Em convenção nacional realizada nesta quarta-feira (29) em Brasília, o Partido Socialista Brasileiro oficializou o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin para compor, mais uma vez, a chapa liderada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição em 2026. O encontro reuniu o próprio presidente, dirigentes partidários e representantes de legendas aliadas, reforçando a coalizão que venceu em 2022 e que agora busca um novo mandato.
Com o ato, o PSB torna-se a segunda sigla a chancelar formalmente o apoio ao projeto petista; o PDT já havia feito o mesmo em 20 de julho. A movimentação acelera a formação de um arco de centro e esquerda em torno de Lula, enquanto partidos da direita seguem divididos em múltiplas pré-candidaturas.
Como fica a coligação governista
A confirmação de Alckmin sela a manutenção da aliança PT-PSB, considerada estratégica pelo Palácio do Planalto por reunir o eleitorado progressista tradicional do PT com setores moderados conquistados pelo ex-governador paulista. Além de PSB e PDT, três federações partidárias sinalizam adesão: Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), PSOL/Rede e a legenda isolada do PCdoB, que já deu anuência informal.
Os estatutos partidários determinam 5 de agosto como data-limite para a realização de convenções e 15 de agosto para o registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral. Até lá, dirigentes avaliam ceder as últimas vagas na coligação a siglas menores, entre elas partidos nanicos que ainda negociam espaços em tempo de TV ou composição em palanques estaduais.
Calendário apertado
- 5/8 – prazo final para convenções
- 15/8 – registro das candidaturas no TSE
- 16/8 – início oficial da propaganda eleitoral
Mapa das demais candidaturas
No campo da direita, a pulverização de projetos presidenciais contrasta com o bloco já quase fechado em torno de Lula. O PL apresentou o senador Flávio Bolsonaro como cabeça de chapa, mas ainda não definiu o vice. Já o PSD formalizou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, acompanhado de Gilberto Kassab na posição de vice, buscando atrair eleitores conservadores sem aproximação direta com o bolsonarismo.
O Novo lançou o ex-governador mineiro Romeu Zema, que tenta ocupar o espaço do liberalismo econômico, enquanto o recém-criado Missão aposta no empresário Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre. A essas siglas soma-se o Avante, que levou o escritor Augusto Cury à disputa, apostando em um discurso de saúde mental e empreendedorismo.
Principais nomes já postos
- Lula (PT) – vice Geraldo Alckmin (PSB)
- Flávio Bolsonaro (PL) – vice a definir
- Ronaldo Caiado (PSD) – vice Gilberto Kassab
- Romeu Zema (Novo) – vice a definir
- Renan Santos (Missão) – vice a definir
- Augusto Cury (Avante) – vice a definir
Siglas ainda indecisas
MDB, União Brasil, PP, Republicanos e a Federação Renovação Solidária (PRD + Solidariedade) preferem, por ora, não se comprometer com nenhum candidato. A postura serve tanto para manter margem de negociação em troca de apoio nos estados quanto para observar se alguma candidatura polariza o eleitorado antes do primeiro turno.
Integrantes dessas legendas reconhecem pressões internas divergentes: parte das bancadas quer aderir à coligação governista para garantir cargos e verbas, enquanto outro setor não deseja se associar a Lula e estuda compor com candidaturas de oposição menos alinhadas ao bolsonarismo.
Pequenos partidos mantêm projetos próprios
Na extrema esquerda, PCB, PSTU e PCO indicaram que lançarão nomes sem expectativa real de vitória, mas buscando marcar posição programática. Já a Democracia Cristã também cogita candidatura independente, reforçando a profusão de siglas na urna eletrônica.

Imagem: Ricardo Stuckert
Por que essas legendas insistem
- Tempo de televisão mínimo garante visibilidade a pautas específicas;
- A candidatura própria funciona como vitrine para eleger deputados federais via cláusula de rendimento;
- Negociações de segundo turno podem render apoio futuro em troca de concessões programáticas.
Impacto da escolha de Alckmin
A recondução de Geraldo Alckmin ao posto de vice cumpre dois objetivos centrais para o PT. O primeiro é reafirmar a imagem de estabilidade administrativa, já que o ex-tucano é responsável pela articulação com o empresariado e com governadores do Sudeste. O segundo, conter avanços da direita em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, onde Alckmin mantém influência histórica.
Aliados ressaltam que, desde 2023, o vice assumiu missões diplomáticas e a coordenação da política industrial no governo, o que lhe proporcionou protagonismo inédito em comparação a vices anteriores. Esse capital político, avaliam estrategistas da campanha, reforça o discurso de continuidade e moderação capaz de dialogar com o centro.
Reação nos bastidores
Nos bastidores, dirigentes do PSB celebraram a manutenção da “dobradinha” vencedora de 2022, mas também cobraram compromissos do PT, como ampliação do espaço da legenda em ministérios e empresas públicas no eventual segundo mandato. O entendimento é que, sem alianças robustas, será difícil sustentar maioria no Congresso em 2027.
Paralelamente, integrantes do PL e do PSD afirmam que a presença de Alckmin reduz as chances de atrair o eleitorado de centro para a oposição, obrigando campanhas rivais a investir em temas como segurança pública, redução de impostos e críticas à gestão econômica para tentar diferenciar-se.
Próximos passos da corrida eleitoral
Com a convenção do PSB concluída, todas as atenções se voltam para as definições de MDB e União Brasil, cujos diretórios estaduais possuem peso decisivo na propaganda televisiva e podem, em tese, alterar o equilíbrio de forças. Caso optem por neutralidade, especialistas projetam manutenção da polarização entre Lula e o bloco de direita liderado por Flávio Bolsonaro.
Enquanto isso, campanhas intensificam a montagem de comitês regionais, treinamento de militância digital e captação de recursos via financiamento coletivo, antecipando a largada oficial do dia 16 de agosto. A expectativa é de que a disputa repita a forte segmentação de 2022, com batalhas temáticas sobre inflação, meio ambiente, reforma tributária e segurança nas redes sociais.
