Relatório acusa Trump de transformar festa dos 250 anos da independência dos EUA em plataforma política

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    Os Estados Unidos comemoram neste sábado, 4 de julho, 250 anos de independência sob forte disputa política. Um relatório divulgado na quinta-feira (3/7) por democratas da Subcomissão de Supervisão e Investigações do Comitê de Recursos Naturais da Câmara aponta que a Casa Branca, na gestão Donald Trump, apropriou-se das celebrações e converteu o evento em instrumento de autopromoção.

    Investigação no Congresso

    Intitulado Da Vaidade à Loucura: Como a Casa Branca Enganou o Povo Americano em Seu 250º Aniversário, o documento sustenta que o governo republicano “sequestrou” a programação originalmente apartidária ao criar a fundação Freedom 250, vinculada à National Park Foundation (NPF). Segundo os investigadores, integrantes da campanha de Trump foram colocados em cargos-chave, redirecionando contratos, doações e recursos públicos.

    Troca da America250 pela Freedom 250

    Em 2016, o Congresso havia instituído a comissão America250 para planejar os festejos. Após resistência do grupo a propostas que lembravam comícios eleitorais, o Executivo lançou a Freedom 250, que, de acordo com o relatório, passou a operar sem os mesmos mecanismos de transparência exigidos da comissão original.

    Verbas e patrocínios sob suspeita

    Os democratas afirmam que, dos US$ 150 milhões aprovados pelo Legislativo para o aniversário, apenas US$ 25 milhões chegaram à America250. Dezenas de milhões teriam migrado para a NPF. O texto também relata que empresas interessadas em patrocinar a America250 receberam dados bancários da Freedom 250, transferindo recursos inadvertidamente para a nova entidade.

    A investigação aponta ainda pacotes de patrocínio entre US$ 500 mil e US$ 10 milhões que ofereceriam encontros e sessões de fotos com Trump, além de contratos federais, estimados em até US$ 100 milhões, concedidos à Event Strategies, responsável pelo comício do ex-presidente em 6 de janeiro de 2021.

    Uso de dados e conteúdo ideológico

    O relatório questiona o cadastro de visitantes em plataformas desenvolvidas por Brad Parscale, ex-chefe digital das campanhas de Trump, capazes de segmentar eleitores com inteligência artificial. Também critica os Freedom Trucks, museus itinerantes abastecidos por materiais de grupos conservadores como PragerU e Hillsdale College, que apresentam a formação dos EUA como projeto cristão e omitem temas como escravidão, retirada de indígenas e mudanças climáticas.

    Resposta da Freedom 250

    A porta-voz Danielle Alvarez classificou as acusações como “difamação partidária”. Ela afirmou que todos os patrocinadores estavam cientes de qual organização receberia as doações e garantiu que nenhum valor federal foi desviado.

    Calor extremo afeta programação

    Além das tensões políticas, mais de 110 milhões de norte-americanos enfrentam risco de temperaturas próximas aos 40 °C, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia. O Desfile Nacional do Dia da Independência, previsto para o National Mall, foi cancelado. Mesmo assim, a Freedom 250 manteve atrações como a Fan Zone da Copa do Mundo, a Grande Feira Estadual Americana, shows pirotécnicos, cerimônias militares e discurso de Trump. “A temperatura deve chegar a cerca de 42 °C, e eu vou lá fazer um discurso realmente muito longo só para mostrar que consigo fazer qualquer coisa”, brincou o ex-presidente.

    As comemorações oficiais seguem programadas para este sábado, enquanto democratas pressionam por maior transparência sobre o uso de recursos públicos e privados na Freedom 250.

    Com informações de Metrópoles

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.