PL abre negociações para apoiar Marcelo Aro ao governo de Minas após sinal de desistência de Cleitinho

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    O comando nacional do PL já atua como se o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) estivesse fora da corrida pelo Palácio Tiradentes. Com o nome que liderava as pesquisas prestes a deixar o tabuleiro, a sigla de Valdemar Costa Neto passou a negociar abertamente o apoio ao ex-deputado federal Marcelo Aro (PP), visto como alternativa mais viável para assegurar um palanque robusto a Flávio Bolsonaro em Minas Gerais.

    A movimentação ganhou força nos últimos dias, quando Cleitinho, abalado pela morte do irmão, comunicou a aliados que não pretende mergulhar em uma campanha majoritária neste momento de luto. Sem o senador, o PL precisa reconfigurar sua estratégia no segundo maior colégio eleitoral do país e avalia que Aro, ex-ministro do Turismo de Jair Bolsonaro e ex-secretário de Governo de Romeu Zema, reúne musculatura política e partidária para ocupar esse espaço.

    Luto interrompe projeto eleitoral de Cleitinho

    Até a semana passada, Cleitinho era tratado como aposta quase certa do Republicanos, do PL e de parte da base bolsonarista para a disputa estadual. Pesquisas internas e levantamentos da Quaest o colocavam numericamente à frente de nomes como Alexandre Kalil (PSD), Patrus Ananias (PT) e Mateus Simões (PSD). Tudo mudou após o falecimento de seu irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemia.

    Desde o velório, o senador cancelou compromissos públicos, não compareceu à convenção do Republicanos no sábado (25) — evento no qual poderia ter sido oficializado candidato — e transmitiu a líderes partidários que não deseja discutir campanha neste momento. A sinalização chegou à cúpula do PL por meio de Valdemar Costa Neto e do senador Rogério Marinho, responsável por articular a pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

    Busca por palanque para Flávio Bolsonaro

    Nomes que perderam fôlego

    A ausência de Cleitinho reabriu a disputa por quem oferecerá palanque ao filho do ex-presidente em Minas. Inicialmente, o PL cogitou lançar o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli ou apoiar o industrial Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do estado. Ambos, no entanto, esbarraram em baixa intenção de voto, resistência de aliados e falta de rede partidária.

    Cresce a alternativa Marcelo Aro

    Nesse cenário, Marcelo Aro passou a despontar como solução de consenso. Filiado ao PP, ele mantém trânsito tanto na base bolsonarista — foi ministro do Turismo na gestão Jair Bolsonaro — quanto no grupo de Romeu Zema, de quem foi secretário de Governo. A junção agrada ao PL por proporcionar interface com dois públicos: o eleitor fiel a Bolsonaro e o segmento liberal conquistado pelo governador mineiro.

    Antes da mudança de rota, Aro pleiteava vaga ao Senado na chapa de Mateus Simões (PSD). A articulação ruiu quando o senador Carlos Viana transferiu o domicílio partidário para o PSD, movimento que fez Simões abraçar a reeleição de Viana e deixou Aro sem espaço. Livre, o ex-deputado decidiu estruturar candidatura própria ao Executivo e rapidamente passou a ser cortejado pelo PL.

    Cálculos eleitorais e tempo de televisão

    Interlocutores do partido afirmam que, se a negociação prosperar, Aro poderá reunir até 11 legendas em torno de seu nome. Isso garantiria cerca de 60% do tempo de rádio e televisão destinado à propaganda eleitoral gratuita em Minas, além de capilaridade de mais de mil candidatos proporcionais espalhados pelo estado.

    Pesquisa qualitativa encomendadas pelos bolsonaristas indicam que o ex-deputado carrega menor rejeição que os nomes cogitados pelo próprio PL e exibe potencial de crescimento superior ao de figuras já conhecidas do eleitorado. O eixo da campanha deve mesclar defesa de pautas econômicas liberais, continuísmo da gestão Zema e alinhamento às bandeiras conservadoras do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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    Imagem: Internet

    A composição da chapa

    Uma das possibilidades debatidas prevê o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL-MG), irmão de Cleitinho, como candidato a vice. A escolha seria duplamente estratégica: consolida a presença do clã Azevedo na chapa e cria ponte para eventual apoio formal do Republicanos, mesmo sem Cleitinho na cabeça de chapa.

    Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho avaliam que o gesto de apoiar um nome do PP também pode influenciar a federação PP-União Brasil a reconsiderar a neutralidade que tem demonstrado no plano nacional. A expectativa é de que, com Minas no radar, o partido de Ciro Nogueira possa libertar lideranças regionais para subir no palanque de Flávio Bolsonaro.

    Próximos passos no xadrez mineiro

    Os próximos dias serão decisivos para a costura da nova aliança. O calendário interno do PL prevê reunião da executiva estadual até o fim da semana para chancelar oficialmente a desistência de uma candidatura própria. Na sequência, Marcelo Aro deverá apresentar uma carta-programa com pontos convergentes às diretrizes bolsonaristas sobre segurança pública, redução de impostos e defesa de valores conservadores.

    Embora o Republicanos ainda não tenha formalizado a saída de Cleitinho da disputa, a leitura majoritária nos principais partidos é que a decisão é definitiva. Caso o cenário se confirme, a transferência de boa parte do eleitorado do senador para Aro passará a ser o principal desafio da aliança PL-PP. Pesquisas serão encomendadas para medir a eficácia de inserções regionais de Flávio Bolsonaro ao lado do ex-deputado, sobretudo no interior, onde Cleitinho construiu sua imagem como político “pé-no-chão”.

    Enquanto isso, setores ligados ao PSD e ao Novo tentam reter Mateus Simões na corrida, apesar da vantagem temporária que a ausência de Cleitinho poderia conceder. A campanha de Kalil, por sua vez, monitora a movimentação e aposta que um apoio aberto do bolsonarismo a Aro poderá cristalizar rejeição de eleitores de centro, abrindo espaço para alianças alternativas no segundo turno.

    A menos de um ano da eleição, Minas Gerais volta a ocupar o centro das articulações nacionais. Com a incógnita Cleitinho praticamente resolvida, o PL corre contra o relógio para não repetir 2022, quando a legenda ficou sem candidatura própria competitiva e sem palanque forte no estado. Se Marcelo Aro confirmar a consolidação de sua coligação, tende a surgir como principal novidade na corrida e a reconfigurar completamente o tabuleiro mineiro.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.