O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu neste domingo (28/6) que o país enfrenta um momento “difícil” no conflito contra a Ucrânia, mas assegurou que Moscou continuará a proteger seu território e sua população. A declaração foi feita durante o congresso do partido governista Rússia Unida, em Moscou, a pouco mais de dois meses das eleições parlamentares de setembro.
“Vemos os problemas, reconhecemos e estamos lidando com eles. Sem dúvida, garantiremos a segurança do país e dos nossos cidadãos”, afirmou Putin, segundo a agência estatal TASS. O líder russo acrescentou que “todos os desafios”, incluindo “ataques terroristas” contra instalações estratégicas, serão superados.
Intensificação dos ataques
A fala de Putin ocorre em meio ao aumento de ofensivas ucranianas contra alvos militares e energéticos em território russo. Nas últimas semanas, Kiev concentrou ataques em refinarias e depósitos de combustível, numa tentativa declarada de reduzir as receitas do Kremlin com hidrocarbonetos e enfraquecer o esforço de guerra.
Na madrugada de domingo, um ataque maciço de drones à região de Krasnodar provocou a morte de uma pessoa e gerou um incêndio na refinaria de Slavyansk-na-Kubani, uma das maiores do sul da Rússia, segundo o governador local, Veniamin Kondratyev.
Refinarias sob fogo
Em 18 de junho, outra grande refinaria próxima a Moscou foi atingida, causando explosões e chamas de grande proporção. A Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, declarou estado de emergência na sexta-feira (26/6) após sucessivas ofensivas que levaram ao racionamento de combustível e a cortes de energia na península.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, assumiu publicamente a autoria dos últimos ataques, destacando nas redes sociais que as operações significam “menos recursos para a máquina de guerra russa e mais um passo rumo à paz”. De acordo com o líder ucraniano, as refinarias atingidas ficam a cerca de 300 km e 700 km da fronteira com a Ucrânia.
Estudos da consultoria norte-americana Energy Intelligence estimam que aproximadamente um terço da capacidade de refino russa já foi afetada pelas ações de Kiev. O Ministério da Defesa de Moscou relatou no domingo a interceptação de 213 drones em mais de dez regiões, incluindo a área metropolitana da capital.
Imagem: Internet
Escassez de combustível
Os ataques a instalações energéticas provocaram falta de combustível em alguns pontos da Rússia, gerando longas filas e racionamento em postos de gasolina. Autoridades da região de Yaroslavl, ao norte de Moscou, chegaram a impor restrições temporárias de tráfego após as últimas explosões.
Bombardeios contínuos
Moscou, por sua vez, mantém bombardeios quase diários na Ucrânia. Entre sábado (27/6) e domingo, pelo menos duas pessoas ficaram feridas em ataques à capital ucraniana, Kiev.
Esforços diplomáticos impulsionados pelos Estados Unidos para encerrar o conflito permanecem estagnados, sem previsão de retomada.
Com informações de Metrópoles
