São Caetano do Sul tem a menor taxa de assassinatos do país e puxa queda nacional, aponta Anuário

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    A violência letal no Brasil recuou em 2025 ao menor patamar em 13 anos, e parte desse resultado passa por um grupo de apenas dez municípios. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, São Caetano do Sul (SP) lidera a lista nacional de baixas taxas de mortes violentas com 1,2 caso para cada 100 mil habitantes, seguida por Tubarão (SC), com 1,7. Sete cidades paulistas e três catarinenses formam o seleto grupo das menos letais do país.

    O levantamento considera homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e óbitos provocados por agentes de segurança. A performance desses dez municípios ajuda a explicar a disputa ponto a ponto entre Santa Catarina e São Paulo pelo posto de estado menos violento do Brasil, agora ocupada pelos catarinenses com taxa de 7,6 — dois décimos abaixo da marca paulista.

    São Caetano do Sul lidera, Tubarão vem logo atrás

    Com pouco mais de 160 mil habitantes, São Caetano do Sul sustenta, há anos, índices de criminalidade que lembram padrões europeus. Em 2025, o município registrou somente dois assassinatos, o que resultou na menor taxa nacional. Logo em seguida aparece Tubarão, no sul catarinense, com quatro mortes em um universo de cerca de 235 mil moradores.

    Completam o ranking das dez menores taxas:

    • Salto (SP) – 2,1 por 100 mil habitantes;
    • Santa Bárbara d’Oeste (SP) – 2,1;
    • Jandira (SP) – 2,5;
    • Blumenau (SC) – 2,6;
    • Jaraguá do Sul (SC) – 3,0;
    • Indaiatuba (SP) – 3,0;
    • Valinhos (SP) – 3,0;
    • Itatiba (SP) – 3,1.

    Na média, esses municípios apresentam 2,4 mortes violentas por 100 mil habitantes, taxa quase oito vezes menor que a nacional (19,1). Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os números mostram que políticas de prevenção, integração das polícias e investimentos sociais de longo prazo podem produzir efeitos duradouros.

    Como o estudo chega aos números

    O cálculo parte dos registros oficiais de ocorrência consolidados pelas secretarias estaduais de segurança e pelo Ministério da Justiça. O índice resultante — Mortes Violentas Intencionais (MVI) — é expressado por grupo de 100 mil habitantes para permitir comparação entre realidades populacionais diferentes. Só entram na análise municípios com mais de 100 mil moradores; em 2025 foram 338.

    Santa Catarina ultrapassa São Paulo entre os estados

    Entre as 27 unidades da federação, Santa Catarina assumiu a dianteira da segurança pública com 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes, pequena vantagem sobre São Paulo, que ficou em 7,8. A inversão quebra uma hegemonia paulista que durava desde 2014.

    Especialistas do Fórum apontam dois fatores principais para a guinada catarinense: território menor, o que facilita a gestão operacional, e continuidade de programas de inteligência policial. Em São Paulo, a queda expressiva iniciada nos anos 2000 foi mantida, mas já não é suficiente para garantir o primeiro lugar.

    A disputa em números

    • Santa Catarina – 7,6 MVI/100 mil;
    • São Paulo – 7,8;
    • Média nacional – 19,1.

    Ao todo, 19 estados e o Distrito Federal registraram queda nas taxas em 2025. As exceções concentram-se no Norte e no Nordeste.

    Nordeste reúne as cidades mais letais

    No extremo oposto, todas as dez cidades com maior incidência de assassinatos estão no Nordeste. Maranguape (CE) permanece no topo pelo segundo ano seguido com alarmantes 100,3 mortes violentas por 100 mil habitantes — a única a superar a barreira de 100.

    Eunápolis (BA), Maracanaú (CE), Porto Seguro (BA) e Simões Filho (BA) completam o grupo dos cinco piores resultados, todos acima de 68 por 100 mil. A concentração evidencia desafios históricos da região, como presença de facções em disputa por rotas do tráfico, menor cobertura de políticas sociais e deficiências na investigação criminal.

    Feminicídios destoam da tendência de queda

    Embora o número total de assassinatos tenha caído 8% em relação a 2024, os feminicídios avançaram. Foram, em média, quatro mulheres mortas por dia, novo recorde desde que o crime passou a ter tipificação específica. Para cada feminicídio consumado, o Fórum contabilizou três tentativas.

    O quadro expõe a necessidade de políticas focadas em violência de gênero, já que a redução geral dos homicídios não se replica entre as vítimas femininas.

    Os principais números do Anuário 2026

    • 40.775 pessoas assassinadas em 2025 — menor registro desde 2012;
    • Taxa nacional de 19,1 mortes violentas por 100 mil habitantes, primeira vez abaixo de 20;
    • Mortes causadas por policiais subiram 5%; óbitos de agentes em serviço caíram 3%;
    • Crimes virtuais contra crianças com conteúdo sexual cresceram 25%;
    • Bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% após criação de tipo penal em 2024;
    • Sistema prisional soma 964 mil detentos; projeção indica 1 milhão em 2027 se ritmo continuar;
    • Mais de 2,1 milhões de pessoas ou empresas têm autorização para possuir armas; 30% dos registros estão vencidos.

    Ao publicar esses dados, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública busca oferecer parâmetros confiáveis para orientar políticas públicas. A queda consistente nas taxas de assassinato, impulsionada pelo bom desempenho de cidades como São Caetano do Sul e Tubarão, prova que o país pode avançar quando ações de longo prazo encontram respaldo institucional. Por outro lado, o avanço dos feminicídios e a persistência de bolsões de extrema violência no Nordeste mostram que o desafio continua distante de uma solução homogênea.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.