A corrida pelo Palácio Rio Madeira entrou em terreno imprevisível. Levantamento do instituto Quaest feito entre 21 e 24 de agosto aponta o senador Marcos Rogério (PL) com 24% das intenções de voto e o deputado estadual Adailton Furia (PSD) com 21%. A diferença de três pontos percentuais coloca os dois em empate técnico, já que a margem de erro é justamente de três pontos.
O cenário deixa o segundo pelotão mais distante: Expedito Netto (PT) e Hildon Chaves (União Brasil) têm 10% cada um, enquanto Samuel Costa (PSB) marca 2% e Pedro Abib (MDB), 1%. Entre os 804 entrevistados, 22% ainda não escolheram candidato ou preferem votar em branco ou nulo, quota capaz de redesenhar a disputa nos próximos meses.
Como a pesquisa foi feita
O instituto ouviu presencialmente eleitores de todas as regiões do estado, com idade a partir de 16 anos. A margem de erro geral é de ±3 p.p. e o nível de confiança, de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral está sob os números RO-05711/2026 e BR-00490/2026.
Retratos do eleitorado
Gênero
- Entre homens, Marcos Rogério salta para 31%; Furia fica em 22%.
- Entre mulheres, os dois empatam em 19% cada.
- O contingente feminino concentra o maior índice de indecisos (29%).
Faixa etária
- Eleitores de 16 a 34 anos: empate duplo em 22% para PL e PSD.
- De 35 a 59 anos: vantagem de Rogério (26%) sobre Furia (20%).
- A partir de 60 anos: o petista Expedito Netto cresce para 18%, aproximando-se dos líderes (22% e 21%).
Escolaridade
- Fundamental e médio: Marcos Rogério mantém 25% em cada grupo.
- Superior: Adailton Furia assume a dianteira com 26%, dois pontos acima do rival.
- Indecisos chegam a 27% entre quem tem curso superior completo ou incompleto.
Renda
- Até dois salários mínimos: Rogério 21%, Furia 18% e 26% sem posição.
- De dois a cinco salários: Rogério 25%, Furia 22%, Netto 13%.
- Acima de cinco salários: Rogério alcança 31%, consolidando sua melhor marca.
Cor ou raça
- Brancos: Rogério abre oito pontos (26% a 18%).
- Pardos: empate (23% x 23%).
- Pretos: Furia oscila para 21% e supera Rogério (18%).
Religião
- Católicos: cenário empatado em 24%.
- Evangélicos: Rogério lidera com 27%, seguido de Furia com 21%.
Autodeclaração política
- Bolsonaristas: Rogério chega a 39% e abre vantagem de 22 pontos.
- Direita não bolsonarista: Furia surpreende e aparece com 30% contra 28% do senador.
- Lulistas: Expedito Netto sai dos 10% gerais para 28%, ficando à frente de Furia (20%) e Rogério (12%).
- Esquerda não lulista: Netto mantém o mesmo desempenho (35%).
- Independentes: Furia (22%) supera por dois pontos o concorrente do PL.
O peso dos indecisos
A fatia de eleitores sem escolha definitiva varia de 15% (entre homens) a 30% (acima de 60 anos). Em segmentos cruciais como mulheres, jovens e pardos, esse grupo ultrapassa um quinto do universo pesquisado. Na prática, a eleição está aberta a deslocamentos bruscos conforme campanhas avancem em setembro e outubro.
Capilaridade das campanhas
Força regional
Embora o estudo não divulgue recorte por município, analistas locais apontam que Marcos Rogério obtém vantagem nas cidades do Vale do Jamari, base histórica do PL, enquanto Furia se apoia em Ji-Paraná, de onde se projeta politicamente. Esse desenho tende a forçar estratégias segmentadas, explorando alianças com prefeitos e vereadores.

Imagem: Internet
Partidos em campo
O PSD trabalha para associar o deputado a uma imagem de gestor de perfil técnico, enquanto o PL aposta no histórico de oposição ao governo Lula. PT e União Brasil, ambos com 10%, travam sua própria batalha por espaço e podem se tornar fiéis da balança num eventual segundo turno.
Margens diferenciadas por segmento
Vale registrar que, além da margem de erro geral, a Quaest calcula intervalos específicos: seis pontos para jovens, oito para eleitores com 60 anos ou mais e até onze pontos entre pretos. Essas oscilações acrescentam dose extra de incerteza quando se analisa cada nicho isoladamente.
Próximos passos
Com quase um quarto do eleitorado ainda sem candidato e uma diferença mínima entre os dois primeiros colocados, o resultado da pesquisa reforça a expectativa de uma campanha marcada por viradas, alianças improvisadas e ataques cruzados. Os comitês devem intensificar agendas no interior e ampliar presença digital para converter indecisos — sobretudo mulheres e jovens — que podem definir a sucessão do governador Marcos Rocha.
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