STF mantém perda do cargo como punição máxima para magistrados

    0

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, nesta terça-feira (30/6), que a perda do cargo — e não mais a aposentadoria compulsória — deve ser a sanção mais grave aplicada a juízes que cometem infrações disciplinares graves.

    Os ministros rejeitaram embargos de declaração apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que buscava rever decisão tomada pelo colegiado em maio. O recurso alegava que a possibilidade de demissão fragilizaria as garantias da magistratura, especialmente a vitaliciedade, prevista para assegurar a independência judicial.

    Votação unânime

    Relator do caso, o ministro Flávio Dino entendeu que não havia omissão, contradição ou obscuridade na decisão anterior e votou pela manutenção do entendimento. Foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

    Dino destacou que a vitaliciedade não significa imunidade e que juízes continuam sujeitos a responsabilização em processos conduzidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, em última instância, pelo próprio STF.

    Base constitucional

    O colegiado reafirmou que a Emenda Constitucional nº 103/2019 retirou respaldo para a aposentadoria compulsória como punição disciplinar. Assim, constatada falta grave, caberá ao STF decidir, em ação judicial, pela eventual perda do cargo.

    Até a mudança de entendimento, o CNJ aplicava a aposentadoria compulsória prevista na Lei Orgânica da Magistratura (Loman), o que permitia ao magistrado receber vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Dados do processo apontam que, nos últimos 20 anos, 126 juízes foram punidos dessa forma.

    Caso concreto

    Em março, Flávio Dino anulou a aposentadoria compulsória imposta pelo CNJ ao juiz Marcelo Borges Barbosa, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), ao afirmar que esse tipo de sanção perdeu amparo constitucional após a reforma da Previdência de 2019. A Primeira Turma referendou a decisão e determinou que o conselho reavalie o caso, podendo, se constatar infração grave, encaminhá-lo ao STF para eventual demissão.

    Com a decisão desta terça, o Supremo reforça que o CNJ deve prosseguir com investigações disciplinares, mas a medida extrema só será efetivada se o STF confirmar a perda do cargo em sentença definitiva.

    Com informações de Metrópoles

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.