Renan Santos lança candidatura ao Planalto com discurso de guerra ao crime e promete “Direito Penal do Inimigo”

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    “Quem roubar vai morrer.” A frase, repetida por Renan Santos diante de centenas de apoiadores em um centro de convenções na zona oeste de São Paulo, marcou o lançamento de sua primeira candidatura à Presidência da República. Aos 42 anos, o empresário e ativista que ajudou a fundar o Movimento Brasil Livre (MBL) formalizou, no sábado (1º), a chapa que levará o recém-criado partido Missão à sua estreia nas urnas em 2026.

    Apresentado como “o Bukele brasileiro” pelos correligionários, Santos condensa a identidade eleitoral em um projeto de segurança pública que prevê penas mais duras, grandes presídios e a adoção do “Direito Penal do Inimigo”, conceito que suprime garantias para integrantes de facções armadas. O plano está detalhado no “Livro Amarelo”, documento distribuído a militantes durante o evento.

    Do MBL às urnas: trajetória do candidato

    Filho da classe média paulistana, Renan Antunes dos Santos nasceu na capital em 1984. Ingressou em Direito na Universidade de São Paulo, mas deixou o curso para investir em pequenos negócios no setor de tecnologia. O engajamento político ganhou corpo em 2014, quando se uniu a Kim Kataguiri e a outros ativistas para fundar o MBL, grupo que se projetou nacionalmente organizando manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff nos anos seguintes.

    O movimento serviu de embrião para a legenda Missão, oficializada no Tribunal Superior Eleitoral em 2025. Embora a sigla estreie somente agora, quadros ligados ao MBL já ocupam mandatos no Legislativo por outras siglas desde 2018. Santos, porém, jamais disputou cargo eletivo até esta temporada eleitoral.

    Afirmação empresarial e redes sociais

    Paralelamente à militância, o presidenciável administra uma agência de marketing digital especializada em campanhas de influência nas redes. O know-how no ambiente on-line foi crucial para catapultar os protestos do MBL e continua sendo a principal ferramenta para divulgar as propostas da candidatura, concentrada em vídeos curtos e transmissões ao vivo.

    Segurança pública no centro do programa

    A inspiração declarada em Nayib Bukele, presidente de El Salvador, perpassa todo o discurso. Santos pretende “acabar com o controle territorial de facções” por meio de quatro eixos:

    • Penas agravadas – Reclusão mínima de 30 anos para crimes violentos e tráfico de armas.
    • Megapresídios federais – Construção de complexos de segurança máxima afastados de centros urbanos, com bloqueio total de sinal de celular.
    • Direito Penal do Inimigo – Enquadramento de membros de facções como inimigos do Estado, sem presunção de inocência quando forem flagrados com fuzis ou armamento pesado.
    • Forças-tarefa permanentes – Integração entre polícias estaduais, Forças Armadas e órgãos de inteligência para ocupação de territórios dominados pelo crime.

    Críticas de especialistas

    Juristas ouvidos por adversários afirmam que a proposta fere preceitos constitucionais, mas a equipe de Santos defende a tese de que “direitos humanos não podem proteger quem abandona a humanidade ao se armar contra o povo”. A campanha sustenta que eventual pacote legislativo será enviado ao Congresso nos primeiros cem dias de governo.

    Economia liberal e corte de gastos

    O programa presidencial estende o radicalismo à área fiscal. Uma Proposta de Emenda à Constituição pretende estabelecer um teto rigoroso que reduza, em quatro anos, as despesas primárias à metade do Produto Interno Bruto. Paralelamente, Santos quer substituir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um regime de negociação direta entre patrões e empregados e extinguir a Justiça do Trabalho, alegando “entraves à geração de empregos”.

    Reservas em criptomoedas e frentes de trabalho

    A equipe econômica propõe criar uma reserva nacional lastreada em criptomoedas, mecanismo que, segundo o plano, funcionaria como proteção contra oscilações cambiais e ampliaria o acesso do Banco Central a ativos digitais. Para reduzir a dependência do Bolsa Família, o candidato promete lançar frentes de trabalho em obras de infraestrutura, com remuneração atrelada à produtividade.

    Metas para prefeitos e descentralização

    Outra inovação defendida por Santos condiciona a reeleição de prefeitos ao cumprimento de metas quantitativas nas áreas de educação, saúde e saneamento. Caso o município não alcance os indicadores, o gestor ficaria impedido de disputar um segundo mandato. A medida exigiria mudança constitucional, mas, segundo o presidenciável, “é o único caminho para responsabilizar quem administra o dinheiro do contribuinte”.

    Repercussão no cenário político

    A entrada do partido Missão amplia o leque de candidaturas identificadas com a direita liberal. Analistas avaliam que Renan Santos disputa o mesmo eleitorado que consagrou Jair Bolsonaro e candidatos do Novo nas últimas eleições. A diferença, apontam, está no tom mais duro contra o crime, inspirado em El Salvador, enquanto mantém a defesa da economia de mercado.

    Próximos passos da campanha

    Nos próximos meses, o presidenciável planeja percorrer capitais do Sudeste e do Nordeste para apresentar o “Livro Amarelo” a empresários e lideranças comunitárias. O partido trabalha para formar uma coligação que garanta tempo de TV, considerado crucial para romper a bolha digital do MBL. Até o momento, as negociações envolvem duas siglas de pequeno porte que não atingiram a cláusula de barreira.

    Desafios de um estreante

    Sem trajetória eleitoral prévia, Santos precisará demonstrar viabilidade nas pesquisas e atrair quadros experientes para a coordenação de campanha. A lei obriga cada partido a lançar ao menos 30% de candidaturas femininas, e a agremiação ainda não dispõe de nomes suficientes. Além disso, a Justiça Eleitoral exige comprovação de representatividade regional que o Missão tenta garantir com diretórios provisórios em 12 estados.

    Reações do público e de opositores

    Nas redes, apoiadores destacam a “coragem de enfrentar o crime”; críticos acusam o empresário de flertar com o autoritarismo. Lideranças de esquerda afirmam que o discurso “matar quem roubar” viola tratados internacionais de direitos humanos. Já políticos do centro avaliam que a retórica pode ganhar eleitores cansados da violência, mas ressaltam o risco de rejeição em setores moderados.

    O que diz Renan Santos

    Em entrevista após o evento, o candidato reiterou que não recuará do projeto: “Prefiro ser acusado de dureza do que ver trabalhadores honestos reféns de bandidos”. Sobre a economia, afirmou que “o Estado brasileiro gasta como um rico falido” e que seu objetivo é “dar um freio de arrumação” nas contas públicas.

    Calendário eleitoral

    A homologação das candidaturas ocorre em julho de 2026. Até lá, o partido Missão precisa reunir cerca de R$ 100 milhões para financiar a campanha presidencial e as chapas proporcionais. O primeiro debate televisivo está marcado para 22 de agosto, quando Renan Santos dividirá o palco com adversários experientes e terá a chance de testar a receptividade de suas propostas diante de um público mais amplo.

    Na largada, o presidenciável confia que a indignação com a criminalidade e o esgotamento dos velhos partidos abrirão caminho para um outsider que promete, em suas palavras, “paz pela força”. O eleitor é quem definirá se a receita de choque na segurança e cortes agressivos na máquina pública caberá, de fato, no futuro desenho político do Brasil.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.