O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece isolado na dianteira da disputa pelo governo de Minas Gerais, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (25) pelo instituto Quaest. Ele soma 29% das intenções de voto na pesquisa estimulada e abre distância de 18 pontos para o deputado federal Patrus Ananias (PT) e para o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que registram 11% e 10%, respectivamente.
Com o cenário ainda fragmentado, a sondagem indica que metade do eleitorado mineiro segue sem candidato definido: 19% não souberam responder e 12% pretendem anular ou votar em branco. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Retrato geral dos candidatos
Depois do trio mais bem-colocado, aparecem Mateus Simões (PSD), vice-governador licenciado, com 7%, e Gabriel Azevedo (MDB), presidente da Câmara de Belo Horizonte, com 5%. Flávio Roscoe (PL) tem 3%, enquanto Ben Mendes (Missão), Professor Túlio Lopes (PCB), Rafael Duda (PSTU), Indira Xavier (UP) e Henrique Áreas (PCO) não ultrapassam 1% cada.
O instituto entrevistou presencialmente 1.506 eleitores em 101 municípios entre 21 e 24 de agosto. O registro no Tribunal Regional Eleitoral é MG-04060/2026 e o nível de confiança da amostra é de 95%.
Raio-X por segmentos
Diferença expressiva entre homens e mulheres
- Eleitorado masculino: Cleitinho chega a 36%, mais que o triplo dos 11% de Kalil e dos 10% de Patrus. Indecisos somam 13% e brancos/nulos, 11%.
- Eleitorado feminino: a vantagem do senador cai para 23%, enquanto Patrus obtém 11% e Kalil, 10%. O contingente sem escolha (25%) e o de votos nulos ou brancos (13%) revelam maior incerteza entre as mulheres.
Faixa etária
- 16 a 34 anos: Cleitinho lidera com 30%. Kalil (11%) e Patrus (5%) disputam o segundo lugar, mas a indefinição pesa – 21% não citam candidato.
- 35 a 59 anos: o senador alcança 33%, seguido por Kalil (11%) e Patrus (10%). Indecisos representam 18%.
- 60 anos ou mais: a dianteira diminui para 23%, e Patrus sobe para 18%, encostando. Kalil marca 9%. Há 21% de eleitores que ainda não sabem em quem votar.
Nível de escolaridade
Quanto maior a instrução, menor é a diferença do líder para os concorrentes.
- Ensino fundamental: Cleitinho 26%, Kalil 11%, Patrus 10%.
- Ensino médio: o parlamentar chega a 37%, contra 9% do petista e 8% do pedetista.
- Ensino superior: vantagem encurta – 28% para Cleitinho, 15% para Patrus e 13% para Kalil.
Faixa de renda
- Até dois salários mínimos: Cleitinho 26%, Kalil e Patrus empatados em 9%.
- Mais de dois e até cinco salários: liderança avança para 32%; Kalil tem 11% e Patrus, 10%.
- Acima de cinco salários: Cleitinho mantém 31%, Patrus soma 13% e Kalil, 11%.
Cor/raça declarada
- Brancos: o senador atinge 35% e abre folga sobre Patrus (10%) e Kalil (8%).
- Pardos: Cleitinho tem 26%; Kalil, 12%; Patrus, 11%.
- Negros: ele obtém 24%, Kalil 14% e Patrus 11% – variação dentro da margem de erro de sete pontos para esse recorte.
Influência da religião
A preferência pelo candidato do Republicanos se mantém estável entre católicos (31%) e evangélicos (32%). Já Patrus chega a 12% entre católicos, mas cai para 5% entre evangélicos. Kalil marca 11% no primeiro grupo e 10% no segundo.
Autodeclaração ideológica
- Lulistas: Patrus lidera com 26%, porém Cleitinho aparece logo depois, com 21%, indicando que parte desse eleitorado busca alternativa fora do PT.
- Esquerda não lulista: o petista segue na frente (25%), mas Kalil (18%) e Cleitinho (16%) dividem espaço.
- Independentes: o senador prevalece com 23%, diante de 9% para Kalil e Gabriel.
- Direita não bolsonarista: Cleitinho salta para 48% e Simões desponta em segundo, com 14%.
- Bolsonaristas: o parlamentar mantém 48%, muito à frente de Flávio Roscoe (9%).
Por que o senador domina a cena
Cleitinho Azevedo construiu capital político como vereador e deputado estadual com forte presença em redes sociais, discurso anticorrupção e estilo informal. Ao migrar para o Senado em 2022, reforçou a imagem de outsider, posicionando-se como representante de pautas conservadoras sem se vincular totalmente ao bolsonarismo. Essa combinação o coloca como opção viável tanto para eleitores de centro-direita quanto para segmentos que se dizem independentes, fenômeno que a pesquisa confirma.
Outro fator decisivo é a fragmentação do campo progressista. Patrus Ananias, ex-ministro e político histórico do PT, enfrenta resistência no eleitorado antipetista, enquanto Kalil, identificado à gestão da Copa de 2014 em BH e à oposição ao ex-governador Romeu Zema, ainda busca consolidar palanques regionais. Com diversas candidaturas alcançando menos de 10%, Cleitinho ocupa o vácuo e consolida uma narrativa de liderança desde o primeiro round.

Imagem: Internet
Indecisos mantêm cenário aberto
Apesar da vantagem numérica, a soma de indecisos, brancos e nulos atinge 31%. Esse contingente, suficiente para alterar o quadro, sinaliza que a campanha oficial – que ainda não começou na televisão – pode mexer nas intenções de voto. O desempenho de Patrus e Kalil em debates, além da capacidade de estrutura partidária para mobilizar bases, será decisivo.
Margem de erro e cautela
Com três pontos de margem para a amostra total, eventuais oscilações de até seis pontos entre candidatos próximos (como Patrus e Kalil) são estatisticamente admissíveis. Por esse motivo, analistas consideram que a disputa pela segunda vaga no eventual segundo turno continua indefinida.
Metodologia
A Quaest utilizou questionário estruturado aplicado face a face. A amostra seguiu cotas proporcionais de gênero, idade, escolaridade, renda e região administrativa do estado. Os dados foram ponderados pelo último censo do IBGE.
Entrevistas ocorreram entre 21 e 24 de agosto de 2026 em 101 municípios. O intervalo de confiança de 95% significa que, se fossem realizadas 100 pesquisas, em 95 delas os resultados estariam dentro da margem de erro anunciada.
Próximos passos
Nos bastidores, partidos já discutem alianças visando ao segundo turno. O Republicanos aposta em manter a campanha focada nas redes e em caminhadas pelo interior, enquanto PT e PDT planejam intensificar a presença de Lula e Ciro Gomes no estado para impulsionar Patrus e Kalil, respectivamente. Resta saber se essa estratégia será suficiente para reduzir a distância de quase 20 pontos que hoje separa o líder dos demais competidores.
