O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu por unanimidade suspender, de forma cautelar, o acesso do pré-candidato do PRTB à Presidência da República, Pablo Marçal, ao fundo eleitoral e partidário, à propaganda gratuita em rádio e TV e à participação em debates. A medida, aprovada na manhã desta quinta-feira (20), vale até que a Corte julgue se o empresário pode ou não disputar o pleito de 2026.
Diante da liminar, a equipe de Marçal divulgou nota afirmando que espera a revisão da decisão e reorganizou a agenda do presidenciável. “Queremos que a candidatura siga normalmente, para continuarmos nosso movimento em favor do povo brasileiro”, diz o comunicado. O corpo jurídico do PRTB analisa o processo antes de definir novos passos.
Por que o TSE barrou verbas e visibilidade
A relatoria do caso ficou com a ministra Estela Aranha, que acolheu pedido do Ministério Público Eleitoral. Segundo a magistrada, há “risco de utilização de recursos públicos em benefício de candidatura que, em análise sumária, mostra-se juridicamente inviável”.
Para o plenário, a cautelar evita que recursos do contribuinte sustentem uma possível campanha irregular. O voto de Aranha, acompanhado pelos demais ministros, apontou que a impugnação “não se limita a elementos isolados”, e sim à provável falta de condição de elegibilidade do influenciador digital.
Limites imediatos impostos ao candidato
- Corte total ao fundo partidário e ao fundo especial de financiamento de campanha.
- Proibição de inserções e programas de propaganda eleitoral gratuita.
- Impedimento de participação em debates televisivos ou radiofônicos.
Apesar das restrições, o TSE não barrou entrevistas jornalísticas. A equipe de Marçal solicitou apenas que veículos evitem pautas de debate eleitoral enquanto a liminar estiver em vigor.
Entenda a situação eleitoral de Pablo Marçal
Condenação que levou à inelegibilidade
Em 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve condenação que tornou Marçal inelegível por oito anos, até 2032, por uso indevido dos meios de comunicação na campanha de 2024. A corte rejeitou embargos de declaração apresentados pela defesa.
A decisão do TRE-SP pesou no pedido do Ministério Público Eleitoral ao TSE. A Procuradoria sustentou que, diante da condenação já confirmada, não faria sentido liberar recursos públicos para uma candidatura ameaçada pela Lei da Ficha Limpa.
Filiação e registro em cima da hora
Mesmo inelegível, Marçal conseguiu autorização da Justiça Eleitoral para filiar-se ao PRTB e, no sábado (15), o partido protocolou pedido de registro da candidatura presidencial. A estratégia era pressionar pela análise do caso já dentro do calendário oficial das eleições de 2026.
Com a precaução aprovada nesta quinta-feira, o TSE manterá o processo de registro em tramitação, mas sem qualquer transferência de verba ou espaço de mídia até que haja decisão definitiva.
O que diz a defesa
O comunicado distribuído pelo time do PRTB evita discutir o mérito da impugnação. “O corpo jurídico está analisando os argumentos da decisão liminar para a tomada das próximas providências”, afirma a nota. O texto também informa o cancelamento de compromissos de campanha previstos para o dia, até que a estratégia seja redefinida.

Imagem: Internet
Confira trechos da manifestação:
“Reforçamos que a decisão não impede a livre atuação da imprensa… Pedimos apenas compreensão para que não sejam realizados debates e pautas eleitorais neste momento, tendo em vista os termos expressos da decisão judicial.”
Próximas etapas no TSE
Embora não haja prazo rígido, a expectativa é de que o processo de registro seja analisado antes do início oficial da campanha de 2026. Até lá, Marçal segue impedido de acessar qualquer verba pública ou espaço institucional de divulgação.
Possibilidades jurídicas
- Recurso interno – A defesa pode solicitar que o próprio plenário reexamine a cautelar, buscando revogação ou flexibilização.
- Medida no STF – Caso o TSE mantenha o veto, resta a chance de questionar a decisão no Supremo, recurso que só terá efeito se houver alegação de violação constitucional.
- Análise de mérito – Paralelamente, a Corte Eleitoral julgará se o influenciador preenche os requisitos de elegibilidade. Se a inelegibilidade for confirmada, o registro será indeferido em definitivo.
Até a conclusão desse rito, o empresário não poderá contar com horário gratuito, o que costuma ser decisivo para candidaturas de menor estrutura partidária.
Impacto político
A decisão desta quinta-feira agrava a já delicada trajetória de Marçal na cena eleitoral. Sem acesso ao fundo eleitoral, estimado em milhões de reais para legendas de médio porte, a campanha perde fôlego financeiro. O impedimento de participar em debates também reduz a exposição do presidenciável, que vinha apostando em alto engajamento digital para compensar a menor inserção nos meios tradicionais.
No cálculo dos estrategistas, mesmo que o TSE reverta a cautelar mais adiante, o tempo perdido sem verba e visibilidade pode diminuir a competitividade da chapa. Dirigentes do PRTB, contudo, avaliam que manter o nome no jogo — ainda que sob risco — fortalece a sigla nacionalmente.
Movimentação nas redes
Marçal, influenciador com milhões de seguidores, costuma reagir a decisões judiciais em perfis pessoais. Até o fechamento deste texto, ele não havia publicado comentário direto sobre o veto, limitando-se a compartilhar a nota oficial do partido.
Roteiro para os próximos meses
- Agosto de 2026 – Prazo final para o TSE julgar todos os registros de candidatura.
- Setembro – Início da propaganda eleitoral gratuita, da qual Marçal depende para alcançar eleitorado fora das redes — salvo alteração na liminar.
- Outubro – Primeiro turno das eleições; sem decisão definitiva, a candidatura pode ser barrada mesmo depois da votação, gerando questionamentos sobre substituição de chapa.
Enquanto o impasse não se resolve, aliados de Marçal testam estratégias de comunicação que não dependam de verba pública, como transmissões ao vivo, podcasts e caravanas financiadas por doações privadas autorizadas pela legislação.
O quadro, porém, permanece condicionado a um veredicto: se o TSE reconhecer a inelegibilidade já fixada pelo TRE-SP, Pablo Marçal ficará fora da corrida presidencial de 2026 — com ou sem revisão da cautelar sobre fundos e propaganda.
