BaianaSystem incendeia João Rock com convidados, protestos e rodas de bate-cabeça

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    A guitarra baiana encontrou o peso do afro-rock e o fervor político na noite de sábado (1º), quando o BaianaSystem voltou ao festival João Rock, em Ribeirão Preto (SP), para sua quarta apresentação no evento. Em pouco mais de uma hora de música e manifesto, o grupo comandado por Russo Passapusso transformou o Palco João Rock em arena de dança, rodas de bate-cabeça e palavras de ordem, mantendo a tradição de arrastar multidões onde passa.

    Mesmo com 18 minutos de atraso, a espera foi recompensada: projeções em vídeo exibiam uma cronologia de marcos históricos — da Revolução Cubana ao golpe militar de 1964 — enquanto a frase “Eu não vou sucumbir” surgia gigante, antecipando o tom contestador da noite. O público respondeu erguendo poeira e assumindo o coro de cada refrão, da primeira à última faixa.

    Convidados ampliam o peso político e musical

    BNegão abre caminhos com “Reza Forte”

    O primeiro a dividir o microfone com Passapusso foi BNegão. O rapper carioca, que chegou com versos de “Reza Forte”, imprimiu densidade à apresentação já na largada. A química entre as duas vozes — uma acostumada ao dub, a outra ao rap — instaurou um clima de urgência que se espalhou pelo gramado do Parque Permanente de Exposições.

    Vandal e Claudia Manzo mantêm o pulso

    Minutos depois, o baiano Vandal assumiu o centro do palco para duas faixas recheadas de versos rápidos e ironia social. Na sequência, a chilena radicada no Brasil Claudia Manzo puxou “Agulha”, hit do álbum “O Mundo Dá Voltas” (2025), premiado com o Grammy Latino. Seu timbre agudo contrastou com as paredes de guitarras e percussões, arrancando palmas sincronizadas de milhares de fãs.

    Trio de metais feminino domina a linha de frente

    A força sonora que define o BaianaSystem ganhou nova camada com o trio de metais formado por mulheres. Nicole Silva (trompete), Rosa Denise (trombone) e Mayara Almeida (saxofone) avançaram diversas vezes até a beira do palco, roubando a cena em “Lucro (Descomprimido)”. Os sopros dialogaram com a guitarra baiana de Roberto Barreto, criando um muro sonoro que fez o chão tremer.

    Capim Guiné e a performance de Saci

    Logo após, “Capim Guiné” levou o público ao delírio, embalado pela entrada de Elivan Conceição — conhecido por personificar o Saci. Com cartola vermelha e passos ágeis, ele rodopiou entre os músicos enquanto a plateia acompanhava o refrão em uníssono.

    Rodas de bate-cabeça e recados políticos

    Replicando a atmosfera do bloco Navio Pirata, Russo Passapusso incentivou sucessivas rodas de bate-cabeça. “Na minha roda não entra fascista, não entra machista”, bradou antes de abrir espaço entre o público. Entre uma música e outra, criticou a influência do ex-presidente norte-americano Donald Trump na política brasileira: “Donald Trump aqui não”. A resposta veio em vaias ao vivo e nos punhos cerrados que se erguiam a cada riff.

    Projeções relembram marcos históricos

    A cenografia manteve o discurso aceso. Enquanto “Sulamericano” ressoava, as telas mostravam imagens de Brasília em construção, passeatas estudantis e bandeiras latino-americanas. A cada virada de tom, a palavra “resistência” surgia escrita em diferentes idiomas, reforçando a ideia de fronteiras abertas pela música.

    Time completo sustenta o peso dos graves

    Ao lado de Barreto nas cordas, subiram ao palco Junix (guitarra), Sekobass (baixo), Ubiratan Marques (teclados), Jean Michel (bateria) e João Meirelles (sintetizadores). O grupo desenhou camadas de dub, reggae, rock e ritmos afro-caribenhos que fizeram jus à reputação de vanguarda do BaianaSystem.

    Final com hits consagrados

    Nos minutos derradeiros, a sequência “Miçanga” e “Balacobaco” — esta última lançada originalmente com Anitta e Alice Carvalho — consolidou o coro coletivo. Passapusso deixou o palco saudando o público: “Sigam em frente, não sucumbam”. A banda se despediu sob aplausos longos, devolvendo a Ribeirão Preto a sensação de que música e luta andam de mãos dadas.

    Quarta passagem pelo festival

    Desde a estreia no João Rock, o BaianaSystem se tornou presença aguardada. Em 2026, a plateia que lotou o Parque Permanente reforçou o laço construído em edições anteriores. Quem compareceu saiu com a certeza de ter assistido não apenas a um show, mas a uma intervenção artística que mistura carnaval, sound system e protesto social.

    Público aprova mistura de ritmos e mensagens

    Nos corredores do festival, comentários destacavam a energia entregada “do começo ao fim” e a sintonia entre músicos e plateia. Para muitos, a imagem que ficará na memória é a das dezenas de rodas simultâneas, intercalando poeira, inclusão e posicionamento político.

    Ao encerrar uma noite marcada por colaborações, sopros femininos e discursos afiados, o BaianaSystem reforça a máxima projetada logo no começo: não vai sucumbir — e, pelo visto, o público também não.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.