Pesquisa do Datafolha realizada em 17 e 18 de junho mostra que 40% dos brasileiros veem a pobreza como consequência da falta de vontade de trabalhar. O índice é quase o dobro do registrado em 2022, quando a mesma associação era feita por 22% dos entrevistados, e representa o maior percentual da série histórica iniciada em 2013.
Ao todo, 2.004 eleitores com 16 anos ou mais foram ouvidos em 139 municípios. A margem de erro da sondagem não foi informada. No levantamento anterior, feito em 2022, 76% apontavam a desigualdade de oportunidades como principal causa da pobreza; agora, essa fatia recuou para 58%. Três por cento não souberam responder.
Renda e ocupação influenciam respostas
Entre pessoas que ganham até dois salários mínimos, as porcentagens coincidem com o total da amostra: 40% vinculam pobreza à preguiça e 58% à ausência de chances iguais. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, 43% enxergam a pobreza como reflexo de falta de esforço. Já entre quem possui renda familiar superior a dez salários mínimos, 63% relacionam a situação financeira à carência de oportunidades.
O recorte por atividade econômica destaca os empresários como o grupo que mais associa pobreza à preguiça: 56%. A menor proporção aparece entre servidores públicos, com 28%.
Diferenças por eleitorado
Entre eleitores que declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno estimulado, 28% ligam pobreza à preguiça, enquanto 70% apontam falta de oportunidades. No grupo que apoiou Flávio Bolsonaro (PL), 52% atribuem a condição econômica à preguiça e 44% à desigualdade de chances.
Imagem: Edils Dantas / Agencia O Globo
A questão integra o eixo de comportamento da matriz ideológica do Datafolha, que investiga percepções sobre temas como armas, criminalidade, pena de morte, drogas, homossexualidade, religião, sindicatos e punição de adolescentes infratores.
Com informações de O Globo
