Brasília — Em coluna publicada no portal Metrópoles, o jornalista Reinaldo Azevedo atribuiu a mais recente derrota da Seleção Brasileira a fatores econômicos, psicológicos e estruturais. O articulista defendeu que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) seja transformada em uma entidade estatal ou, no mínimo, em autarquia, para reduzir a influência de patrocinadores e casas de apostas nas decisões sobre o time nacional.
Ancelotti no alvo
Azevedo criticou a atuação do técnico Carlo Ancelotti, contratado pela CBF até 2030. Segundo o colunista, o treinador colocou o atacante Endrick em campo, mas logo depois substituiu Gabriel Martinelli por Neymar, o que teria desequilibrado a equipe durante o amistoso disputado no último domingo. Para o jornalista, Neymar exerce “liderança negativa” sobre os colegas e simboliza a dependência da Seleção de interesses comerciais.
Críticas à economia do futebol
No texto, o colunista afirmou que o país possui economia “grande o bastante” para manter os principais jogadores atuando em clubes brasileiros. Ele argumentou que a ausência de políticas de incentivo — inclusive de organismos públicos como o BNDES — facilita a transferência precoce de atletas para equipes estrangeiras, fragilizando o campeonato nacional e a própria Seleção.
Referências históricas
Para ilustrar o contraste entre o presente e o passado, Azevedo recuperou trechos de duas crônicas de Nelson Rodrigues. A primeira, publicada em 31 de maio de 1958, celebrava o embarque da “pátria de chuteiras” rumo à Copa do Mundo da Suécia. A segunda, de 8 de março do mesmo ano, chamava o então jovem Pelé de “rei”. O jornalista comparou esse cenário ao que chamou de “cafajestagem das bets” e à mercantilização atual dos ídolos esportivos.
Complexo de vira-latas
Azevedo relacionou a derrota recente ao “complexo de vira-latas”, expressão popularizada por Nelson Rodrigues. Para o colunista, a contratação de técnicos estrangeiros e o uso do pronome “mister” na cobertura esportiva evidenciariam um sentimento de inferioridade em relação à Europa.
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Imprensa e Faria Lima
O jornalista também criticou parte da imprensa econômica, que, segundo ele, reproduz sem questionamento as opiniões de analistas ligados ao mercado financeiro da região da Faria Lima, em São Paulo. Azevedo classificou essa postura como exemplo de “sujeição voluntária”.
Por fim, o colunista questionou quando o jornalismo esportivo deixará de adotar expressões importadas e passará a formular perguntas mais incisivas sobre a gestão do futebol brasileiro.
Com informações de Metrópoles
