Marília Arraes (PDT) largou na dianteira da corrida por uma das duas vagas de Pernambuco no Senado Federal. Levantamento Quaest divulgado nesta terça-feira (28) atribui à ex-deputada 19% das intenções de voto no principal cenário testado. O senador Humberto Costa (PT) aparece na segunda colocação, com 12%, configurando uma disputa polarizada entre dois nomes da esquerda local.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 900 eleitores pernambucanos com 16 anos ou mais entre 22 e 26 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança, de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é PE-09649/2026.
Retrato da largada eleitoral
Além de Arraes e Costa, o cenário inclui outros sete pré-candidatos. Mendonça Filho (PL) surge em terceiro lugar, com 8%, seguido de Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União), ambos com 6%. Túlio Gadelha (PSD) marca 4%. Silvio Nascimento (PL) tem 2%, enquanto Carlos Sant’Anna (Novo), Fernando Dueire (PSD) e Paulo Rubem Santiago (Rede) não atingiram 1% nas simulações iniciais.
Os percentuais de indecisos (18%) e de eleitores que optam por branco, nulo ou declaram que não pretendem votar (25%) chamam atenção: juntos, chegam a 43% do eleitorado consultado, indicando margem expressiva para mudanças ao longo da campanha.
Quatro cenários, liderança estável
A Quaest testou quatro combinações de nomes. Marília Arraes mantém a liderança em todos eles, variando de 19% a 21%. Humberto Costa oscila entre 12% e 14%, sempre em segundo lugar. Nas simulações em que Mendonça Filho é incluído, o ex-ministro não ultrapassa 8%. Quando ele é retirado da lista, o pelotão intermediário praticamente não altera sua colocação, sugerindo que seus votos não migram de forma concentrada para outro concorrente.
Também é constante o patamar de Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, que registram 6% independentemente do cenário. Gadelha preserva 4%, enquanto Silvio Nascimento varia um ponto porcentual para cima ou para baixo. O elevado contingente de entrevistados sem candidato definido repete-se nas quatro listas, sempre acima de 40% se considerados brancos, nulos e indecisos.
Nível de conhecimento e rejeição
O instituto investigou quem já é conhecido do público e qual o grau de rejeição de cada nome. Marília Arraes e Humberto Costa lideram em notoriedade, com a maioria dos entrevistados declarando conhecer ambos. Mendonça Filho e Eduardo da Fonte aparecem logo depois no índice de lembrança. Os demais pré-candidatos ainda precisam ampliar visibilidade: metade ou mais do eleitorado afirma não saber quem eles são.
No campo da rejeição — percentual de entrevistados que dizem que “não votariam de jeito nenhum” —, o cenário também favorece os dois nomes mais bem colocados. Apesar de serem mais conhecidos, Arraes e Costa não registram rejeição proporcional à fama, o que abre espaço para consolidação. Já Mendonça Filho, que tem trajetória longa na política estadual, enfrenta recusa um pouco maior que sua taxa de intenção de voto.
Contexto das duas vagas
Diferentemente das eleições de 2022, quando apenas uma cadeira estava em jogo, em 2026 Pernambuco escolherá dois representantes para o Senado. O modelo é simples: os dois mais votados se elegem, sem a necessidade de segundo turno. O formato costuma estimular candidaturas múltiplas, pois basta ficar no “top 2” para conquistar o mandato de oito anos.
Nesse ambiente, particularmente fragmentado no estado, a posição confortável de Marília Arraes — isolada na ponta — dá a ela margem para administrar ataques e buscar alianças que ampliem sua votação. Já Humberto Costa, que tenta a reeleição, precisa equilibrar defesa de seu mandato com a captação de votos que poderiam se espalhar entre outros nomes da esquerda e de centro-esquerda.

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Retratos regionais e desafios de campanha
A Quaest não divulgou neste relatório recortes por região ou faixa de renda, mas pesquisas anteriores costumam mostrar clivagens importantes entre a Região Metropolitana do Recife, o Agreste e o Sertão. Estratégias de comunicação direcionadas a cada área — especialmente no interior, onde a penetração de redes de prefeitos e lideranças locais é decisiva — tendem a ser definidas a partir dos próximos levantamentos qualitativos.
Outro obstáculo para os pré-candidatos é romper a barreira do desconhecimento: boa parte do eleitorado ainda não associa nome e rosto à vaga de senador. Com calendário de campanha mais curto do que o de candidatos a governador ou presidente, quem parte de patamares abaixo de 5% precisará de exposição intensiva em rádio, TV e redes sociais para se manter competitivo.
Relevância dos aliados nacionais
O peso das chapas presidenciais e ao Governo do Estado também influenciará a disputa. Alinhada ao PDT, Marília Arraes poderá capitalizar a memória do seu desempenho na eleição para governadora de 2022, em que foi terceira colocada. Humberto Costa carrega a marca do PT e deve se beneficiar de eventual melhora na popularidade do governo federal em Pernambuco. Já Mendonça Filho se apoia no palanque do PL, partido que busca repetir a votação expressiva de Jair Bolsonaro no estado, apesar de não ter vencido ali na corrida presidencial passada.
Metodologia e parâmetros legais
Conforme determina a legislação eleitoral, a sondagem foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco com o número PE-09649/2026. Foram realizadas entrevistas presenciais em 44 municípios, empregando questionário estruturado. A amostra de 900 pessoas foi ponderada por sexo, faixa etária, escolaridade, renda familiar e distribuição geográfica, de modo a espelhar o perfil do eleitorado estadual.
A margem de erro de três pontos percentuais indica que, estatisticamente, Marília Arraes pode oscilar entre 16% e 22%, enquanto Humberto Costa varia de 9% a 15%. Ainda que a distância entre os dois seja sólida no momento, o grande número de eleitores sem candidato reforça a volatilidade típica do início de campanha.
Próximos passos
A menos de três meses do início oficial da propaganda no rádio e na TV, os partidos calibram estratégias para converter conhecimento em voto efetivo. A tendência é que institutos de pesquisa publiquem novos levantamentos a cada mês, oferecendo fotografia atualizada da disputa e permitindo identificar movimentações provocadas por alianças, debates e início de inserções publicitárias.
Até lá, os indicadores apontam vantagem confortável de Marília Arraes e posição competitiva de Humberto Costa, mas mantêm aberta a disputa pela segunda vaga — sobretudo se um dos candidatos do pelotão intermediário conseguir reunir apoios regionais ou captar votos de eleitores ainda indecisos. O xadrez eleitoral em Pernambuco, portanto, segue em construção.
