Cientistas do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR), na Alemanha, e da Universidade de Granada, na Espanha, demonstraram que comunidades de bactérias anaeróbias conseguem transformar urânio dissolvido em água em uma forma química estável. Os resultados foram publicados em junho de 2026 na revista Nature Communications.
Experimento partiu de mina desativada
O trabalho foi realizado na antiga mina de urânio Schlema-Alberoda, operada pela Wismut GmbH na extinta Alemanha Oriental. O local encerrou atividades em 1990 e, desde então, passa por um dispendioso processo de remediação. Após o fechamento, os túneis foram inundados e a água contaminada passou a exigir tratamento constante.
Nesse ambiente, praticamente sem oxigênio a cerca de 2.000 metros de profundidade, os pesquisadores coletaram amostras de água na entrada da estação de tratamento. Em laboratório, as bactérias presentes foram incubadas com glicerol, reproduzindo as condições naturais da mina.
Conversão química do metal
Segundo a microbiologista Evelyn Krawczyk-Bärsch, do HZDR, os microrganismos utilizaram o urânio como parte de seu metabolismo. O processo converteu o metal radioativo para o estado pentavalente — oxidação +5 — facilitando seu aprisionamento em minerais estáveis.
O microbiologista Antonio Newman-Portela, também do HZDR, relatou que, após 130 dias de incubação, apenas 5% do urânio inicialmente dissolvido permaneceu detectável nas amostras.
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Potencial para outras regiões
A contaminação por urânio em águas superficiais e subterrâneas é considerada um problema global. Países como Estados Unidos, Índia, Canadá, França, África do Sul e Austrália podem ultrapassar o limite de 0,03 miligrama por litro recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde do Brasil.
Os autores avaliam que a técnica observada na mina alemã pode inspirar soluções de remediação em outras áreas afetadas, mas alertam que serão necessários estudos adicionais para determinar até que ponto as bactérias podem tornar o metal inofensivo em diferentes contextos ambientais.
Com informações de Metrópoles
