Tornado destrói casa no Noroeste do RS, mas menina de 3 anos se salva após ser levada pelo avô

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    Um pedido de passeio ao meio-dia foi decisivo para que a pequena Antonella, de três anos, permanecesse ilesa. Horas depois de ser levada pelo avô para a propriedade dele, a cerca de dez quilômetros dali, a casa onde morava com os pais, em Giruá, Noroeste do Rio Grande do Sul, foi reduzida a escombros por um tornado que atingiu a região no fim da tarde de terça-feira (28).

    O fenômeno varreu três municípios — Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho —, deixou pelo menos sete feridos e espalhou destruição em questão de segundos. Enquanto a criança se divertia com o avô, os pais, Gilço e Dieli Amaral, enfrentaram o vendaval dentro de casa. Ambos sobreviveram, mas ainda tentam entender como escaparam com vida.

    Instantes que mudaram o destino da família

    “Foram segundos”, conta a mãe

    Dieli aproveitava o tempo firme para limpar a residência quando o marido chegou do trabalho. Às 18h25, segundo o Centro de Monitoramento da Defesa Civil, o barulho quebrou o silêncio do interior de Giruá. “Deu um primeiro baque e, no segundo, não havia mais nada”, relata, ainda em choque. Destroços atingiram seu corpo, mas ela não sofreu ferimentos graves.

    A presença de Antonella só não agravou a tragédia porque o avô, Neide Amaral, atendeu ao pedido da neta e foi buscá-la por volta do meio-dia. “Ela queria passear. Eu a levei sem imaginar o que viria”, lembra ele. Após o tornado, Neide voltou para ajudar vizinhos. “Foi um desespero. Começamos a tirar pessoas debaixo dos escombros. O último saiu perto das 20h.”

    Socorro em meio aos escombros

    Com o telhado arrancado e paredes ao chão, Gilço conseguiu manter o telefone funcional o bastante para pedir ajuda. A comunicação rápida foi essencial para o resgate dos feridos. Moradores vizinhos se uniram antes mesmo da chegada de equipes oficiais, iluminando a área com lanternas e tratores enquanto a noite caía.

    Balanço de danos nas três cidades atingidas

    Giruá

    No município onde fica a propriedade da família Amaral, três casas foram diretamente atingidas, afetando 12 moradores. Além das residências, galpões e estruturas agrícolas tiveram perdas severas, o que compromete a renda de pequenos produtores locais.

    Sete de Setembro

    A cidade registrou dois imóveis totalmente destruídos e ao menos 15 danificados. Sessenta moradores foram impactados de alguma forma, e duas pessoas ficaram feridas. Equipes da Defesa Civil distribuíram lonas para conter goteiras e proteger móveis expostos.

    Senador Salgado Filho

    Em Senador Salgado Filho, o levantamento preliminar aponta uma casa arrasada, 15 danificadas, três pessoas desalojadas e 60 afetadas no total. Posteamentos foram ao chão, interrompendo o fornecimento de energia em diferentes pontos do município.

    Rastros de vento: árvores arrancadas e animais feridos

    Imagens captadas ainda durante a madrugada mostram galpões retorcidos, árvores de grande porte tombadas e até animais ensanguentados por estilhaços. A força do vento destelhou telhados de zinco e arremessou ripas a dezenas de metros. Produtores rurais relatam prejuízo com rebanhos feridos e silagens expostas.

    Tornado detectado a mais de 200 km de distância

    Supercélula foi responsável pelo fenômeno

    O radar meteorológico de Chapecó (SC), situado a mais de 200 quilômetros, registrou o núcleo de rotação às 18h25. De acordo com a Defesa Civil gaúcha, o tornado originou-se de uma supercélula — tipo de tempestade com correntes ascendentes giratórias. Esse padrão costuma vir acompanhado de granizo de grande diâmetro e rajadas muito intensas.

    Por que o alerta chega pouco antes?

    Especialistas explicam que, apesar de modelos preverem áreas com chance de tempo severo, a confirmação de um tornado depende da detecção da circulação característica no radar ou de relatos em solo. Entre a identificação e o impacto, às vezes decorrem apenas minutos, o que dificulta a emissão de alertas personalizados para cada localidade.

    Recuperação e apoio

    Desde a madrugada, equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e voluntários trabalham na remoção de destroços e no atendimento às famílias. A prioridade é restabelecer energia, garantir abrigo aos desalojados e auxiliar na reconstrução de telhados. Prefeituras das três cidades estudam decretar situação de emergência para acelerar a liberação de recursos estaduais e federais.

    Na casa dos Amaral, quase nada pôde ser salvo. Mesmo assim, Dieli agradece pela vida da filha. “Perdemos a casa, mas não perdemos a Antonella. O resto a gente reconstrói”, diz, enquanto empilha tábuas retorcidas à espera de ajuda para erguer um novo lar.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.