Em meio às primeiras movimentações da corrida presidencial, o veterinário Wilson Grassi (Democrata) apresentou duas propostas de forte apelo popular: um programa de aplicação de toxina botulínica para mulheres de baixa renda e a reformulação completa da composição do Supremo Tribunal Federal. Batizados de “Meu Botox, Minha Vida” e “Supremo do Povo”, os projetos foram detalhados em entrevista concedida ao portal Metrópoles nesta terça-feira, 1º de setembro.
Grassi sustenta que o botox subsidiado teria caráter de política pública de saúde emocional e afirma que o novo desenho do STF pretende aproximar a Corte das camadas sociais que pouco se veem representadas no Judiciário. As ideias integram o plano de governo Brasil em Primeiro Lugar, em que a saúde aparece como principal eixo de atuação. {internal_links}
Botox como estratégia de saúde pública
Ao explicar o “Meu Botox, Minha Vida”, o presidenciável recorreu a seu histórico profissional. Veterinário de formação e gestor de hospital público para animais, ele argumenta que essa experiência o habilita a montar uma rede própria de clínicas populares e, assim, reduzir drasticamente o preço da toxina botulínica. “Tenho certeza de que vou conseguir aplicar botox por menos de R$ 100”, declarou, prometendo custos muito abaixo dos valores praticados na rede privada.
Autoestima como componente de saúde
Grassi direciona o programa a mulheres em situação de vulnerabilidade social que, segundo ele, “foram judiadas, sofreram e hoje têm vergonha de se olhar no espelho”. Na avaliação do candidato, as rugas funcionariam como lembrança constante de traumas pessoais, prejudicando o ânimo para trabalhar, estudar ou buscar relacionamentos saudáveis. “Não vamos tratar apenas rugas; vamos tratar autoestima”, disse, classificando o benefício como ponte entre saúde emocional e física.
O projeto prevê que o atendimento ocorra em unidades públicas, onde profissionais habilitados aplicariam a toxina em sessões periódicas. Embora ainda não haja cronograma de implantação, Grassi afirma que a iniciativa seria “séria, superbenéfica e barata” graças à estrutura enxuta e ao uso de compra em larga escala do insumo. Para reforçar o caráter de política sanitária, o presidenciável argumenta que mulheres com maior autoconfiança “trabalham melhor, produzem mais e conseguem se livrar de relacionamentos ruins”.
Financiamento e logística
Questionado sobre a fonte de recursos, o candidato limitou-se a dizer que o preço final ao governo seria “inferior a R$ 100 por aplicação” devido à expertise adquirida com gestão de hospital veterinário público. Ele não detalhou se o “Meu Botox, Minha Vida” utilizaria verba do orçamento federal já destinada à saúde ou se seria criado um fundo específico. Grassi também não informou qual órgão federal ficaria responsável pela execução, mas garantiu que a coordenação se daria em rede nacional, com atendimento prioritário a mulheres que comprovem baixa renda.
“Supremo do Povo”: corte plural e mandatos curtos
Durante a mesma entrevista, Wilson Grassi defendeu que o Supremo Tribunal Federal deixe de ser ocupado exclusivamente por juristas. Na concepção do “Supremo do Povo”, cada uma das principais profissões do país teria direito a indicar um ministro, que cumpriria mandato de dois ou três anos. “Não precisa ser advogado para estar no Supremo”, enfatizou o presidenciável.
Representatividade profissional
Entre os exemplos trazidos por Grassi estão pedreiro, empregada doméstica, motorista de ônibus, bancário e professora. Para ele, a presença de cidadãos vindos de realidades diversas garantiria decisões mais conectadas às necessidades do cotidiano. A eleição desses representantes ocorreria dentro das próprias categorias, mas o candidato não especificou regras eleitorais ou quantidade exata de cadeiras.

Imagem: Internet
Grassi admite que os novos ministros careceriam de conhecimento jurídico técnico, mas propõe contornar a lacuna com equipes de assessores especializados — formato semelhante ao que já vigora no STF atual. “Vou colocar um pedreiro no Supremo e ele vai ter os assessores dele”, argumentou, minimizando eventuais dificuldades de interpretação da lei.
Mandatos limitados
Hoje, ministros do STF ocupam a função até completarem 75 anos de idade. Na proposta do “Supremo do Povo”, o período seria restringido a, no máximo, três anos. O candidato defende mandatos curtos para “oxigenar” a Corte e permitir que múltiplas categorias profissionais passem pela mais alta instância do Judiciário em ciclos rápidos.
Eixo saúde domina plano de governo
Mesmo sem revelar detalhes sobre orçamento ou metas, Wilson Grassi usa a bandeira da saúde para diferenciar sua campanha. Além do botox, o plano Brasil em Primeiro Lugar reserva capítulos para outras ações na área, que, segundo ele, seriam financiadas com racionalização de custos e reorganização de estruturas públicas existentes. O presidenciável não trouxe, entretanto, exemplos além do programa estético-terapêutico.
Na avaliação de Grassi, iniciativas focadas em bem-estar emocional terão impacto direto na produtividade nacional. O candidato acredita que políticas de autoestima são motor de crescimento econômico e considera o botox apenas a primeira etapa de um leque mais amplo de ações que ajudem a “colocar saúde em primeiro lugar”.
Próximos passos da campanha
A entrevista ao Metrópoles marcou a estreia pública de propostas que, segundo a equipe de Wilson Grassi, estarão no centro dos debates nas próximas semanas. O candidato promete divulgar cronogramas mais detalhados em eventos regionais e nas redes sociais. Até o momento, não foi informado se haverá consultas a especialistas em dermatologia, psicologia ou direito constitucional para balizar os projetos.
Por ora, Grassi aposta no ineditismo das ideias para se diferenciar num cenário eleitoral ainda fragmentado. Ele argumenta que a mistura de medidas de saúde estética com reforma institucional reflete o espírito de “governo de gente comum para gente comum”. O tempo de campanha dirá se o eleitorado enxergará no “Meu Botox, Minha Vida” e no “Supremo do Povo” soluções palpáveis ou apenas slogans de efeito.
