Brasil destina R$ 1,06 bilhão a supercomputador de IA e lança pacote de soberania digital

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    Um investimento público de R$ 1,06 bilhão colocará em operação, a partir de 2027, um supercomputador de inteligência artificial no Rio Grande do Norte, considerado pelo governo como um dos dez mais potentes do planeta em sua categoria. A máquina, com 7.200 petaflops de capacidade, integrará o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que pretende injetar R$ 23 bilhões no setor até 2028.

    O anúncio, feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN), veio acompanhado de uma série de medidas para ampliar a soberania tecnológica do país: um segundo supercomputador no Rio de Janeiro, a criação de uma nuvem nacional, incentivo à produção de chips baseados em arquitetura aberta e um centro dedicado à transparência algorítmica.

    Supercomputador no Rio Grande do Norte

    A supermáquina que ficará na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) será adquirida por licitação internacional. O local foi escolhido por reunir oferta crescente de energia renovável — sobretudo eólica e solar — e por descentralizar investimentos tradicionalmente concentrados no Sudeste.

    Potência acima da média

    • Capacidade: 7.200 petaflops.
    • Velocidade comparativa: em um segundo realizará o que 8 bilhões de pessoas levariam cerca de 29 anos para calcular juntas.
    • Ranking projetado: top 10 mundial em processamento de IA, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
    • Uso previsto: treinamento de modelos de linguagem, análise de grandes bases de dados, pesquisas em saúde, agricultura, indústria e alertas climáticos.

    Empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos públicos poderão requisitar poder de processamento. A expectativa do governo é reduzir a dependência de provedores estrangeiros e impulsionar soluções de IA adaptadas à realidade nacional.

    Segundo polo de processamento no Rio de Janeiro

    O Rio de Janeiro receberá outro supercomputador por meio de parceria da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) com as companhias chinesas Huawei e iFlyTek. O contrato prevê investimento de R$ 1,276 bilhão em cinco anos e o início das operações em julho de 2027.

    Foco em modelo de linguagem brasileiro

    Diferentemente do projeto potiguar, o equipamento fluminense será orientado à criação de um modelo de linguagem de grande escala (LLM) ajustado ao português do Brasil e a dialetos regionais. A ideia é oferecer alternativa local a serviços como ChatGPT, Gemini e Claude, diminuindo custos de licenciamento e adequando a IA a legislações nacionais de privacidade.

    Nuvem Brasileira quer soberania sobre dados

    Para complementar a infraestrutura de hardware, o governo iniciou a formatação da Nuvem Brasileira — plataforma de armazenamento e processamento que seguirá padrões abertos e interoperáveis. O projeto será conduzido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos em parceria com Serpro e BNDES, e contará com participação da iniciativa privada.

    Principais objetivos da Nuvem Brasileira

    1. Reduzir a dependência de hyperscalers estrangeiros.
    2. Garantir que dados estratégicos permaneçam sob jurisdição nacional.
    3. Estimular empresas locais de data center e software.
    4. Estabelecer preços estáveis e competitivos para órgãos públicos.

    O modelo de negócio está em consulta ao mercado para medir a capacidade instalada e definir a governança definitiva do serviço.

    Estratégia para fabricar chips de código aberto

    Outra frente do PBIA é a produção doméstica de semicondutores voltados à inteligência artificial. Inspirado em programas de longo prazo da Europa e dos Estados Unidos, o governo brasileiro aposta na arquitetura RISC-V, padrão de hardware aberto que dispensa o pagamento de royalties a grandes fabricantes.

    Horizonte de 10 a 15 anos

    A iniciativa será desenvolvida em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona (Espanha) e envolverá universidades, polos tecnológicos e empresas de design de circuitos. O objetivo é criar, em uma década, capacidade industrial capaz de produzir lotes comerciais de chips de IA, assegurando maior autonomia em pesquisa, defesa e serviços públicos críticos.

    Centro de Transparência Algorítmica

    Para acompanhar o avanço dessas tecnologias, o governo anunciou a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, que ficará sob coordenação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O órgão será técnico, sem poder regulatório, mas terá a missão de desenvolver metodologias que detectem vieses e riscos em sistemas de IA utilizados no país.

    Funções previstas

    • Elaborar auditorias voluntárias de algoritmos usados por empresas e governo.
    • Criar ferramentas de explicabilidade e segurança.
    • Fomentar boas práticas de desenvolvimento responsável.
    • Formar especialistas em ética e regulação de IA.

    Com a soma desses projetos, o Brasil busca não apenas maior capacidade de computação, mas um ecossistema completo que inclua infraestrutura, produção de insumos críticos e mecanismos de governança, elementos considerados essenciais para competir na economia baseada em inteligência artificial.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.