Tarifa dos EUA a produtos brasileiros domina campanha e eclipsa caso Banco Master

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    A proximidade da entrada em vigor das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre itens de origem brasileira virou o assunto principal da corrida ao Palácio do Planalto, deslocando outras pautas eleitorais para segundo plano.

    Taxa em debate

    O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs sobretaxar produtos nacionais após investigação que apontou, segundo o órgão, práticas comerciais consideradas desleais do Brasil. Entre as alegações estão supostas vantagens tarifárias, dificuldades no combate à corrupção, restrições no mercado de etanol, falhas na proteção à propriedade intelectual e ausência de repressão ao desmatamento ilegal.

    A sugestão de alíquotas passará por audiência pública na próxima segunda-feira, 6 de julho, e ainda precisará do aval do então presidente norte-americano Donald Trump. Caso o cronograma seja mantido, a cobrança começa em 15 de julho de 2026.

    Palanque para presidenciáveis

    O tema já foi incorporado aos discursos de campanha dos principais pré-candidatos: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula enfatiza soberania nacional e atribui aos Bolsonaro articulações com Washington que teriam favorecido a medida. Flávio, por sua vez, aponta a gestão petista como responsável, alegando postura hostil aos Estados Unidos.

    A troca de acusações ganhou as redes sociais e eventos públicos. O Itamaraty publicou nota classificada como crítica a “traidores da Pátria”, mencionando a família Bolsonaro ao reagir às tarifas propostas.

    Master sai dos holofotes, mas segue no radar

    A repercussão do chamado “tarifaço” ofuscou temporariamente a investigação que envolve o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Especialistas ouvidos avaliam, porém, que o escândalo financeiro ainda pode pesar no voto, sobretudo porque áudios que ligam Flávio Bolsonaro ao banqueiro provocaram queda nas intenções de voto do senador.

    A analista Raquel Alves, da BMJ Consultores, pondera que questões de corrupção costumam mobilizar o eleitorado, enquanto o cientista político Valdir Pucci destaca que temas internacionais ganham força quando afetam emprego e renda. Para Pucci, setores atingidos diretamente pelas tarifas podem considerar o assunto mais decisivo que denúncias domésticas.

    Com a audiência no USTR marcada e o prazo para definição das alíquotas se aproximando, o debate sobre o impacto econômico das medidas deve permanecer no centro da campanha nas próximas semanas.

    Com informações de Metrópoles

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.