Dirigentes do PSOL consideraram “deselegante” o vídeo em que a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) questiona a produtividade legislativa de Guilherme Boulos (PSOL-SP). Apesar do atrito público, interlocutores de ambos os partidos avaliam que o episódio não altera os acordos firmados para as eleições de 2026 em São Paulo.
No material divulgado segunda-feira (6), Tabata comparou sua atuação parlamentar com a dos cinco deputados mais votados de 2022 — Boulos, Nikolas Ferreira (PL-MG), Ricardo Salles (Novo-SP), Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Afirma ter aprovado mais projetos sozinha do que o grupo inteiro e classificou o retorno oferecido por eles ao eleitorado como “migalhas”.
Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência e coordenador da campanha de Lula, respondeu nas redes sociais. Chamou o vídeo de “lamentável” para alguém do campo progressista e disse que teria “vergonha” de duas decisões de Tabata: o voto favorável à reforma da Previdência e o projeto de lei que criminaliza críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza ao equiparar antissemitismo a crime de racismo.
Estratégia eleitoral
Aliados de Boulos enxergam na ação de Tabata uma tentativa de se posicionar no “extremo centro” do eleitorado paulista, restringindo-se, segundo essa leitura, a cerca de 10 % dos votos. Assessores próximos ao ministro classificaram a iniciativa como “besteira de campanha” e afirmaram que ela adota uma lógica “neoliberal” ao medir o mandato alheio apenas pela quantidade de projetos aprovados.
Costuras mantidas
Lideranças do PSOL e do PSB garantem que o desentendimento não atinge a coligação estadual formada por PT, PV, PCdoB, PSOL, Rede, PSB e PDT, que apoia Fernando Haddad (PT) ao governo paulista. Negociações sobre a distribuição de vagas, mediadas diretamente pelo presidente Lula em Brasília, seguem inalteradas.
Imagem: Maria Isabel Oliveira
Tabata é uma das principais articuladoras da pré-candidatura de Simone Tebet (PSB) ao Senado, enquanto o PSOL apoia Marina Silva (Rede) para a mesma vaga. O compromisso de cada sigla será testado durante as convenções partidárias que oficializarão a chapa encabeçada por Haddad e pelo vice Márcio França.
Boulos e Tabata já haviam disputado a prefeitura paulistana em 2024 sem confronto direto. Desta vez, ambos foram procurados na terça-feira (7) para comentar a possibilidade de reaproximação, mas não responderam.
Com informações de O Globo
