentiríamos falta dele”, disse, em nota, a filha Dani.

    Legado além das redes

    O texto deixou debate aberto sobre novas maneiras de encarar o fim da vida. Profissionais de saúde mental observaram que discursos positivos podem humanizar cerimônias fúnebres, enquanto pesquisadores de comunicação apontam a tendência de personalização extrema em ritos de despedida, algo possibilitado pela internet. No caso de De Simone, a soma de bom humor, afeto explícito e autenticidade trouxe, ao mesmo tempo, conforto a quem o conhecia e curiosidade a quem nunca havia ouvido falar dele.

    Na última linha do obituário, ele confessa ter ficado “muito triste em dar essa notícia” — frase que, contrariando a intenção de leveza, lembra o leitor da finitude. Ainda assim, quem percorre o texto percebe que, para Michael Andrew De Simone, viver foi rir, amar e partilhar pizza. E que, num mundo hiperconectado, mesmo a despedida de um desconhecido pode inspirar milhares de pessoas a fazer o mesmo.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.